{"id":10772,"date":"2012-05-16T15:30:54","date_gmt":"2012-05-16T18:30:54","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=10772"},"modified":"2012-05-16T15:30:54","modified_gmt":"2012-05-16T18:30:54","slug":"tristes-recordes-do-transito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/tristes-recordes-do-transito\/","title":{"rendered":"Tristes recordes do tr\u00e2nsito"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Editorial do Jornal O Estado de S. Paulo<\/strong><\/p>\n<p>O tr\u00e2nsito matou 42.844 brasileiros em 2010, segundo dados rec\u00e9m-consolidados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Foram em m\u00e9dia 117 mortes por dia. Um aumento de 13,9% em rela\u00e7\u00e3o a 2009, quando os acidentes deixaram 37.594 v\u00edtimas. Foi batido o recorde de 1996, quando 40.610 pessoas perderam a vida no tr\u00e2nsito. De l\u00e1 para c\u00e1, houve algumas melhorias devidas a pol\u00edticas p\u00fablicas de seguran\u00e7a vi\u00e1ria. Mas elas foram t\u00edmidas e duraram pouco. E a falta de rigor na fiscaliza\u00e7\u00e3o estimulou a imprud\u00eancia e a confian\u00e7a na impunidade.<\/p>\n<p>A entrada em vigor do C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro, em 1998, trouxe alguns bons resultados, infelizmente passageiros. A legisla\u00e7\u00e3o foi apontada como uma das mais avan\u00e7adas do mundo por reunir normas r\u00edgidas, multas pesadas, apreens\u00e3o da carteira de habilita\u00e7\u00e3o dos infratores e at\u00e9 pris\u00e3o. Radares eletr\u00f4nicos se multiplicaram nas ruas e julgou-se, erradamente, ter aumentado a preocupa\u00e7\u00e3o dos motoristas com os riscos do excesso de velocidade. Por dois anos consecutivos houve redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de mortes. Mas entre 2000 e 2008, o total de v\u00edtimas voltou a crescer e s\u00f3 foi freado pela chegada da Lei Seca, em 2009, quando uma redu\u00e7\u00e3o de 2% foi conquistada, gra\u00e7as \u00e0s blitze que flagravam motoristas embriagados e os levavam \u00e0s delegacias. O \u00e2nimo da fiscaliza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, durou pouco e com ele as esperan\u00e7as despertadas pela lei.<\/p>\n<p>Os dados de 2010 &#8211; os de 2011 est\u00e3o sendo consolidados &#8211; indicam que o maior aumento de acidentes foi registrado entre os ocupantes de motocicletas. Entre 2009 e 2010 aumentou em 16,7% o n\u00famero de mortes de motociclistas e garupas, que chegou a 10.825. Conforme o Mapa da Viol\u00eancia no Brasil, elaborado pelo Instituto Sangari, em cada tr\u00eas desastres com mortes registrados pelo Denatran, em 2010, um envolveu motociclista. Isso torna o Brasil o segundo pa\u00eds do mundo em n\u00famero de v\u00edtimas de acidentes com motos. S\u00e3o 7,1 \u00f3bitos para cada 100 mil habitantes, taxa que, nos \u00faltimos 15 anos, cresceu mais de 800%. A letalidade de um acidente \u00e9 14 vezes maior para o motociclista do que para ocupantes de autom\u00f3veis.<\/p>\n<p>Em dez anos, entre 1998 e 2008, o total de motociclistas mortos anualmente em acidentes passou de 1.047 para 8.939. Especialistas estimam que a tend\u00eancia seja de agravamento da situa\u00e7\u00e3o, tendo em vista a facilidade do cr\u00e9dito para a aquisi\u00e7\u00e3o desses ve\u00edculos, as defici\u00eancias da fiscaliza\u00e7\u00e3o dos motociclistas &#8211; muitos adquirem as motos sem ter carteira de habilita\u00e7\u00e3o &#8211; e a falta de infraestrutura urbana para abrigar essa frota crescente. Dados do Denatran mostram que h\u00e1 mais de 18 milh\u00f5es de motocicletas em circula\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds. O n\u00famero equivale a 25% da frota nacional de autom\u00f3veis e reflete um crescimento de 246% na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Melhorar a malha vi\u00e1ria, aprimorar as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, investir em campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a de comportamento e estabelecer pol\u00edtica educacional de longo prazo para melhorar a forma\u00e7\u00e3o dos futuros motoristas s\u00e3o medidas fundamentais a serem adotadas pelo governo para tirar o Brasil do grupo dos pa\u00edses com maiores \u00edndices de mortos no tr\u00e2nsito &#8211; os outros s\u00e3o \u00cdndia, R\u00fassia e China.<\/p>\n<p>Os acidentes com pedestres tamb\u00e9m cresceram. O n\u00famero de \u00f3bitos passou de 8.799 para 9.944 &#8211; uma alta de 13%. As mortes dos ocupantes de autom\u00f3veis aumentaram 11%. Foram de 8.133, em 2009, para 9.059, no ano seguinte.<\/p>\n<p>As duas regi\u00f5es do Pa\u00eds com maior \u00edndice de viol\u00eancia no tr\u00e2nsito s\u00e3o a Sudeste (15.598 \u00f3bitos) e a Nordeste (11.853). Outro dado preocupante &#8211; os jovens, de 21 a 29 anos, s\u00e3o as principais v\u00edtimas do tr\u00e2nsito, com 26,3% do total de mortos. Al\u00e9m de reduzir a expectativa de vida da popula\u00e7\u00e3o jovem, a trag\u00e9dia do tr\u00e2nsito imp\u00f5e altos custos sociais e econ\u00f4micos aos sistemas de sa\u00fade e previdenci\u00e1rio.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o desse grave problema exige tamb\u00e9m que o governo &#8211; essa \u00e9 a sua parte &#8211; se conscientize de que o aumento constante da frota de ve\u00edculos exige a expans\u00e3o e a melhoria da infraestrutura vi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Fonte: O Estado de S. Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editorial do Jornal O Estado de S. 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