{"id":11279,"date":"2012-05-25T15:00:52","date_gmt":"2012-05-25T18:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=11279"},"modified":"2012-05-25T15:00:52","modified_gmt":"2012-05-25T18:00:52","slug":"salario-para-quem-tem-curso-superior-encolhe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/salario-para-quem-tem-curso-superior-encolhe\/","title":{"rendered":"Sal\u00e1rio para quem tem curso superior encolhe"},"content":{"rendered":"<p>O mercado de trabalho tem castigado os profissionais mais qualificados, acentuando um movimento que vem desde meados da d\u00e9cada passada. Em 2011, enquanto o rendimento m\u00e9dio real dos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil aumentou 5% e o dos trabalhadores dom\u00e9sticos cresceu 5,6%, quem possui diploma de curso superior viu seu rendimento real ficar parado, ou quase: pelos dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) ele encolheu 0,1%.<\/p>\n<p>Um descompasso entre oferta e demanda por m\u00e3o de obra qualificada explica o porqu\u00ea de os sal\u00e1rios do trabalhador com ensino superior completo praticamente n\u00e3o terem crescido em 2011 e tamb\u00e9m nos \u00faltimos oito anos. O que acontece, segundo especialistas consultados pelo Valor, \u00e9 que desde a d\u00e9cada de 90 o ensino superior avan\u00e7ou com grande for\u00e7a em \u00e1reas em que a demanda n\u00e3o era capaz de absorver tantos profissionais se formando, especialmente nas ci\u00eancias humanas.<\/p>\n<p>A press\u00e3o salarial por m\u00e3o de obra qualificada est\u00e1 concentrada em setores espec\u00edficos da economia, como o de petr\u00f3leo no Rio e o metal\u00fargico em S\u00e3o Paulo. A valoriza\u00e7\u00e3o desses trabalhadores \u00e9 dissolvida por outros grupos, como de advogados e administradores, cuja oferta explodiu nos \u00faltimos anos sem que a demanda acompanhasse esse movimento, resultando em rendimento estagnado. No Rio, o rendimento m\u00e9dio das pessoas com ensino superior cresceu 5% em 2011, mas recuou 3% em S\u00e3o Paulo e 4,1% em Porto Alegre.<\/p>\n<p>A perda de remunera\u00e7\u00e3o para os mais qualificados come\u00e7ou h\u00e1 mais tempo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o rendimento m\u00e9dio do pessoal ocupado com ensino superior completo cresceu apenas 0,3% entre 2003 e 2011, de R$ 3.839,93 para R$ 3.850,52. Na outra ponta, aqueles que t\u00eam no m\u00e1ximo oito anos de estudo (o que equivalia ao ensino fundamental) viram seu rendimento m\u00e9dio real crescer 30,6% na mesma compara\u00e7\u00e3o, de R$ 654,49 a R$ 854,83. Para aqueles com oito a dez anos de estudo (ensino m\u00e9dio), a valoriza\u00e7\u00e3o foi de 18,6%, enquanto quem tinha 11 ou mais anos de estudo em 2011, n\u00e3o necessariamente tendo conclu\u00eddo um curso superior, viu o sal\u00e1rio subir apenas 3,2%.<\/p>\n<p>&#8220;A demanda pelo trabalhador qualificado cresce em ritmo menor que a oferta. Isso faz com que o sal\u00e1rio n\u00e3o cres\u00e7a. Hoje, quando um empres\u00e1rio fala que falta m\u00e3o de obra qualificada, ele n\u00e3o est\u00e1 se referindo a um universit\u00e1rio, necessariamente. Ele est\u00e1 se referindo a um trabalhador que tenha ensino secund\u00e1rio com alguma especifica\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Jos\u00e9 M\u00e1rcio Camargo, professor da PUC-RJ e economista da Opus Investimentos.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil passa por um processo de eleva\u00e7\u00e3o da escolaridade m\u00e9dia generalizada. Entretanto, a quantidade de pessoas que chegam ao mercado de trabalho com pelo menos o ensino m\u00e9dio completo se descolou da demanda do mercado por esse trabalhador, que cresceu menos&#8221;, explica Clemente Ganz L\u00facio diretor-t\u00e9cnico do Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese). &#8220;As empresas precisam de pessoal com forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, da \u00e1rea de engenharia ou correlatas. Esse profissional falta no mercado de trabalho&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Por outro lado, as pol\u00edticas de distribui\u00e7\u00e3o de renda e a valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que se acentuaram desde o primeiro governo Lula, contribu\u00edram para que o rendimento real de quem recebe menos &#8211; e, normalmente, tem menos escolaridade &#8211; crescesse tanto. Entre 2003, quando o sal\u00e1rio m\u00ednimo valia R$ 240, e 2011, quando ele valia R$ 545, houve uma valoriza\u00e7\u00e3o de 63,6% do sal\u00e1rio m\u00ednimo real, de acordo com c\u00e1lculos do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) &#8211; \u00edndice que ajuda a explicar o ganho real de renda de 30,6% registrado pelo IBGE entre quem tem, no m\u00e1ximo, o ensino fundamental completo.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o do setor de servi\u00e7os, que configura um movimento t\u00edpico de economias em desenvolvimento, ajuda a explicar porque os sal\u00e1rios na base da pir\u00e2mide educacional crescem a um ritmo muito maior. O setor exige da sua m\u00e3o de obra menos qualifica\u00e7\u00e3o que a ind\u00fastria, por exemplo. Como servi\u00e7os tem ganhado espa\u00e7o na economia brasileira, enquanto a ind\u00fastria perde, \u00e9 natural que o desemprego no setor diminua mais rapidamente e, os sal\u00e1rios, valorizem-se.<\/p>\n<p>&#8220;O emprego que cresce no Brasil \u00e9 aquele que paga at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos. Isso \u00e9 um sinal de que a nossa demanda est\u00e1 concentrada em trabalhadores menos qualificados&#8221;, explica Camargo.<\/p>\n<p>Para Naercio Aquino Menezes, coordenador do Centro de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Insper, a expans\u00e3o da renda e do n\u00edvel educacional das classes mais pobres impulsionou o consumo de servi\u00e7os, o que cria mais demanda de m\u00e3o de obra para o setor e, consequentemente, puxa a renda do trabalhador e diminui o desemprego. Com maior poder de compra, h\u00e1 uma tend\u00eancia de que o consumo de servi\u00e7os aumente mais uma vez, reiniciando esse ciclo virtuoso.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado de trabalho tem castigado os profissionais mais qualificados, acentuando um movimento que vem desde meados da d\u00e9cada passada.<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":9712,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11279"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11279"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11279\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}