{"id":12950,"date":"2012-06-26T15:43:20","date_gmt":"2012-06-26T18:43:20","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=12950"},"modified":"2012-06-26T15:43:20","modified_gmt":"2012-06-26T18:43:20","slug":"receita-nao-pode-cobrar-ipi-de-carga-roubada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/receita-nao-pode-cobrar-ipi-de-carga-roubada\/","title":{"rendered":"Receita n\u00e3o pode cobrar IPI de carga roubada"},"content":{"rendered":"<p>A 2\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que a Receita Federal n\u00e3o pode cobrar IPI sobre mercadorias roubadas que seriam destinadas ao mercado externo. A discuss\u00e3o entre os ministros foi acirrada, mas prevaleceu o entendimento que n\u00e3o houve fato gerador porque a mercadoria n\u00e3o foi entregue ao comprador. H\u00e1 dois anos, no entanto, em um caso semelhante, a turma havia julgado em sentido contr\u00e1rio. Naquele caso, por\u00e9m, os produtos ficariam no mercado interno.<\/p>\n<p>Para o relator do caso, ministro Herman Benjamin, a seguran\u00e7a \u00e9 um dever do Estado e, por isso, a empresa n\u00e3o deve recolher o imposto em caso de roubo ou furto. O ministro chegou a mudar seu voto durante o julgamento, iniciado em abril e conclu\u00eddo na quinta-feira. Com esse entendimento, a Souza Cruz Trading conseguiu cancelar uma autua\u00e7\u00e3o fiscal lavrada em 2000, no valor de R$ 115 mil. A empresa teve a carga roubada no caminho entre Uberl\u00e2ndia (MG) e o Porto de Santos (SP).<\/p>\n<p>Em sua defesa, a empresa apresentou n\u00fameros para demonstrar o alto \u00edndice de roubos e furtos de cigarros e custos com a seguran\u00e7a no transporte das cargas. Em 2010 e 2011, foram gastos R$ 54 milh\u00f5es em servi\u00e7os de escolta, de acordo com a advogada da empresa, Jana\u00edna Carvalho Kalume, do Eduardo Ant\u00f4nio Lucho Ferr\u00e3o Advogados Associados. S\u00f3 em 2010, foram contabilizados 1.606 roubos e furtos de cigarros da Souza Cruz. &#8220;Por causa disso, a empresa foi autuada diversas vezes&#8221;, diz a advogada Cristiane Romano, do Machado Meyer Advogados, escrit\u00f3rio que atua em conjunto na defesa da Souza Cruz. A 1\u00aa Turma do STJ tamb\u00e9m dever\u00e1 analisar a quest\u00e3o neste ano a partir de um outro processo da empresa.<\/p>\n<p>Em nota, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) informou que deve recorrer da decis\u00e3o. O \u00f3rg\u00e3o vai citar, em sua defesa, uma decis\u00e3o de 2010 da mesma turma em sentido contr\u00e1rio. Os ministros negaram o cancelamento de um auto de infra\u00e7\u00e3o da Phillip Morris. Na ocasi\u00e3o, a maioria seguiu o entendimento do relator, ministro Mauro Campbell. Ele entendeu que o fato gerador do IPI ocorre com a sa\u00edda da mercadoria do estabelecimento do vendedor. &#8220;N\u00e3o se pode adotar linha interpretativa que transforme o ente p\u00fablico tributante em segurador universal da atividade econ\u00f4mica desenvolvida por todos os sujeitos passivos&#8221;, afirmou o ministro na \u00e9poca. Segundo a PGFN, &#8220;o entendimento, inclusive, corrobora a defesa da Fazenda Nacional para o caso [da Souza Cruz]&#8221;.<\/p>\n<p>No caso da Phillip Morris, por\u00e9m, a mercadoria seria vendida no mercado interno, o que, para advogados, justificaria a diferen\u00e7a no resultado dos julgamentos. Isso porque a exporta\u00e7\u00e3o daria direito \u00e0 imunidade tribut\u00e1ria ao contribuinte. A autua\u00e7\u00e3o teria ocorrido porque a empresa n\u00e3o comprovou a opera\u00e7\u00e3o que lhe daria direito ao benef\u00edcio. Nas vendas internas, entretanto, o tributo teria deixado de ser pago.<\/p>\n<p>Para o tributarista Daniel Correa Szelbracikowski, da Advocacia Dias de Souza, ser\u00e1 necess\u00e1rio esperar a publica\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o para saber se h\u00e1 precedente favor\u00e1vel para os casos referentes ao roubo de mercadorias vendidas internamente. &#8220;O racioc\u00ednio poder\u00e1 ser aplicado para casos de furto ou roubo de qualquer bem, destinado \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o&#8221;, diz o advogado. Como mudou seu voto, o ministro Benjamin ainda ter\u00e1 que redigir o ac\u00f3rd\u00e3o.<\/p>\n<p>Para alguns advogados, o entendimento adotado pode ser aplicado indistintamente. &#8220;A exporta\u00e7\u00e3o em si \u00e9 mais um dado, n\u00e3o \u00e9 determinante para a quest\u00e3o&#8221;, afirma Cristiane Romano, acrescentando que dois ministros seguiram o mesmo racioc\u00ednio nos dois julgamentos. Na \u00e9poca, o ministro Castro Meira chegou a classificar a situa\u00e7\u00e3o de kafkaniana pelo imposto ser exigido sobre uma opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o conclu\u00edda. &#8220;Nada mais assustador&#8221;, disse. O ministro Humberto Martins, por exemplo, mudou seu entendimento sobre a quest\u00e3o de 2010 para c\u00e1, votando agora pela n\u00e3o incid\u00eancia do imposto.<\/p>\n<p>Alguns advogados, por\u00e9m, defendem a cobran\u00e7a. Para Jos\u00e9 Eduardo Toledo, s\u00f3cio do Gaud\u00eancio, McNaughton e Toledo Advogados, n\u00e3o h\u00e1 l\u00f3gica em admitir a isen\u00e7\u00e3o de mercadorias roubadas uma vez que o fato gerador do IPI, de acordo com o regulamento do imposto (Decreto n\u00ba 2.637, de 1998), \u00e9 a sa\u00edda da mercadoria do estabelecimento. Na opini\u00e3o de Rodrigo Barreto de Faria Pinho, do Guerra, Doin e Craveiro Advogados, entretanto, \u00e9 justamente o fato gerador do imposto que foi atacado no julgamento. &#8220;A interpreta\u00e7\u00e3o foi flexibilizada para admitir a incid\u00eancia na sa\u00edda do produto em decorr\u00eancia de um neg\u00f3cio jur\u00eddico. No caso, n\u00e3o existe neg\u00f3cio porque houve um roubo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 2\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que a Receita Federal n\u00e3o pode cobrar IPI sobre mercadorias<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":6002,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12950"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12950"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12950\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}