{"id":16070,"date":"2012-08-24T22:21:47","date_gmt":"2012-08-25T01:21:47","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=16070"},"modified":"2012-08-24T22:21:47","modified_gmt":"2012-08-25T01:21:47","slug":"lula-detalhes-biograficos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/lula-detalhes-biograficos\/","title":{"rendered":"LULA &#8211; detalhes biogr\u00e1ficos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Por *Frei Betto<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u00e9 pernambucano de Garanhuns, onde nasceu, segundo registra sua certid\u00e3o de batismo, a 27 de outubro de 1945. Na opini\u00e3o dos irm\u00e3os mais velhos, esta teria sido a data do batismo. A de nascimento, 6 de outubro. O fato \u00e9 que, neste outubro, ele ganha presente duplo: ser\u00e1 votado para presidir o Brasil dia 6, e para assumir a presid\u00eancia dia 27.<\/p>\n<p>O apelido &#8220;Lula&#8221; foi incorporado ao nome em 1982, por raz\u00f5es eleitorais. Pen\u00faltimo dos oito filhos de Eur\u00eddice Ferreira de Melo, a dona Lind\u00fa, e Aristides In\u00e1cio da Silva, passou a primeira inf\u00e2ncia nos oito hectares de terra onde a fam\u00edlia plantava feij\u00e3o, milho e mandioca para consumo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Quando Lula completou 7 anos, em 1952, m\u00e3e e filhos viajaram 13 dias de &#8220;pau-de-arara&#8221; do Nordeste a S\u00e3o Paulo, dividindo a pequena ra\u00e7\u00e3o de farinha, queijo e rapadura. Vieram ao encontro do pai, que trabalhava como estivador no porto de Santos. Aluno do grupo escolar Marc\u00edlio Dias, onde cursou o prim\u00e1rio, Lula ajudava o magro or\u00e7amento familiar engraxando sapatos ou vendendo laranja e tapioca na esta\u00e7\u00e3o de barcas de Santos.<\/p>\n<p>Em 1956, a fam\u00edlia mudou-se para a capital paulista. Morava na Vila Carioca, num quarto e cozinha nos fundos de um bar. Aos l2 anos teve seu primeiro emprego, como ajudante numa tinturaria. Dois anos depois, ingressou numa metal\u00fargica e obteve o diploma de torneiro-mec\u00e2nico no Senai.<\/p>\n<p>Lula pisou pela primeira vez no Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo do Campo e Diadema em 1967, quando trabalhava nas Ind\u00fastrias Villares. Em 1969, foi eleito suplente de diretoria do sindicato e em 1972, membro da diretoria executiva. Em 1975, assumiu pela primeira vez a presid\u00eancia do sindicato, eleito com mais de 90% dos votos da categoria. Reeleito em 1978, inovou as campanhas salariais, introduzindo a luta pela reposi\u00e7\u00e3o salarial e promovendo amplas mobiliza\u00e7\u00f5es de massa.<\/p>\n<p>A GREVE DE 1979<\/p>\n<p>Fevereiro de 1979. No Morumbi, Cor\u00ednthians e Guarany decidiam o campeonato paulista. Na galera, torciam Lula, Devanir Ribeiro, Janj\u00e3o e Alem\u00e3o. Iniciava-se a campanha salarial dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo do Campo e Diadema. A pauta de reivindica\u00e7\u00f5es incluia 34,1% al\u00e9m do \u00edndice oficial, como reposi\u00e7\u00e3o das perdas salariais. Vendo a multid\u00e3o no est\u00e1dio, Lula teve uma id\u00e9ia: convocar uma assembl\u00e9ia sindical capaz de lotar um campo de futebol.<\/p>\n<p>13 de mar\u00e7o de 1979: 80 mil metal\u00fargicos em greve ocupavam o gramado e as arquibancadas do est\u00e1dio da Vila Euclides, em S\u00e3o Bernardo do Campo. Sem microfone, Lula tinha o seu discurso repetido pelos que o ouviam, como ondas sucessivas de um lago atingido por uma pedra. Dois dias depois, quando 170 mil trabalhadores j\u00e1 estavam parados em todo o ABC, a greve foi considerada ilegal. Na madrugada de 22 de mar\u00e7o para 23, enquanto os metal\u00fargicos permaneciam em vig\u00edlia no sindicato, de Bras\u00edlia o ministro do Trabalho, Murilo Macedo, falava com o governador paulista, Paulo Maluf. Pouco depois, tropas da Pol\u00edcia Militar garantiam a interven\u00e7\u00e3o no sindicato.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o ao movimento foi implac\u00e1vel. Com a Vila Euclides fechada, os trabalhadores faziam suas assembl\u00e9ias na Igreja Matriz de S\u00e3o Bernardo do Campo. Mas ao discutir com os empres\u00e1rios a tr\u00e9gua de 45 dias no movimento, Lula exigiu e obteve a reabertura do est\u00e1dio.<\/p>\n<p>O 1\u00ba de maio daquele ano coincidiu com o per\u00edodo da tr\u00e9gua. 150 mil trabalhadores participaram do ato comandado por Lula na Vila Euclides, quando Vinicius de Moraes recitou O Oper\u00e1rio em Constru\u00e7\u00e3o e correu a not\u00edcia de que o delegado S\u00e9rgio Paranhos Fleury, chefe do Esquadr\u00e3o da Morte, morrera estranhamente afogado no litoral paulista.<\/p>\n<p>Ao final da tr\u00e9gua, a 13 de maio, assinou-se um acordo razo\u00e1vel entre empresas e sindicato, a interven\u00e7\u00e3o foi suspensa e a greve encerrada. Embora reduzidos os ganhos salariais, o saldo pol\u00edtico do movimento liderado por Lula fora significativo. Ao mobilizar todo o seu potencial repressivo, o governo revelara aos trabalhadores o seu car\u00e1ter ditatorial; viera \u00e0 tona a subservi\u00eancia do poder p\u00fablico \u00e0s multinacionais e, do minist\u00e9rio do Trabalho, \u00e0 Fiesp; a Lei de Greve ficou desmoralizada; a lideran\u00e7a de Lula e de seus companheiros de diretoria conquistara mais representatividade, pois mesmo com o sindicato sob interven\u00e7\u00e3o eles foram reconhecidos pelo governo e os patr\u00f5es como \u00fanicos interlocutores leg\u00edtimos.<\/p>\n<p><strong>A GREVE DE 41 DIAS<\/strong><\/p>\n<p>Em 1980, Lula liderou a hist\u00f3rica greve de 41 dias. A campanha salarial dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo do Campo e Diadema reivindicava sobretudo garantia de emprego, redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 40 horas semanais, controle das chefias pelos trabalhadores e direito de os dirigentes sindicais ingressarem nas empresas a qualquer hora. Como os patr\u00f5es se mostraram irredut\u00edveis \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es, a greve teve in\u00edcio a l\u00ba de abril, quando 140 mil metal\u00fargicos cruzaram os bra\u00e7os.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o ao movimento incluiu at\u00e9 helic\u00f3pteros do Ex\u00e9rcito que, armados de metralhadora, sobrevoaram as assembl\u00e9ias da Vila Euclides. Lula conseguiu que os trabalhadores n\u00e3o se deixassem intimidar. Enquanto cantavam o hino nacional, todos erguiam bandeirinhas do Brasil distribu\u00eddas pelo sindicato.<\/p>\n<p>A 17 de abril, o ministro do Trabalho, Murilo Macedo, decretou a segunda interven\u00e7\u00e3o no sindicato presidido por Lula, cassando seus diretores da vida sindical, mas sem conseguir que se afastassem do comando do movimento. No dia 19, \u00e0s 6 da manh\u00e3, Lula foi preso em sua casa pelo DOPS, numa opera\u00e7\u00e3o coordenada pelo governo Paulo Maluf, e que envolveu a pris\u00e3o de in\u00fameros dirigentes sindicais em todo o ABC, inclusive sindicalistas e juristas de S. Paulo.<\/p>\n<p>No l\u00ba de maio, Lula teve a alegria de saber, na pris\u00e3o, que 120 mil pessoas haviam se reunido numa manifesta\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Bernardo do Campo. A tristeza, poucos dias depois, foi obter permiss\u00e3o especial para, escoltado, comparecer \u00e0 missa de corpo presente de sua m\u00e3e. Como forma de press\u00e3o para que os patr\u00f5es retomassem as negocia\u00e7\u00f5es, Lula e seus companheiros de c\u00e1rcere fizeram seis dias de greve de fome.<\/p>\n<p>Em 20 de maio de 1980, Lula teve sua pris\u00e3o preventiva revogada. Libertado, sua primeira atitude ao chegar em casa foi soltar os passarinhos da gaiola&#8230; Julgado pela Justi\u00e7a Militar em novembro de 1981, recebeu a pena de 3 anos e 6 meses de pris\u00e3o. Posteriormente, o Superior Tribunal Militar anulou o processo.<\/p>\n<p><strong>A greve terminou a 11 de maio, com o saldo de um grande avan\u00e7o pol\u00edtico na organiza\u00e7\u00e3o e na consci\u00eancia de classe dos metal\u00fargicos do ABC.<\/strong><\/p>\n<p>O PARTIDO DOS TRABALHADORES<\/p>\n<p>A proposta de se criar o PT surgiu no mesmo dia em que nasceu Sandro, filho de Lula: 15 de julho de 1978. No hotel Bahia, em Salvador, onde participava de um congresso dos petroleiros, Lula declarou \u00e0 imprensa que chegara a hora de a classe trabalhadora criar o seu pr\u00f3prio partido pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Lula descobrira que a quest\u00e3o sindical \u00e9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o pol\u00edtica. No cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional, todos os partidos pretendiam ser a voz do povo, enquanto o pr\u00f3prio povo n\u00e3o tinha como expressar sua voz. Em janeiro de 1980, mais de 80 deputados reuniram-se no Pampas Palace Hotel, em S\u00e3o Bernardo do Campo, para debater a proposta do PT. Nenhum deles suportou assumir por mais de uma elei\u00e7\u00e3o um partido classista, com grande disciplina e democracia internas, e com um programa nitidamente socialista.<\/p>\n<p>Lula percorreu o Brasil para convencer a classe trabalhadora de que era in\u00fatil esperar que um Congresso Nacional repleto de empres\u00e1rios fizesse leis favor\u00e1veis aos assalariados. A primeira reuni\u00e3o hist\u00f3rica do PT realizou-se em janeiro de 1980, paradoxalmente num antigo reduto da burguesia paulista, o col\u00e9gio Sion. Intelectuais como Antonio Candido, M\u00e1rio Pedrosa e S\u00e9rgio Buarque de Hollanda logo aderiram \u00e0 nova proposta partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em 1982 o PT, que j\u00e1 congregava 400 mil militantes em todo o Brasil, lan\u00e7ou Lula candidato a governador de S\u00e3o Paulo. Apesar da falta de recursos da campanha e dos preconceitos de classe do eleitorado, Lula obteve 1 milh\u00e3o e 200 mil votos. Em 1986, elegeu-se \u00e0 Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte com 652 mil votos, o maior \u00edndice obtido por um deputado federal naquela elei\u00e7\u00e3o. Dos 572 munic\u00edpios de S\u00e3o Paulo, ele recebeu votos em 568, sobretudo nas regi\u00f5es industriais. Na Constituinte, sua atua\u00e7\u00e3o em favor dos interesses dos trabalhadores foi considerada exemplar pela imprensa especializada.<\/p>\n<p>Presidente do Partido, reeleito desde sua funda\u00e7\u00e3o em 1980, Lula deixou o cargo em 1987, refor\u00e7ando o princ\u00edpio do rod\u00edzio na dire\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. Desde ent\u00e3o, tornou-se presidente de honra do PT. E ajudou a fundar a CUT, a CMP (Central de Movimentos Populares) e o Instituto Cidadania, do quel \u00e9 presidente.<\/p>\n<p>Agora, se prepara para presidir o Brasil, com posse marcada para 1\u00ba de janeiro de 2003.<\/p>\n<p><em><strong>*Frei Betto<\/strong> \u00e9 escritor, autor de &#8220;Alfabetto \u2014 autobiografia escolar&#8221; (\u00c1tica), entre outros livros.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por *Frei Betto Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u00e9 pernambucano de Garanhuns, onde nasceu, segundo registra sua certid\u00e3o de batismo,<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":16071,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,2,1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16070"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16070"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16070\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}