{"id":16667,"date":"2012-09-15T20:40:31","date_gmt":"2012-09-15T23:40:31","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=16667"},"modified":"2012-09-15T20:40:31","modified_gmt":"2012-09-15T23:40:31","slug":"pesquisadora-brasileira-ve-abismo-entre-tecnologia-e-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/pesquisadora-brasileira-ve-abismo-entre-tecnologia-e-mulheres\/","title":{"rendered":"Pesquisadora brasileira v\u00ea abismo entre tecnologia e mulheres"},"content":{"rendered":"<p><em>Levar mais mulheres brasileiras para o campo cient\u00edfico-tecnol\u00f3gico. Com esse objetivo e a experi\u00eancia como embaixadora no Instituto Anita Borg por mulheres e tecnologia \u00e9 que a estudante de doutorado Larissa Romualdo Suzuki, atualmente na Inglaterra, pretende voltar para o Brasil.<\/em><\/p>\n<div style=\"width: 262px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"  \" src=\"http:\/\/admin.paginaoficial1.tempsite.ws\/admin\/arquivos\/biblioteca\/meninatecn32072.jpg\" alt=\"\" width=\"252\" height=\"351\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Larissa Romualdo Suzuki<\/p><\/div>\n<p>A hoje pesquisadora da University College London recebeu o aceite de 12 institui\u00e7\u00f5es de ensino superior nacionais e internacionais para seu projeto de doutorado, al\u00e9m de sete bolsas de estudo, incluindo uma do Google, empresa que tamb\u00e9m a convidou para um est\u00e1gio cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Suzuki conta ter sofrido discrimina\u00e7\u00e3o na USP. &#8220;Algumas pessoas te tratam como se voc\u00ea fosse um lixo, uma demente por voc\u00ea ter vindo de uma faculdade particular.&#8221;<\/p>\n<p>Leia abaixo seu relato:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sou de fam\u00edlia rica. Nasci em Ribeir\u00e3o Preto, onde estudei nos col\u00e9gios Orlando Jurca, Santos Dumont e Otoniel Mota &#8211;todos p\u00fablicos. Meus irm\u00e3os estudavam computa\u00e7\u00e3o. Foi isso que despertou em mim o interesse por tecnologia.<\/p>\n<p>Terminando o Ensino M\u00e9dio, entrei no Centro Universit\u00e1rio Bar\u00e3o de Mau\u00e1 para estudar ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 trabalhava, mas tive que financiar meu curso por meio do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil, do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Em outras palavras, fui eu quem pagou minha faculdade. Na verdade, quem paga &#8211;porque at\u00e9 hoje as parcelas n\u00e3o terminaram (risos).<\/p>\n<p>Uma vez dentro da Mau\u00e1, fiz uma prova para inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e passei. A &#8220;bolsa&#8221; era uma dedu\u00e7\u00e3o de 20% na minha mensalidade.<\/p>\n<p>Formei-me em uma turma de mais de 30 pessoas, entre as quais eu era a \u00fanica mulher, e decidi seguir na pesquisa. Fiz alguns processos seletivos e consegui entrar em um mestrado em engenharia el\u00e9trica pela USP, no campus de S\u00e3o Carlos.<\/p>\n<p>No mestrado, tinha bolsa da Capes (Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior, tamb\u00e9m do governo federal) e fazia est\u00e1gio, trabalhando como professora assistente.<\/p>\n<p>Sofri discrimina\u00e7\u00e3o na USP por ser uma forasteira. Eu era tratada como um lixo, como uma demente s\u00f3 por ter vindo de faculdade particular.<\/p>\n<p>Muita gente me desestimulava, mas esses eram insignificantes para a ci\u00eancia. Os que me incentivavam, por outro lado, eram pessoas extraordin\u00e1rias dentro da academia.<\/p>\n<p>Terminei o meu mestrado, que era sobre diagn\u00f3stico m\u00e9dico por imagem, e dei in\u00edcio a um doutorado com linha de pesquisa semelhante na FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto, da USP).<\/p>\n<p>Sou apaixonada por computa\u00e7\u00e3o. \u00c9 maravilhoso saber que podemos us\u00e1-la para o bem da humanidade, como para diagnosticar c\u00e2ncer.<\/p>\n<p><strong>Virada<\/strong><\/p>\n<p>Eu tinha come\u00e7ado meu doutorado na faculdade de medicina havia tr\u00eas meses quando recebi o &#8220;sim&#8221; da universidade em que estudo atualmente, a University College London, e de outras 11 institui\u00e7\u00f5es brit\u00e2nicas para fazer doutorado.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fui selecionada nos processos de seis bolsas de estudo. Tive de recusar todas elas, menos a que usufruo atualmente, concedida pelo EPSRC (Conselho de Pesquisa em Engenharia e Ci\u00eancias F\u00edsicas, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Meu doutorado, sobre integra\u00e7\u00e3o de sistemas de cidades, \u00e9 feito em conjunto com a Imperial College London. Ambas as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o universidades p\u00fablicas de pesquisa.<\/p>\n<p>Recebo 16 mil libras esterlinas por ano (cerca de R$ 4.300 por m\u00eas) mais um adicional por dar aulas.<\/p>\n<p>Neste ano, fiz um curso de doc\u00eancia pela Academia Brit\u00e2nica de Educa\u00e7\u00e3o Superior. Sempre tive facilidade em ensinar. Comecei a lecionar aos 16 anos, dando aulas de m\u00fasica. O meu sonho \u00e9 ser professora de uma universidade federal brasileira.<\/p>\n<p><strong>Meninas e ci\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Meu objetivo \u00e9 tamb\u00e9m levar ao Brasil os projetos que existem aqui (Reino Unido) e nos EUA para atrair mulheres para a tecnologia.<\/p>\n<p>Sou embaixadora do Instituto Anita Borg por mulheres e tecnologia, para o qual trabalho ajudando a promover eventos e difundir suas ideias.<\/p>\n<p>Nos eventos, que juntam milhares de pessoas, muitas mulheres apresentam seu trabalho. A ideia \u00e9 mostrar para quem est\u00e1 come\u00e7ando que qualquer uma pode ter uma carreira brilhante na \u00e1rea.<\/p>\n<p>As meninas olham uma mulher com dois filhos e que \u00e9 do alto escal\u00e3o de uma empresa como a Cisco, por exemplo, e pensam &#8220;nossa, \u00e9 mesmo poss\u00edvel&#8221;.<\/p>\n<p>Trabalhar com computa\u00e7\u00e3o, encarando durante o dia inteiro uma tela, \u00e9 pesado. Mas n\u00e3o acho que seja por isso que haja t\u00e3o poucas mulheres na \u00e1rea de tecnologia. As meninas crescem acreditando que videogames, computadores n\u00e3o s\u00e3o para elas. Isso precisa mudar.<\/p>\n<p>Ajudei a fundar uma associa\u00e7\u00e3o por mulheres e tecnologia dentro da minha faculdade, com a ajuda de uma supervisora administrativa. Qualquer institui\u00e7\u00e3o ou projeto que tenha objetivo semelhante pode contar com o meu apoio.<\/p>\n<p>Est\u00e1 na hora de o Brasil ter algo nesse sentido: levar meninas, crian\u00e7as mesmo, \u00e0 computa\u00e7\u00e3o, para que mais tarde elas se tornem parte do progresso cient\u00edfico-tecnol\u00f3gico do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Google<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 depois de um tempo dentro do Anita Borg, recebi uma bolsa do Google para apoiar meu trabalho como promotora do Instituto.<\/p>\n<p>Fui uma das dez estudantes de mestrado que ganharam essa bolsa. A empresa deixou claro que eles d\u00e3o oportunidade para pesquisadores que se dispuserem a estudar o Google e seus servi\u00e7os para um eventual trabalho aprofundado.<\/p>\n<p>Estou estudando um pouco do que faz o Google. Eles me ofereceram outra bolsa, dessa vez de est\u00e1gio como pesquisador, para o ano que vem. Acho que vou aceitar.<\/p>\n<p>Mas ainda estou lutando para terminar meu doutorado, que \u00e9 dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Fonte: Folha de S.Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levar mais mulheres brasileiras para o campo cient\u00edfico-tecnol\u00f3gico. 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