{"id":16718,"date":"2012-09-17T17:12:32","date_gmt":"2012-09-17T20:12:32","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=16718"},"modified":"2012-09-17T17:12:32","modified_gmt":"2012-09-17T20:12:32","slug":"drogas-tragica-lideranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/drogas-tragica-lideranca\/","title":{"rendered":"Drogas, tr\u00e1gica lideran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Pelo menos 2,8 milh\u00f5es de pessoas no Brasil usaram coca\u00edna de forma inalada ou fumada &#8211; via consumo de crack ou de oxi &#8211; nos \u00faltimos 12 meses. Esses n\u00fameros transformam o Pa\u00eds no segundo principal mercado consumidor de coca\u00edna do mundo, atr\u00e1s s\u00f3 dos Estados Unidos, onde 4,1 milh\u00f5es usaram coca\u00edna no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>Caso sejam considerados somente os que consumiram crack, o total chega a 1 milh\u00e3o de pessoas no Pa\u00eds, o que torna o Brasil o principal mercado consumidor do planeta. Mas, como os demais pa\u00edses pesquisados n\u00e3o separam o consumo de coca\u00edna inalada e fumada, \u00e9 dif\u00edcil apontar o tamanho do mercado consumidor de crack nas outras na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os dados constam do 2.\u00ba Levantamento Nacional de \u00c1lcool e Drogas &#8211; o uso de coca\u00edna e crack no Brasil, divulgado recentemente pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo e pelo Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia para Pol\u00edticas P\u00fablicas do \u00c1lcool e Drogas. Foram ouvidas 4.607 pessoas com mais de 14 anos em 149 cidades.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao mercado de coca\u00edna, o Brasil fica \u00e0 frente at\u00e9 mesmo de continentes inteiros, como a \u00c1sia, onde 2,3 milh\u00f5es de pessoas usaram coca\u00edna no mesmo per\u00edodo. No Reino Unido, que ocupa a terceira posi\u00e7\u00e3o no n\u00famero de consumidores, h\u00e1 1,1 milh\u00e3o de usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 30 anos o mercado de coca\u00edna era quase inexistente. O Brasil foi um dos pa\u00edses com mais r\u00e1pido crescimento do consumo de coca\u00edna&#8221;, diz o m\u00e9dico Ronaldo Laranjeira, organizador do estudo. &#8220;Esse trabalho mostra a necessidade de que haja um pensamento estrat\u00e9gico capaz de desmontar essa rede&#8221;.<\/p>\n<p>O mapa da depend\u00eancia qu\u00edmica, dram\u00e1tico e assustador, foi perfilado em excelente reportagem de Bruno Paes Manso, rep\u00f3rter do jornal O Estado de S. Paulo. A tr\u00e1gica lideran\u00e7a do Brasil no mercado mundial de entorpecentes traz grav\u00edssimos problemas de seguran\u00e7a p\u00fablica, sa\u00fade e assist\u00eancia social decorrentes do consumo de drogas.<\/p>\n<p>O hediondo mercado das drogas est\u00e1, de fato, dizimando a juventude. Ele avan\u00e7a e vai ceifando vidas nos barracos da periferia abandonada e no au\u00ea dos bares e boates frequentados pela juventude abonada. Movimenta muito dinheiro. Seu poder corruptor anula, na pr\u00e1tica, estrat\u00e9gias meramente repressivas. A preven\u00e7\u00e3o e a recupera\u00e7\u00e3o, as \u00fanicas armas eficazes no m\u00e9dio e no longo prazos, reclamam um apoio mais efetivo do governo e da iniciativa privada \u00e0s institui\u00e7\u00f5es s\u00e9rias e aos grupos de autoajuda que lutam pela reabilita\u00e7\u00e3o de dependentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o se faz jornalismo, nem mesmo mat\u00e9ria de opini\u00e3o, fechado entre as quatro paredes de uma reda\u00e7\u00e3o ou circunscrito ao rarefeito ambiente de um laborat\u00f3rio acad\u00eamico. \u00c9 preciso ver, ouvir, apurar, sentir, refletir e s\u00f3 ent\u00e3o escrever. Nada supera o realismo da velha e boa reportagem. Com esse esp\u00edrito, movido pelo dever de obter informa\u00e7\u00e3o verdadeira, mergulhei na pauta assustadora: a depend\u00eancia qu\u00edmica.<\/p>\n<p>Cabe\u00e7a baixa, olhos cravados no ch\u00e3o, cora\u00e7\u00e3o encharcado de dor. &#8220;Ser\u00e1 que Deus ainda olha para mim?&#8221; Paira no ar uma tristeza densa, que se pode cortar. A fal\u00eancia da autoestima e o sentimento de culpa, \u00e0 semelhan\u00e7a de uma laje de chumbo, esmagam a alma. A cena, dura e forte, retrata o day after de um adicto de coca\u00edna. O drama, tragicamente rotineiro no frio anonimato da cidade sem alma, n\u00e3o \u00e9 um recurso ficcional. \u00c9 real. Tem nome e sobrenome, obviamente preservados por motivos \u00e9ticos elementares. Recuperou-se na Comunidade Terap\u00eautica Horto de Deus, em Taquaritinga, no interior de S\u00e3o Paulo (www.hortodedeus.org.br). Seus olhos recobraram a luz da esperan\u00e7a. Retomou os estudos, concluiu a faculdade de Publicidade e Propaganda e est\u00e1 batalhando. Com a cabe\u00e7a erguida e a dignidade resgatada. Sua hist\u00f3ria, parecida com a de milhares de jovens, deve ser registrada. E a m\u00e3o que o salvou, o Horto de Deus, merece uma mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Com grav\u00edssimas dificuldades financeiras e sem nenhum apoio dos governos, embora n\u00e3o faltem falsas promessas de ajuda de pol\u00edticos oportunistas, a entidade tem sido respons\u00e1vel pela recupera\u00e7\u00e3o de in\u00fameros dependentes qu\u00edmicos. Os governos n\u00e3o se d\u00e3o conta de que o trabalho dessas institui\u00e7\u00f5es repercute diretamente na qualidade da seguran\u00e7a p\u00fablica e no custo da sa\u00fade. Elas rompem o c\u00edrculo vicioso das drogas e criam o c\u00edrculo virtuoso da recupera\u00e7\u00e3o e da ressocializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conversei com internos do Horto de Deus. Ao contr\u00e1rio, por exemplo, dos que defendem a descriminaliza\u00e7\u00e3o das drogas e proclamam o car\u00e1ter supostamente inofensivo da maconha, todos afirmaram que o primeiro baseado foi o passaporte para as drogas mais pesadas. T. K. M., de 22 anos, fumou seu primeiro cigarro de maconha com 12 anos. Com 16 anos j\u00e1 tinha mergulhado na coca\u00edna. Chegou \u00e0 comunidade terap\u00eautica dominado pela depend\u00eancia do crack. Recupera-se bem, resgatou valores e recuperou a esperan\u00e7a. &#8220;Agora eu sonho com o futuro. Antes vivia s\u00f3 para as drogas.&#8221; Seus olhos t\u00eam brilho. Um belo exemplo do que pode fazer um bom trabalho de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As comunidades terap\u00eauticas, bem como as demais institui\u00e7\u00f5es id\u00f4neas que trabalham na recupera\u00e7\u00e3o de adictos, poderiam, por exemplo, receber recursos provenientes do Fundo Nacional Antidrogas e do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Seria uma provid\u00eancia inteligente. \u00c9 sempre melhor apoiar o que j\u00e1 funciona, e bem, do que cair na tenta\u00e7\u00e3o de criar novas estruturas.<\/p>\n<p>O governo da presidente Dilma Rousseff precisa olhar o trabalho das comunidades terap\u00eauticas com seriedade. Elas s\u00e3o, de fato, as grandes parceiras no cerco ao submundo das drogas. Imp\u00f5e-se um decidido apoio \u00e0s entidades id\u00f4neas que batalham pela recupera\u00e7\u00e3o dos dependentes. Afinal, um adicto recuperado \u00e9 o melhor aliado na luta contra as drogas.<\/p>\n<p>Fonte: Estado de S. Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos 2,8 milh\u00f5es de pessoas no Brasil usaram coca\u00edna de forma inalada ou fumada &#8211; via consumo de crack<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":9655,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16718"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16718"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16718\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16718"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16718"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16718"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}