{"id":16760,"date":"2012-09-18T14:27:06","date_gmt":"2012-09-18T17:27:06","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=16760"},"modified":"2012-09-18T14:27:06","modified_gmt":"2012-09-18T17:27:06","slug":"sindicatos-tem-de-se-envolver-politicamente-diz-dirigente-estadunidense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/sindicatos-tem-de-se-envolver-politicamente-diz-dirigente-estadunidense\/","title":{"rendered":"&#8216;Sindicatos t\u00eam de se envolver politicamente&#8217;, diz dirigente estadunidense"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/imagesCA0BNAH2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-16761\" title=\"imagesCA0BNAH2\" src=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/imagesCA0BNAH2.jpg\" alt=\"\" width=\"249\" height=\"166\" \/><\/a>Filho de metal\u00fargico e funcion\u00e1rio da Ford nos anos 70, formou-se em Direito na Universidade de Detroit, Michigan, estado onde nasceu em 1946, ber\u00e7o da ind\u00fastria automotiva dos EUA. Casado, pai de cinco filhos, foi eleito para presidir o UAW de 2010 a 2014.<\/p>\n<p>Visto como o mais poderoso sindicato de metal\u00fargicos, o UAW (sigla para United Auto Workers), que representa 390 mil trabalhadores e 600 mil aposentados do setor automobil\u00edstico estadunidense, abre este m\u00eas uma filial no Brasil. Segue, assim, a mesma estrat\u00e9gia das montadoras que, diante da queda da clientela nos pa\u00edses-sede est\u00e3o migrando para pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Com a decad\u00eancia do movimento sindical [l\u00e1 nos Estados Unidos, segundo a rep\u00f3rter], o UAW tem como bandeira hoje criar o que seu presidente, Bob King, chama de movimento global de solidariedade entre os trabalhadores.<\/p>\n<p>Em visita ao Brasil nesta semana, o sindicalista fez cr\u00edticas \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de montadoras que tentam impedir a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e defendeu a rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima entre centrais sindicais e governo.<\/p>\n<p>&#8220;O \u00fanico grupo organizado que de fato representa os interesses dos trabalhadores s\u00e3o os sindicatos e eles devem se envolver com o governo e, quando isso ocorre, h\u00e1 mais resultados positivos nas quest\u00f5es sociais.&#8221;<\/p>\n<p>Ex-funcion\u00e1rio da Ford, formado em Direito, foi eleito em 2010 para gest\u00e3o at\u00e9 2014. Aos 65 anos, pretende revitalizar o movimento sindical nos EUA e no mundo todo. No Brasil, participou de encontro da CUT, reuniu-se com pol\u00edticos em Bras\u00edlia e visitou o ex-presidente Lula, que considera um &#8220;\u00eddolo&#8221;. (Com O Estado de S. Paulo)<\/p>\n<p>A seguir, trechos da entrevista, que vale a pena ler, pois \u00e9 muito esclarecedora.<\/p>\n<p>Por que o UAW vai ter um escrit\u00f3rio no Brasil?<\/p>\n<p>Faz parte da ofensiva de criar um movimento global de solidariedade entre os trabalhadores. Viemos para o Brasil pela mesma raz\u00e3o que as empresas transnacionais est\u00e3o em todos os lugares, mesmo onde n\u00e3o t\u00eam produ\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, trabalhadores, precisamos ter essa presen\u00e7a tamb\u00e9m. J\u00e1 temos escrit\u00f3rios na Fran\u00e7a, \u00cdndia e M\u00e9xico. Abrimos no Brasil e, futuramente, na \u00c1frica do Sul e Alemanha.<\/p>\n<p>Como ser\u00e1 a estrutura aqui?<\/p>\n<p>Buscamos um local em S\u00e3o Paulo, mas j\u00e1 designamos uma representante que tem como tarefa construir a proximidade de atua\u00e7\u00e3o entre entidades sindicais. Logo teremos mais gente.<\/p>\n<p>Qual sua opini\u00e3o sobre o movimento sindical brasileiro?<\/p>\n<p>Tenho inveja. O Brasil \u00e9 uma esperan\u00e7a para as pessoas ao redor do mundo, pois tem assistido a muitas mudan\u00e7as. H\u00e1 muito mais pessoas saindo da pobreza. O Pa\u00eds est\u00e1 fazendo progresso. Os EUA est\u00e3o no caminho inverso. A desigualdade est\u00e1 crescendo. O Brasil est\u00e1 fazendo todas as coisas certas e os EUA todas as coisas erradas.<\/p>\n<p>O sr. acha saud\u00e1vel a rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima da CUT com o governo?<\/p>\n<p>Eu vejo como muito boa. A CUT e os sindicatos s\u00e3o porta-vozes dos trabalhadores, sindicalizados ou n\u00e3o. O \u00fanico grupo organizado que de fato representa os interesses dos trabalhadores s\u00e3o os sindicatos e eles devem se envolver com o governo. Quando isso ocorre, h\u00e1 mais resultados positivos nas quest\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Mas como fica a credibilidade em situa\u00e7\u00f5es, por exemplo, como a que vivemos agora, em que membros do PT, apoiado pela CUT, ser\u00e3o julgados por corrup\u00e7\u00e3o, no processo do Mensal\u00e3o?<\/p>\n<p>Eu acho que os sindicatos t\u00eam de se envolver politicamente. Apoio essa a\u00e7\u00e3o em qualquer lugar do mundo, de estar envolvido com todos os partidos pol\u00edticos e candidatos que apoiam a justi\u00e7a e as demandas dos trabalhadores. Eu n\u00e3o sei o envolvimento espec\u00edfico da CUT nesse contexto, mas os sindicatos, em qualquer lugar, devem ter regras rigorosas sobre corrup\u00e7\u00e3o, integridade, assim como os governos devem ter tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O UAW est\u00e1 preocupado com a atua\u00e7\u00e3o da japonesa Nissan, que vai inaugurar f\u00e1brica no Rio de Janeiro. Por qual motivo?<\/p>\n<p>Nos EUA, temos grande campanha em andamento para as companhias transnacionais: Toyota, Honda, Nissan, Volkswagen, Mercedes, BMW, Hyundai, Kia. Algumas empresas t\u00eam sido muito agressivas no que diz respeito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, dos seus direitos reconhecidos internacionalmente. Trabalhamos globalmente para evitar esse tipo de repress\u00e3o. Na f\u00e1brica da Nissan, no Mississipi, os trabalhadores n\u00e3o t\u00eam representa\u00e7\u00e3o sindical nem acordo de negocia\u00e7\u00e3o coletiva, e grande parte \u00e9 contratada como tempor\u00e1ria, por ag\u00eancias.<\/p>\n<p>A Nissan j\u00e1 atua no Brasil junto com a Renault, no Paran\u00e1. O sr.dentificou algum problema?<br \/>\nMinha vis\u00e3o \u00e9 que a Nissan, globalmente, \u00e9 uma boa corpora\u00e7\u00e3o. Ela trabalha com os sindicatos em quase todos os pa\u00edses do mundo, mas n\u00e3o age assim nos EUA. Queremos alertar a todos os sindicatos sobre essa situa\u00e7\u00e3o, para evitar que se repita.<\/p>\n<p>Como v\u00ea a rela\u00e7\u00e3o de outras montadoras, como GM e Ford, com os funcion\u00e1rios no Brasil?<\/p>\n<p>Trabalhei na Ford, que tem uma rede global, por isso tive mais contato com os trabalhadores da empresa, principalmente em S\u00e3o Bernardo, e a rela\u00e7\u00e3o com a empresa, pelo que sei, \u00e9 muito positiva. Os dois lados entendem a necessidade de sucesso e trabalham juntos.<\/p>\n<p>O UAW tem um slogan que pede &#8220;compre carros americanos&#8221;. \u00c9 poss\u00edvel manter essa campanha e ao mesmo tempo lutar por causas internacionais?<\/p>\n<p>Sim. Queremos construir sindicatos fortes em todos os pa\u00edses porque, dessa forma, os trabalhadores conseguem melhores sal\u00e1rios, compram mais mercadorias e geram tributos que s\u00e3o revertidos em mais educa\u00e7\u00e3o, em infraestrutura. Acreditamos que, agindo em conjunto, todos os trabalhadores ser\u00e3o beneficiados e n\u00e3o v\u00e3o precisar lutar uns contra os outros.<\/p>\n<p>A China paga baixos sal\u00e1rios para os trabalhadores para vender produtos baratos&#8230;<\/p>\n<p>Discordo. Essa \u00e9 a nossa percep\u00e7\u00e3o da China, mas acabo de voltar de l\u00e1, onde estive com federa\u00e7\u00f5es e sindicatos. Hoje, eles t\u00eam um claro objetivo de tirar as pessoas da pobreza, de formar uma classe m\u00e9dia forte. H\u00e1 um n\u00famero maior de crian\u00e7as com acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 ainda o ideal, mas h\u00e1 progressos. Nos EUA, estamos fazendo o oposto. Est\u00e3o cortando verbas para educa\u00e7\u00e3o. Quando eu me formei, vinha de uma classe trabalhadora e pude estudar numa boa universidade. Foi uma luta, mas foi poss\u00edvel. Hoje, as crian\u00e7as da classe m\u00e9dia, da classe trabalhadora, n\u00e3o podem ir para a universidade sem que as fam\u00edlias fa\u00e7am uma d\u00edvida de 50, 80, 100 mil d\u00f3lares. Todo ano cai o porcentual de estudantes que s\u00e3o da classe trabalhadora. Nossa sociedade est\u00e1 indo para o caminho errado. Espero que possamos reconstruir o movimento sindical nos EUA para voltarmos ao caminho de uma sociedade melhor.<\/p>\n<p>Os sindicatos tamb\u00e9m foram respons\u00e1veis pela recente crise das montadoras?<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m diz que a culpa \u00e9 dos sindicatos e n\u00e3o responsabiliza as empresas n\u00e3o \u00e9 correto. E vice-versa. Talvez tenhamos focado nos temas internos, sem ter dado aten\u00e7\u00e3o ao aprofundamento da competi\u00e7\u00e3o. Fui eleito justamente por ter discordado do nosso passado de falta de organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. O sindicato entende que houve um per\u00edodo em que nos tornamos complacentes com nossos contratos e perdemos o foco. Agora estamos muito pr\u00f3-ativos em nossa participa\u00e7\u00e3o global, em construir alian\u00e7as para o desenvolvimento dos EUA.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diap.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=20927:sindicatos-tem-de-se-envolver-politicamente-diz-dirigente-estadunidense&amp;catid=45:agencia-diap&amp;Itemid=204\">DIAP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filho de metal\u00fargico e funcion\u00e1rio da Ford nos anos 70, formou-se em Direito na Universidade de Detroit, Michigan, estado onde<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":16761,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16760"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16760"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16760\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}