{"id":16912,"date":"2012-09-24T16:02:04","date_gmt":"2012-09-24T19:02:04","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=16912"},"modified":"2012-09-24T16:02:04","modified_gmt":"2012-09-24T19:02:04","slug":"endividado-brasileiro-nao-paga-condominio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/endividado-brasileiro-nao-paga-condominio\/","title":{"rendered":"Endividado, brasileiro n\u00e3o paga condom\u00ednio"},"content":{"rendered":"<p><em>Inadimpl\u00eancia m\u00e9dia chega a 20%, tr\u00eas vezes mais que os 7% considerados aceit\u00e1veis. Endividadas, fam\u00edlias escolhem, no fim do m\u00eas, as contas que ser\u00e3o pagas em dia<\/em><\/p>\n<p>Com 43% da renda comprometida com d\u00edvidas, muitas fam\u00edlias est\u00e3o sendo obrigadas a escolher as contas que ser\u00e3o pagas no fim do m\u00eas. E, para desespero de muitos s\u00edndicos, a fatura est\u00e1 sobrando para os condom\u00ednios. Como a multa por atraso \u00e9 de apenas 2% mais juro de 1% mensal e as administradoras relutam em encaminhar os nomes dos inadimplentes para o Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito (SPC), a op\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo quitar o cart\u00e3o de cr\u00e9dito e reduzir os d\u00e9bitos no cheque especial, cujas taxas de juros giram em torno de 10% ao m\u00eas. N\u00e3o \u00e0 toa, o calote nos condom\u00ednios disparou, girando em torno de 20% no Distrito Federal e na maior parte do pa\u00eds, \u00edndice tr\u00eas vezes maior do que os 7% considerados aceit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos sindicatos da habita\u00e7\u00e3o de condom\u00ednio estaduais (Secovi) e da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Administradoras de Im\u00f3veis (Abadi), ainda que o atraso n\u00e3o tenha alcan\u00e7ado um n\u00edvel alarmante, os n\u00fameros atuais mostram que os riscos de descontrole s\u00e3o grandes, pois a inadimpl\u00eancia est\u00e1 avan\u00e7ando mesmo com o forte aumento da renda dos trabalhadores \u2014 pelos c\u00e1lculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o ganho real (acima da infla\u00e7\u00e3o) foi de 8,3% nos \u00faltimos dois anos. A ideia dos s\u00edndicos \u00e9 fazer uma ampla campanha de recupera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito para estancar a sangria no caixa dos condom\u00ednios.<\/p>\n<p><strong>Bola de neve<\/strong><br \/>\nO s\u00edndico Alo\u00edsio Ara\u00fajo Silva tem a exata no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 administrar um condom\u00ednio em dificuldades, onde os moradores simplesmente deixam de honrar seus compromissos. Em 2004, quando assumiu o comando das contas de dois pr\u00e9dios com 672 apartamentos do Residencial Europa, no Gama, mais da metade \u2014 exatos 53% \u2014 das resid\u00eancias n\u00e3o pagava o condom\u00ednio de R$ 100. &#8220;A situa\u00e7\u00e3o estava ca\u00f3tica. As pessoas tinham esquecido que a taxa do condom\u00ednio \u00e9 a divis\u00e3o dos gastos dos pr\u00e9dios. Eu tinha menos da metade do dinheiro necess\u00e1rio em m\u00e3os para manter os edif\u00edcios em ordem&#8221;, relembra.<\/p>\n<p>Para piorar, as d\u00edvidas do Residencial Europa, segundo Alo\u00edsio, eram astron\u00f4micas: R$ 174 mil em contas de \u00e1gua, R$ 37 mil em energia el\u00e9trica, funcion\u00e1rios com at\u00e9 tr\u00eas meses de sal\u00e1rio atrasados, R$ 315 mil com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e R$ 80 mil com o Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o (FGTS). &#8220;Nenhum s\u00edndico durava no cargo. Al\u00e9m de n\u00e3o pagarem o condom\u00ednio, muitos moradores n\u00e3o honravam o financiamento imobili\u00e1rio. Por n\u00e3o ter dinheiro para investir, aqui era conhecido como favel\u00e3o&#8221;, conta, a contragosto.<\/p>\n<p>Ciente de que tinha de reverter os problemas o mais rapidamente poss\u00edvel, Alo\u00edsio ajudou na renegocia\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas dos financiamentos imobili\u00e1rios com a Caixa Econ\u00f4mica Federal e recorreu \u00e0 Justi\u00e7a para receber todas as taxas atrasadas. Deu resultado. Hoje, a inadimpl\u00eancia no Residencial Europa caiu para 20%, o piso dos dois pr\u00e9dios foi trocado; os elevadores, modernizados; a pintura, refeita; e o sistema de \u00e1gua, individualizado. &#8220;O \u00edndice de atraso, no entanto, ainda \u00e9 alto. Muitas vezes, temos que cobrar taxas extras para fazer melhorias, o que provoca muita discuss\u00e3o entre os que pagam o condom\u00ednio em dia. Eles s\u00e3o obrigados a arcar com os custos de quem n\u00e3o paga&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p>No Residencial Rhodes, tamb\u00e9m no Gama, o s\u00edndico Jo\u00e3o Jos\u00e9 Neto chega a comemorar a taxa de inadimpl\u00eancia de apenas 3%. O problema \u00e9 o valor das d\u00edvidas acumuladas: R$ 50 mil. Com o atraso, ele ressalta que os projetos de melhoria do pr\u00e9dio est\u00e3o parados. A reforma do piso do estacionamento, prevista h\u00e1 dois anos n\u00e3o tem prazo para acontecer. &#8220;S\u00f3 conseguiremos fazer as melhorias quando recuperarmos os d\u00e9bitos em atraso&#8221;, diz. Motivo: o arrecadado atual s\u00f3 \u00e9 suficiente para cobrir os gastos fixos, como \u00e1gua e energia, que variam de R$ 16 mil a R$ 17 mil. &#8220;Tento ao m\u00e1ximo evitar maiores problemas aos moradores. Mas todos precisam colaborar&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Justi\u00e7a<\/strong><br \/>\nPara o advogado do Sindicato dos Condom\u00ednios Residenciais e Comerciais do Distrito Federal (Sindicondom\u00ednio-DF), D\u00e9lzio Oliveira, o aumento do calote nos cond\u00f4minos foi estimulado depois da publica\u00e7\u00e3o, em 2002, do novo C\u00f3digo Civil, que reduziu de 20% para 2% a multa sobre o atraso. Al\u00e9m desse encargo, o inadimplente paga juros mensais de 1% e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria. &#8220;Se atrasar o condom\u00ednio, a pessoa arcar\u00e1 com encargos entre 15% e 16% ao ano. No cart\u00e3o de cr\u00e9dito, por exemplo, a taxa sobe para 238% ao ano, em m\u00e9dia. Por isso, o brasileiro prefere ficar devendo para o condom\u00ednio&#8221;, explica.<\/p>\n<p>A presidente da Abadi, Deborah Mendon\u00e7a, aconselha aos s\u00edndicos que, em casos graves de inadimpl\u00eancia, recorram \u00e0 Justi\u00e7a. &#8220;A associa\u00e7\u00e3o estimula a cobran\u00e7a das d\u00edvidas formalmente, pois um condom\u00ednio com alto \u00edndice de inadimpl\u00eancia \u00e9 um condom\u00ednio falido&#8221;, define. Ela explica que, geralmente, os s\u00edndicos procuram os tribunais somente depois de tr\u00eas meses de calote na d\u00edvida. &#8220;Primeiro h\u00e1 o di\u00e1logo e o envio de cartas de cobran\u00e7a. Depois, a a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a&#8221;, completa.<\/p>\n<p>O advogado Ricardo Trotta vai al\u00e9m e lembra que, desde 2008, os s\u00edndicos ganharam o direito de protestar a d\u00edvida, o que permite negativar o devedor no SPC com mais agilidade. Para ele, no entanto, falta iniciativa, por parte dos administradores, na hora de recorrer \u00e0 Justi\u00e7a. &#8220;Por mais que o n\u00famero de a\u00e7\u00f5es tenha crescido, ainda n\u00e3o \u00e9 comum que os s\u00edndicos recorram aos tribunais. Eles querem evitar o desgaste dentro do condom\u00ednio. Afinal, voc\u00ea cruza com os devedores todos os dia no elevador&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Diante da postura mais flex\u00edvel dos s\u00edndicos, o advogado e especialista financeiro Luiz Felizardo Barroso aconselha aos devedores que renegociem os d\u00e9bitos com o condom\u00ednio, pedindo at\u00e9 desconto das multas se for comprovada a real incapacidade de pagamento. N\u00e3o se pode esquecer que ningu\u00e9m est\u00e1 livre do desemprego ou de doen\u00e7as graves na fam\u00edlias, que exigem gastos elevados e inesperados. Segundo ele, os acordos administrativos s\u00e3o mais comuns do que parecem e podem ser fechados em, no m\u00e1ximo, um m\u00eas, diferentemente das a\u00e7\u00f5es judiciais que podem levar mais de dois anos para serem conclu\u00eddas. &#8220;\u00c9 relevante que o morador tenha consci\u00eancia de que a cobran\u00e7a \u00e9 necess\u00e1ria&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Barroso alerta, no entanto, aos que pagam condom\u00ednio que fiquem atentos \u00e0s cobran\u00e7as indevidas. &#8220;\u00c9 importante conferir, por exemplo, se as taxas extras s\u00e3o legais. Se n\u00e3o, podem caracterizar improbidade administrativa por parte dos s\u00edndicos. &#8220;Nesses casos, os moradores podem e devem relatar o caso por meio de uma a\u00e7\u00e3o judicial&#8221;, aconselha.<\/p>\n<p><strong>No vermelho<\/strong><\/p>\n<p>Veja o percentual m\u00e9dio de inadimpl\u00eancia nas principais capitais do pa\u00eds:<\/p>\n<p><strong>Cidades &#8211; \u00cdndice de atraso<\/strong><\/p>\n<p><em>Rio de Janeiro &#8211; 11% a 15%<\/em><br \/>\n<em>Bras\u00edlia &#8211; 10% a 20%<\/em><br \/>\n<em>S\u00e3o Paulo &#8211; 14% a 20%<\/em><br \/>\n<em>Fortaleza &#8211; 15% a 20%<\/em><br \/>\n<em>Curitiba &#8211; 15% a 20%<\/em><br \/>\n<em>Fontes: Condom\u00ednios, sindicatos estaduais da habita\u00e7\u00e3o (Secovi) e Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Administradoras de Im\u00f3veis (Abadi)<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Correio Braziliense<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inadimpl\u00eancia m\u00e9dia chega a 20%, tr\u00eas vezes mais que os 7% considerados aceit\u00e1veis. 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