{"id":17071,"date":"2012-10-02T13:13:02","date_gmt":"2012-10-02T16:13:02","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=17071"},"modified":"2012-10-02T13:13:02","modified_gmt":"2012-10-02T16:13:02","slug":"novo-diretor-da-oit-toma-posse-com-responsabilidade-de-evitar-retrocessos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/novo-diretor-da-oit-toma-posse-com-responsabilidade-de-evitar-retrocessos\/","title":{"rendered":"Novo diretor da OIT toma posse com responsabilidade de evitar retrocessos"},"content":{"rendered":"<p>O ingl\u00eas Guy Ryder toma posse hoje (1\u00ba) na dire\u00e7\u00e3o geral da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra. Ser\u00e1 o primeiro representante vindo do movimento sindical a ocupar o cargo m\u00e1ximo da entidade, criada em 1919, como parte do Tratado de Versalhes, ao fim da Primeira Guerra Mundial. Para representantes dos sindicalistas, a vit\u00f3ria de Ryder representa o fortalecimento da luta contra a retirada de direitos \u2013 uma outra modalidade de guerra, econ\u00f4mica, travada particularmente desde o final dos anos 1970, com a ascens\u00e3o de governos liberais contr\u00e1rios \u00e0 pol\u00edtica do Estado do bem-estar social. A crise atual deu g\u00e1s \u00e0 ofensiva conservadora, e a elei\u00e7\u00e3o da OIT, nesse sentido, tem componente simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>Ryder foi eleito em maio com apoio un\u00e2nime da representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores no Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da OIT, \u00f3rg\u00e3o executivo da OIT. O empres\u00e1rio franc\u00eas Giles de Robien teve apoio integral da bancada empresarial. Com 14 votos para cada lado, o desempate coube \u00e0 representa\u00e7\u00e3o dos governos \u2013 foram 16 a favor de Ryder e 12 para Robien, resultando no placar final de 30 a 26. Entre os latino-americanos, Brasil, Argentina, Col\u00f4mbia e El Salvador votaram no ingl\u00eas, que tamb\u00e9m teve o apoio de Estados Unidos, China e R\u00fassia. Dos 28 postos governamentais, a OIT lembra que dez s\u00e3o reservados aos membros \u201cde maior import\u00e2ncia industrial\u201d (Alemanha, Brasil, China, Estados Unidos, Fran\u00e7a, \u00cdndia, It\u00e1lia, Jap\u00e3o, Reino Unido e R\u00fassia).<\/p>\n<p>Para o secret\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da CUT, Jo\u00e3o Fel\u00edcio, a elei\u00e7\u00e3o representou uma vit\u00f3ria dos setores progressistas, em um cen\u00e1rio de ataque a direitos trabalhistas e sindicais. \u201cSabemos que a OIT sofre ataque de governos conservadores, que querem esvazi\u00e1-la, deix\u00e1-la sem for\u00e7a pol\u00edtica. E tem tamb\u00e9m uma bancada patronal conservadora\u201d, afirma, citando a dificuldade existentes para que os governos acatem as normas elaboradas pela organiza\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00e3o dezenas de conven\u00e7\u00f5es que procuram humanizar o mundo do trabalho\u201d, diz Fel\u00edcio.<\/p>\n<p>O sindicalista considera crucial fortalecer a OIT, especialmente em um per\u00edodo de crise. \u201cVamos entrar em uma fase de muito conflito, muita disputa. O que est\u00e1 acontecendo na Europa \u00e9 uma crise t\u00e3o forte que est\u00e3o tirando direito n\u00e3o s\u00f3 da categoria profissional, mas da organiza\u00e7\u00e3o sindical. Depois de toda aquela fase positiva dos anos 1950, 1960, at\u00e9 1970, de fortalecimento de direitos, estamos vivendo uma fase profundamente adversa. A OIT vai ter de cumprir um papel importante nesse processo, e vamos ter de fazer alian\u00e7as com os governos progressistas\u201d, afirma Fel\u00edcio. Ele observa que os 14 votos dos trabalhadores no Conselho de Administra\u00e7\u00e3o s\u00e3o insuficientes para as delibera\u00e7\u00f5es internas do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA crise que est\u00e1 assolando o mundo ser\u00e1 usada para tentar fazer reformas aqui tamb\u00e9m\u201d, acredita o dirigente, classificando de \u201cbalela\u201d o discurso de que \u00e9 preciso mudar a legisla\u00e7\u00e3o para que o pa\u00eds se torne mais competitivo. \u201cO problema do Brasil ainda \u00e9 um sal\u00e1rio m\u00e9dio baixo. E temos de ampliar o debate: precisamos discutir modelo econ\u00f4mico, di\u00e1logo social.\u201d Fel\u00edcio lembra da 1\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Emprego e Trabalho Decente, realizada em agosto, como exemplo dos problemas enfrentados aqui \u2013 a representa\u00e7\u00e3o patronal n\u00e3o participou da plen\u00e1ria final do encontro. \u201cPercebeu-se claramente l\u00e1 as dificuldades que os empres\u00e1rios colocam para impedir qualquer avan\u00e7o, inclusive no que se refere \u00e0 representa\u00e7\u00e3o sindical.\u201d<\/p>\n<p>Nascido em Liverpool em 1956, Guy Ryder come\u00e7ou a atuar no movimento sindical como assistente no Departamento Internacional do Trades Union Congress (TUC), central inglesa. Foi dirigente da antiga Confedera\u00e7\u00e3o Internacional de Organiza\u00e7\u00f5es Sindicais Livres (Ciosl) e chegou \u00e0 OIT em 1999 \u2013 em 2010, foi nomeado diretor-executivo do Departamento de Normas e Princ\u00edpios Fundamentais no Trabalho. O primeiro sindicalista na dire\u00e7\u00e3o da OIT vai substituir o primeiro latino-americano no posto, o chileno Juan Somavia, que em 2003 assinou com o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva um memorando de entendimento para promover uma agenda de trabalho decente no Brasil. O pa\u00eds foi o primeiro a promover uma confer\u00eancia espec\u00edfica sobre o tema.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/temas\/trabalho\/2012\/10\/novo-diretor-da-oit-toma-posse-com-responsabilidade-de-evitar-retrocessos\" target=\"_blank\">Rede Brasil Atual<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ingl\u00eas Guy Ryder toma posse hoje (1\u00ba) na dire\u00e7\u00e3o geral da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra. 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