{"id":17350,"date":"2012-10-10T14:58:17","date_gmt":"2012-10-10T17:58:17","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=17350"},"modified":"2012-10-10T14:58:17","modified_gmt":"2012-10-10T17:58:17","slug":"fmi-alerta-para-riscos-da-forte-expansao-do-credito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/fmi-alerta-para-riscos-da-forte-expansao-do-credito\/","title":{"rendered":"FMI alerta para riscos da forte expans\u00e3o do cr\u00e9dito"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses emergentes com risco de cr\u00e9dito mais sens\u00edveis \u00e0s turbul\u00eancias na It\u00e1lia, Portugal, Irlanda e Espanha, aponta o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) em seu Relat\u00f3rio de Estabilidade Financeira Global, divulgado em T\u00f3quio. S\u00f3 as economias do Leste Europeu est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o menos confort\u00e1vel.<\/p>\n<p>O FMI, que realiza seu encontro anual em T\u00f3quio nesta semana, calculou o quanto o pr\u00eamio de risco de um conjunto de 24 economias emergentes \u00e9 sens\u00edvel \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o do pr\u00eamio de risco desses quatro pa\u00edses da periferia da zona do euro. O Brasil aparece como o quarto mais vulner\u00e1vel, atr\u00e1s apenas de Bulg\u00e1ria, Pol\u00f4nia e Hungria.<\/p>\n<p>Uma alta de um ponto percentual no spread de risco de cr\u00e9dito dos pa\u00edses da periferia europeia &#8211; medido pelos &#8220;credit default swaps&#8221; (CDS), contratos de derivativos que agem como seguro contra a inadimpl\u00eancia &#8211; leva a uma alta de cerca de 0,45 ponto percentual no spread de risco do Brasil. No caso de Bulg\u00e1ria, Pol\u00f4nia e Hungria, a alta fica em um pouco mais de 0,5 ponto percentual.<\/p>\n<p>Outros dois pa\u00edses latino-americanos, Col\u00f4mbia e M\u00e9xico, n\u00e3o est\u00e3o muito melhores do que o Brasil. Seus spreads de riscos de cr\u00e9dito sofrem uma eleva\u00e7\u00e3o de cerca de 0,4 ponto percentual quando o CDS dos pa\u00edses da periferia da Europa s\u00e3o pressionados. A \u00c1sia, em geral, se mostra menos sens\u00edvel, segundo o documento do FMI. Hong Kong, por exemplo, sofreria um impacto de cerca de apenas 0,05 ponto.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do FMI mostra, por\u00e9m, que o Brasil est\u00e1 relativamente menos vulner\u00e1vel a uma fuga de capitais estrangeiros de sua d\u00edvida soberana, comparado com outros pa\u00edses emergentes. O principal risco que ronda o Brasil \u00e9 a sua r\u00e1pida expans\u00e3o de cr\u00e9dito, que pode se tornar o epicentro de uma crise no caso de uma desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mais forte que leve ao aumento da inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>Num dos exerc\u00edcios apresentados no relat\u00f3rio, o FMI investiga o que ocorreria se todo o capital investido por estrangeiros desde a quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, nos mercados locais de d\u00edvida em nove economias emergentes batesse em retirada de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, isso representaria uma fuga de US$ 62 bilh\u00f5es. Uma das conclus\u00f5es \u00e9 que esse movimento dificilmente provocaria uma crise cambial, j\u00e1 que o volume de recursos em quest\u00e3o representa aproximadamente 17% das reservas internacionais brasileiras. No caso do M\u00e9xico e da \u00c1frica do Sul, o volume representa cerca de metade das reservas.<\/p>\n<p>Os exerc\u00edcios do FMI mostram que investidores dom\u00e9sticos brasileiros, como fundos de pens\u00e3o, fundos de investimentos e bancos, teriam boa capacidade para ocupar o espa\u00e7o dos estrangeiros no financiamento da d\u00edvida p\u00fablica. No caso de M\u00e9xico, Pol\u00f4nia e Indon\u00e9sia, os bancos teriam que aumentar sensivelmente suas carteiras de t\u00edtulos p\u00fablicos, possivelmente reduzindo a oferta de cr\u00e9dito ao setor privado.<\/p>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio, o FMI volta a expressar preocupa\u00e7\u00e3o com o r\u00e1pido avan\u00e7o de cr\u00e9dito banc\u00e1rio e com a eleva\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o dos im\u00f3veis no Brasil e outras economias emergentes. &#8220;O cr\u00e9dito banc\u00e1rio se expandiu a uma m\u00e9dia anual de 15% nos \u00faltimos anos na \u00c1sia e na Am\u00e9rica Latina, com crescimento particularmente r\u00e1pido em Brasil, China, Hong Kong, Cingapura e Vietn\u00e3&#8221;, afirma o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;Nos quatro anos seguintes a 2007, os pre\u00e7os de im\u00f3veis subiram perto de 100% acima da infla\u00e7\u00e3o nas maiores cidades do Brasil&#8221;, diz o relat\u00f3rio de estabilidade financeira. O Fundo tamb\u00e9m volta a chamar aten\u00e7\u00e3o para o recente aumento da inadimpl\u00eancia banc\u00e1ria no Brasil. E assinala que as empresas est\u00e3o mais alavancadas, com d\u00edvidas que superam 100% do seu capital em a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Epis\u00f3dios passados de crises indicam claramente que alta alavancagem e queda de lucratividade aumentam a probabilidade de inadimpl\u00eancia de empresas numa desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica&#8221;, afirma trecho do relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O FMI pondera que, para lidar com sinais de superaquecimento de sua economia, o Brasil subiu seus juros b\u00e1sicos e implementou medidas prudenciais mais r\u00edgidas. Embora ainda existam riscos e parte desse aperto regulat\u00f3rio tenha sido revertido recentemente, diz o Fundo, a estrat\u00e9gia est\u00e1 se mostrando eficaz. Mesmo assim, o organismo recomenda vigil\u00e2ncia redobrada dos supervisores banc\u00e1rios e medidas antic\u00edclicas para preservar a resist\u00eancia do sistema financeiro.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses emergentes com risco de cr\u00e9dito mais sens\u00edveis \u00e0s turbul\u00eancias na It\u00e1lia, Portugal, Irlanda e<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":17351,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17350"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17350"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17350\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17350"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17350"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17350"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}