{"id":17411,"date":"2012-10-11T16:47:37","date_gmt":"2012-10-11T19:47:37","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=17411"},"modified":"2012-10-11T16:47:37","modified_gmt":"2012-10-11T19:47:37","slug":"milicias-mudam-de-estrategia-para-nao-chamar-atencao-mostra-estudo-da-uerj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/milicias-mudam-de-estrategia-para-nao-chamar-atencao-mostra-estudo-da-uerj\/","title":{"rendered":"Mil\u00edcias mudam de estrat\u00e9gia para n\u00e3o chamar aten\u00e7\u00e3o, mostra estudo da Uerj"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_17412\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/milicia2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-17412\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-17412\" title=\"milicia2\" src=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/milicia2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17412\" class=\"wp-caption-text\">Mil\u00edcias est\u00e3o utilizando novas formas de agir | Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Os grupos de milicianos est\u00e3o reinventando o modo de agir para n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o do Estado e poder continuar a operar neg\u00f3cios criminosos altamente lucrativos. A conclus\u00e3o \u00e9 parte do estudo No Sapatinho \u2013 Evolu\u00e7\u00e3o das Mil\u00edcias no Rio de Janeiro (2008-2011), lan\u00e7ado ontem (10) \u00e0 noite na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).<\/p>\n<p>A pesquisa coordenada por Ignacio Cano e Thais Duarte, do Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise da Viol\u00eancia (LAV-Uerj), teve o patroc\u00ednio da Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll, da Alemanha. O resultado foi transformado em um livro de 150 p\u00e1ginas, com textos sobre a origem das mil\u00edcias no Rio, depoimentos, gr\u00e1ficos, tabelas e mapas que traduzem a atua\u00e7\u00e3o desses grupos armados no estado, principalmente na regi\u00e3o metropolitana.<\/p>\n<p>Cano explicou que as mil\u00edcias foram enfraquecidas pela a\u00e7\u00e3o do Estado e por problemas internos de disputas, mas continuam operando nos mesmos territ\u00f3rios que tinham h\u00e1 quatro anos, s\u00f3 que de forma menos ostensiva. \u201cO esfor\u00e7o do Estado foi muito importante para cortar o avan\u00e7o desses grupos e sua expans\u00e3o, mas n\u00e3o conseguiu erradicar o problema. A nova mil\u00edcia \u00e9 muito mais discreta que a antiga. N\u00e3o tem mais 50 homens armados andando por a\u00ed, n\u00e3o marcam mais as casas, mas \u00e9 igualmente violenta e intimidadora. \u00c9 um fen\u00f4meno mais sutil, eles n\u00e3o se candidatam na propor\u00e7\u00e3o que faziam antes aos cargos p\u00fablicos, mas o terror e a extors\u00e3o continuam da mesma forma\u201d, apontou o pesquisador.<\/p>\n<p>Ele destacou que as evid\u00eancias mostram que os grupos milicianos t\u00eam menos for\u00e7a do que antes, controlam menos atividades econ\u00f4micas, mas continuam matando com frequ\u00eancia. S\u00f3 que de forma dissimulada, para n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o. Se anteriormente fazia quest\u00e3o de matar desafetos \u00e0 luz do dia, como exemplo, agora a tend\u00eancia \u00e9 assassinar as v\u00edtimas e fazer desaparecer seus corpos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores constataram, observando as estat\u00edsticas oficiais, que h\u00e1 um aumento no n\u00famero de desaparecidos, ao mesmo tempo em que se observa um decl\u00ednio no de mortes violentas, em \u00e1reas de mil\u00edcia.<br \/>\n\u201cH\u00e1 muitos assassinatos, torturas e o clima de terror nas comunidades \u00e9 ainda mais alto do que anos atr\u00e1s. \u00c9 um sinal de alarme comprovar que a raz\u00e3o entre mortes violentas e desaparecidos aumenta justamente nas \u00e1reas onde a mil\u00edcia atua. \u00c9 um sinal sobre a possibilidade de que as mil\u00edcias estejam desaparecendo com os corpos das v\u00edtimas em vez de mat\u00e1-las publicamente.\u201d<\/p>\n<p>O pesquisador destacou que o apogeu de expans\u00e3o das mil\u00edcias foi o per\u00edodo 2006-2007 e que, atualmente, a repress\u00e3o do Estado, inclusive com a pris\u00e3o dos principais l\u00edderes, mudou sua forma de agir. \u201cEm 2008, come\u00e7ou a repress\u00e3o a elas e hoje em dia s\u00e3o muito mais t\u00edmidas em sua exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Est\u00e3o se afastando do modelo do tr\u00e1fico, de controle de entrada e sa\u00edda [do territ\u00f3rio], de ter algu\u00e9m sempre presente e indo mais na dire\u00e7\u00e3o de grupos de exterm\u00ednio ou da m\u00e1fia, de forma mais sigilosa, para manter os lucros, com uma exposi\u00e7\u00e3o menor. Os grupos n\u00e3o est\u00e3o mais se exibindo, como eles faziam antes. Hoje, a investiga\u00e7\u00e3o ficou mais complicada, justamente em fun\u00e7\u00e3o da discri\u00e7\u00e3o dessas mil\u00edcias.\u201d<\/p>\n<p>Cano alerta que ao mesmo tempo em que h\u00e1 certa diminui\u00e7\u00e3o do poder miliciano no Rio, em outras partes do pa\u00eds novos grupos est\u00e3o se organizando, nos mesmos moldes. S\u00e3o igualmente formados por militares, ex-militares e policiais que oferecem servi\u00e7os de combate ao crime, aliados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o clandestina de produtos e servi\u00e7os, incluindo a venda de botij\u00f5es de g\u00e1s, comercializa\u00e7\u00e3o de sinal de televis\u00e3o a cabo e o transporte de vans.<\/p>\n<p>\u201cTemos informa\u00e7\u00f5es de outros estados de que fen\u00f4menos semelhantes est\u00e3o come\u00e7ando a ocorrer. Ent\u00e3o, o Brasil como um todo tem que come\u00e7ar a olhar para este problema, porque daqui a pouco n\u00e3o ser\u00e1 exclusivo do Rio de Janeiro. Mil\u00edcia \u00e9 um neg\u00f3cio, voc\u00ea tem que conseguir pegar o dinheiro ou, pelo menos, aumentar os custos desse neg\u00f3cio. Prender pessoas \u00e9 importante mas, em sua grande maioria, s\u00e3o descart\u00e1veis e acabam substitu\u00eddas. Atacar o cora\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio \u00e9 essencial para poder desarticular esses grupos.\u201d<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/noticia\/2012-10-11\/milicias-mudam-de-estrategia-para-nao-chamar-atencao-mostra-estudo-da-uerj\" target=\"_blank\">Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os grupos de milicianos est\u00e3o reinventando o modo de agir para n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o do Estado e poder continuar<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":17412,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17411"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17411"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17411\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}