{"id":18028,"date":"2012-10-30T11:09:33","date_gmt":"2012-10-30T13:09:33","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=18028"},"modified":"2012-10-30T11:09:33","modified_gmt":"2012-10-30T13:09:33","slug":"a-polemica-mamografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/a-polemica-mamografia\/","title":{"rendered":"A pol\u00eamica mamografia"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><em>Com qual idade deve ser feito o primeiro exame das mamas? H\u00e1 quem questione a exposi\u00e7\u00e3o excessiva \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, recomendando os testes ap\u00f3s os 50 anos. Muitos m\u00e9dicos, por\u00e9m, ainda consideram importante avaliar a partir dos 40<\/em><\/p>\n<p>Depois de meio s\u00e9culo apontada como a melhor resposta para as tantas inc\u00f3gnitas sobre o c\u00e2ncer de mama, a mamografia j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais unanimidade entre os especialistas. Para alguns, do ponto de vista da preven\u00e7\u00e3o, o exame pode representar para o p\u00fablico de at\u00e9 50 anos um risco de sa\u00fade, trazendo mais malef\u00edcios que benef\u00edcios. O alerta vem do Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca) e instaura uma pol\u00eamica, deixando m\u00e9dicos apreensivos e as mulheres ainda mais perdidas, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 de hoje que se defende que o m\u00e9todo \u00e9 a melhor maneira de se precaver contra a doen\u00e7a. \u201cApostamos em uma estrat\u00e9gia que n\u00e3o tem funcionado. Hoje, a mortalidade est\u00e1 maior a cada ano\u201d, diz o oncologista e sanitarista do Inca Rog\u00e9rio Correa.<\/p>\n<p><strong>A doen\u00e7a<\/strong> \u2014 que somente este ano deve registrar 52 mil novos casos segundo estimativas do instituto \u2014 \u00e9 apontada como uma das principais causas de morte entre as mulheres. Em 2010, 12.852 pessoas perderam a vida para o mal no Brasil, sendo 12.705 do sexo feminino. Os n\u00fameros, de acordo com Correa, demonstram que os caminhos para a preven\u00e7\u00e3o podem estar equivocados.<\/p>\n<p>Ele explica que existem dois tipos de mamografia: a usada para diagnosticar o c\u00e2ncer, aplicada em mulheres com sintomas da doen\u00e7a ou com hist\u00f3rico familiar da enfermidade, e o exame feito para rastrear algum sinal do tumor, usada na preven\u00e7\u00e3o. \u201cNa d\u00e9cada de 1980, pesquisadores fizeram estudos com a popula\u00e7\u00e3o de mulheres entre 40 e 49 anos; de 50 a 59 anos; e de 60 a 69 anos, que se submetiam \u00e0 mamografia para se precaver da doen\u00e7a e, como tal, n\u00e3o tinham nenhum sintoma. A inten\u00e7\u00e3o foi estudar a redu\u00e7\u00e3o de mortalidade nesses grupos, mas descobriu-se que, no primeiro (pacientes entre 40 e 49), a redu\u00e7\u00e3o foi muito pequena. No segundo, um pouco maior. E, no terceiro, foi de 30%\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Assim, o m\u00e9dico do Inca diz que antes de fazer uma paciente passar pelo mam\u00f3grafo, \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o benef\u00edcios e malef\u00edcios que o aparelho pode apresentar. \u201cH\u00e1 muitos resultados falso-positivos, que geram outras investiga\u00e7\u00f5es e podem acabar em bi\u00f3psia ou at\u00e9 na retirada da mama sem necessidade. As mulheres que t\u00eam o resultado alterado ao fazer a mamografia representam 10%. Desse universo, s\u00f3 10% devem realmente ter o tumor\u201d, alerta Correa, acrescentando que, para cada grupo de mil mulheres que fazem o teste, 200 ter\u00e3o resultados falso-positivos. \u201cMuitas brasileiras devem estar fazendo tratamentos desnecess\u00e1rios\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Outro malef\u00edcio, de acordo com o especialista, \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o. \u201cEssa \u00e9 indutora do c\u00e2ncer. Toda vez que irradio a mama, dou uma dose pequena disso nela. Quanto mais mamografia se faz ao longo da vida, mais riscos se corre de ocorrer um c\u00e2ncer pela radia\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, Rog\u00e9rio aponta que a doen\u00e7a \u00e9 heterog\u00eanea, tendo v\u00e1rios tipos. \u201cMas cerca de 90% s\u00e3o carcinomas ductais, que come\u00e7am nos canais (dutos) que conduzem o leito da mama para o mamilo. Eles podem ter um comportamento altamente agressivo, que em pouco tempo vai matar o portador. Ou podem ter uma postura indolente e demorar mais um tempo para se desenvolver. Ou pode ser que comece a se formar e depois regrida, sem ir adiante. Pela mamografia, o m\u00e9dico n\u00e3o vai saber identificar como ser\u00e1 o comportamento dele\u201d, explica, dizendo que os dois potencialmente fatais atingem um percentual muito pequeno. \u201cPor isso, dizemos que mais da metade das mulheres est\u00e1 em tratamento sem necessidade. Mas, como esse tumor n\u00e3o \u00e9 identificado, hoje trata-se todo mundo que o apresenta. E muitas mulheres morrem por causa da cirurgia ou por sequelas da quimioterapia.\u201d<\/p>\n<p>A chance de se ter um c\u00e2ncer de mama aumenta com a idade, segundo o especialista. Cada faixa et\u00e1ria merece uma abordagem pr\u00f3pria. Para a popula\u00e7\u00e3o a partir dos 40 anos, os benef\u00edcios do aparelho s\u00e3o pequenos em rela\u00e7\u00e3o aos malef\u00edcios. Mas, a partir dos 50 anos, h\u00e1 mais ganhos. \u201cMais de 30 pa\u00edses desenvolvidos fazem o rastreamento do tumor entre os 50 e os 69 anos, a cada dois anos. H\u00e1 pa\u00edses que fazem a cada tr\u00eas anos\u201d, compara Rog\u00e9rio, dizendo que o exame em mulheres saud\u00e1veis cada vez mais cedo \u00e9 oportunismo. \u201cOs profissionais de sa\u00fade recebem recomenda\u00e7\u00f5es de diversas entidades, sendo que cada uma pensa a problem\u00e1tica de forma diferente. Para um radiologista, quanto mais mamografia, mais dinheiro. \u00c9 um vi\u00e9s corporativista\u201d, acusa, lembrando que, antes de tudo, deve-se fazer um bom exame cl\u00ednico das mamas.<\/p>\n<p><strong>Diverg\u00eancia<\/strong><br \/>\nA posi\u00e7\u00e3o de Correa \u00e9 questionada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, regional Minas Gerais, Jo\u00e3o Henrique Penna Reis. Defensor do exame como a melhor forma de preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, Reis aponta que muitas pesquisas, tanto europeias quanto norte-americanas, demonstram claramente que a chance de morrer pelo mal em quem faz mamografia rotineiramente \u00e9 bem menor. \u201cA partir dessas conclus\u00f5es \u00e9 que o exame come\u00e7ou a ser aplicado como pol\u00edtica de sa\u00fade p\u00fablica\u201d, diz, discordando de Correa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 uma quantidade muito baixa se comparada ao n\u00famero de casos que a m\u00e1quina pode ajudar. O Inca \u00e9 um bra\u00e7o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. A vis\u00e3o do gestor \u00e9 do cobertor curto. O mam\u00f3grafo n\u00e3o \u00e9 barato e o gestor pensa: \u2018N\u00e3o compensa\u2019\u201d, rebate.<\/p>\n<p>Para o m\u00e9dico, a discuss\u00e3o \u00e9 econ\u00f4mica. \u201cDizer que h\u00e1 grande n\u00famero de resultados falso-positivos \u00e9 um absurdo. S\u00f3 se faz a opera\u00e7\u00e3o de retirada da mama em quem est\u00e1 com o diagn\u00f3stico positivo comprovado. Caso contr\u00e1rio, o m\u00e9dico pode ser processado\u201d, comenta. Reis afirma ainda que o consenso mundial \u00e9 de que o exame deve ser feito depois dos 40 anos. \u201cAo se detectar mais cedo um c\u00e2ncer, as chances de cura aumentam. Quando se diagnostica cedo, o tratamento \u00e9 mais barato , pode-se evitar a quimioterapia e outros procedimentos. J\u00e1 no estado avan\u00e7ado, o custo \u00e9 alto. Antigamente, nos Estados Unidos, os pedidos de mamografia eram antes dos 35 anos. E a raz\u00e3o era para se ter um exame como base para depois dos 40. Mas percebeu-se que n\u00e3o havia um porqu\u00ea disso. Hoje, \u00e9 depois dos 40 anos. Quando se pede em mulheres mais jovens \u00e9 porque s\u00e3o de alto risco para a doen\u00e7a, com hist\u00f3rico do mal em parentes de primeiro grau, por exemplo.\u201d<\/p>\n<p>Sobre a vis\u00e3o capitalista de que Rog\u00e9rio Correa acusa a medicina, Jo\u00e3o Penna Reis entende que, se fosse assim, seria mais f\u00e1cil dizer a todas as mulheres que n\u00e3o fizessem mais o exame. \u201cCom isso, haveria mais casos avan\u00e7ados e, com isso, maior custo\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Sem consenso<\/strong><br \/>\nPara a mastologista do Instituto do C\u00e2ncer do Estado de S\u00e3o Paulo \u00c2ngela Trinconi, o assunto ainda n\u00e3o tem consenso. \u201c\u00c9 uma pol\u00eamica sem fim. \u00c9 \u00f3bvio que, quanto mais cedo se usa o aparelho para rastrear algo nas mamas, mais chances h\u00e1 de se encontrarem altera\u00e7\u00f5es que nem sempre ser\u00e3o c\u00e2ncer. O que seria um \u00f4nus para o sistema\u201d, comenta ela. Por outro lado, apota, h\u00e1 diagn\u00f3sticos de outros fatores importantes para a paciente. \u201cA mamografia melhorou muito de qualidade. Por isso, vale a experi\u00eancia de um m\u00e9dico. Como aparece um maior n\u00famero de pequenas les\u00f5es, com a qualidade da imagem, um doutor menos experiente vai partir, muitas vezes sem necessidade, para bi\u00f3psias ou cirurgias. De fato, h\u00e1 muitos exames falso-positivos, n\u00e3o temos aparelhos adequados nem profisssionais experientes em n\u00famero suficiente para manej\u00e1-los, o que gera muitos laudos incorretos. Isso \u00e9 uma tristeza\u201d, lamenta. Mas, ainda sim, a mastologista \u00e9 a favor dos mam\u00f3grafos com uso e pedidos de exames respons\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>POR DENTRO DO EXAME<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>O que \u00e9<\/em><\/strong><br \/>\n<em> A mamografia \u00e9 a radiografia das mamas. O exame pode revelar poss\u00edveis altera\u00e7\u00f5es nos \u00f3rg\u00e3os. Exige a compress\u00e3o da mama no aparelho, para melhor detec\u00e7\u00e3o de n\u00f3dulos e tumores.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Quem deve fazer<\/em><\/strong><br \/>\n<em> No Brasil, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que se fa\u00e7a o exame anualmente depois dos 40 anos. Pessoas com parentes de primeiro grau com a doen\u00e7a devem ser acompanhadas por um m\u00e9dico depois dos 35 anos.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Como \u00e9 feito<\/em><\/strong><br \/>\n<em> A paciente \u00e9 posicionada pr\u00f3ximo da m\u00e1quina sem blusca nem suti\u00e3. Em seguida, o t\u00e9cnico que realiza o exame (em geral, uma mulher) posiciona a mama da paciente no aparelho, comprimindo-a por alguns segundos para que a radiografia pegue o melhor \u00e2ngulo poss\u00edvel. \u00c9 recomendado marcar a mamografia para logo depois do per\u00edodo menstrual, j\u00e1 que \u00e9 menor a chance de as mamas estarem doloridas e inchadas. Como rotina, s\u00e3o realizadas tr\u00eas imagens para cada seio.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Preparo<\/em><\/strong><br \/>\n<em> Deve-se evitar desodorante, cremes, talco ou perfume nas mamas e nas axilas.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Laudo<\/em><\/strong><br \/>\n<em> O radiologista emite um laudo que vai classificar os achados no exame de acordo com uma classifica\u00e7\u00e3o denominada Bi-Rads, que varia de 1 a 5. Dependendo do valor demonstrado no exame, o m\u00e9dico decide por continuar ou n\u00e3o a investiga\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis les\u00f5es mam\u00e1rias.<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Correio Braziliense<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com qual idade deve ser feito o primeiro exame das mamas? H\u00e1 quem questione a exposi\u00e7\u00e3o excessiva \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, recomendando<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":11430,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18028"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18028"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18028\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18028"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18028"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18028"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}