{"id":21839,"date":"2013-03-11T14:30:48","date_gmt":"2013-03-11T17:30:48","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=21839"},"modified":"2013-03-11T14:30:48","modified_gmt":"2013-03-11T17:30:48","slug":"matanca-generalizada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/matanca-generalizada\/","title":{"rendered":"Matan\u00e7a generalizada"},"content":{"rendered":"<p>As mortes violentas, que antes se concentravam em grandes centros urbanos como S\u00e3o Paulo e Rio, est\u00e3o se espalhando pelo pa\u00eds, que prossegue entre os mais violentos do mundo e acumula mortes por armas de fogo equivalentes a regi\u00f5es do planeta marcadas por conflitos armados. A &#8220;nacionaliza\u00e7\u00e3o&#8221; da morte \u00e0 bala acompanharia a desconcentra\u00e7\u00e3o industrial e os deslocamentos populacionais ligados \u00e0s atividades econ\u00f4micas. A conclus\u00e3o \u00e9 do Mapa da Viol\u00eancia 2013, divulgado ontem pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela).<\/p>\n<p>Dos cinco estados mais violentos do pa\u00eds em 2010, tr\u00eas est\u00e3o na regi\u00e3o Nordeste: Alagoas, Bahia e Para\u00edba. Quatro das cinco capitais com os piores dados est\u00e3o no litoral da regi\u00e3o: Macei\u00f3, Jo\u00e3o Pessoa, Salvador e Recife. Pelos dados da pesquisa, 36.792 pessoas foram assassinadas a tiros em 2010 no Brasil. O n\u00famero \u00e9 superior aos 36.624 assassinatos anotados em 2009 e mant\u00e9m o pa\u00eds com uma taxa de 20,4 homic\u00eddios por 100 mil habitantes, a oitava pior marca entre cem na\u00e7\u00f5es com estat\u00edsticas consideradas relativamente confi\u00e1veis sobre o assunto.<\/p>\n<p align=\"justify\">A m\u00e9dia nacional de homic\u00eddios \u00e9 duas vezes maior que a taxa considerada toler\u00e1vel pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), dez assassinatos a cada 100 mil habitantes. Ao comparar a realidade nacional com a matan\u00e7a nas principais guerras dos \u00faltimos anos, os coordenadores do estudo chegaram a um resultado assustador: o n\u00famero de assassinatos no Brasil entre 2004 e 2007 se aproxima das baixas contabilizadas em 12 dos maiores conflitos armados no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nestes quatro anos, 147.373 pessoas foram assassinadas a tiros no Brasil. As guerras provocaram a morte de 169.574 pessoas. O coordenador do estudo ainda lembra que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em dire\u00e7\u00e3o ao Nordeste que a viol\u00eancia aumenta.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8211; A viol\u00eancia tem crescido tamb\u00e9m no Paran\u00e1, em Santa Catarina e no Entorno de Bras\u00edlia. O mais correto seria dizer que est\u00e1 havendo uma nacionaliza\u00e7\u00e3o dos homic\u00eddios &#8211; afirma J\u00falio Jacobo Waiselfisz.<\/p>\n<p align=\"justify\">O palco do maior massacre foi Alagoas que, em 2010, registrou uma taxa de 55,3 homic\u00eddios por cada 100 mil habitantes. \u00c9 o estado que tamb\u00e9m mata mais negros e o segundo em homic\u00eddios contra as mulheres. Com o maior Instituto M\u00e9dico Legal (IML) funcionando no improviso, delegacias caindo aos peda\u00e7os e um plano de seguran\u00e7a federal com pequena redu\u00e7\u00e3o no avan\u00e7o dos crimes, os alagoanos recorrem ao desespero.<\/p>\n<p align=\"justify\">A aposentada Tereza de Jesus Ara\u00fajo espera, h\u00e1 seis meses, not\u00edcias da neta, a estudante de Ci\u00eancias Cont\u00e1beis B\u00e1rbara Regina, de 21 anos. Ela sumiu de uma boate ao lado de um homem, que, para a pol\u00edcia, \u00e9 Ot\u00e1vio Cardoso da Silva, o assassino da estudante. Para a Pol\u00edcia Civil de Alagoas, B\u00e1rbara foi estuprada e assassinada com requintes de crueldade. Mas, nem o corpo da estudante nem o acusado pelo crime apareceram:<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8211; Todas as informa\u00e7\u00f5es que a pol\u00edcia tem e todas as pistas, incluindo a rota de fuga do Ot\u00e1vio, fomos n\u00f3s quem apresentamos. E n\u00e3o temos nada depois disso &#8211; lamenta Tereza.<\/p>\n<p align=\"justify\">No Par\u00e1, o n\u00famero de assassinatos teve aumento de 307,2%, em dez anos. No Maranh\u00e3o, a disparada da matan\u00e7a foi de 282,2% entre 2000 e 2010.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Rio de Janeiro aparece em 8\u00ba lugar no ranking dos estados mais violentos, com uma taxa de 26,4. O estudo mostra, no entanto, que o n\u00famero de mortes por armas de fogo no estado est\u00e1 em decl\u00ednio. De 2000 a 2010, os assassinatos a tiros no Rio ca\u00edram 43,8%. Em S\u00e3o Paulo a queda foi ainda maior, 67,5%, e o estado viu a taxa de homic\u00eddio baixar para 9,3, por 100 mil habitantes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Entre as capitais mais violentas est\u00e1 Macei\u00f3, a primeira da lista com 94,5 homic\u00eddios por 100 mil habitantes. Logo depois v\u00eam Jo\u00e3o Pessoa com taxa de 71,6; Vit\u00f3ria com 60,7; Salvador com 59,6; e Recife com 47,8. S\u00e3o taxas bem acima da m\u00e9dia nacional, de 20,4 por 100 mil. Com uma taxa de 23,5, a cidade do Rio aparece em 19\u00ba lugar na lista. A cidade de S\u00e3o Paulo est\u00e1 na 25\u00aa coloca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para Jacobo, a declarada prioriza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a p\u00fablica por governadores e as iniciativas do governo federal, tais como a campanha do desarmamento, n\u00e3o foram suficientes para for\u00e7ar a queda dos \u00edndices de viol\u00eancia na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI. Entre 2000 e 2010, passando pelos governos Fernando Henrique e Lula, a taxa de aproximadamente 20 homic\u00eddios com armas de fogo por 100 mil habitantes ficou est\u00e1vel.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8211; Se est\u00e1 havendo alto \u00edndice de viol\u00eancia, nossas pol\u00edticas n\u00e3o s\u00e3o suficientes &#8211; diz Jacobo, que enumera o narcotr\u00e1fico; a grande quantidade de armas em circula\u00e7\u00e3o; e a cultura da viol\u00eancia para a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos entre pessoas pr\u00f3ximas como fatores da estabiliza\u00e7\u00e3o de mortes em alta.<\/p>\n<p align=\"justify\">No Paran\u00e1, o n\u00famero de homic\u00eddios aumentou 94,8%, entre 2000 e 2010. Santa Catarina sofreu aumento de 44,5%, embora ainda permane\u00e7a com taxa de 8,5 homic\u00eddios por grupos de 100 mil.<\/p>\n<p align=\"justify\">Estudo detalhado, o Mapa da Viol\u00eancia apresenta o ranking das cidades com mais de 20 mil habitantes mais castigadas pela matan\u00e7a. Sim\u00f5es Filho (BA) tem o pior quadro, com taxa de 141,5 homic\u00eddios por 100 mil habitantes. \u00c0 frente de Campina Grande do Sul (PR), com 107, Lauro de Freitas (BA), com 106,6, e Gua\u00edra, com 103,9. S\u00e3o n\u00fameros piores que os de Medell\u00edn, na Col\u00f4mbia, no auge do poder do narcotr\u00e1fico de Pablo Escobar.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8211; Uma das estrat\u00e9gias (para reduzir homic\u00eddios) \u00e9 o combate \u00e0 cultura da viol\u00eancia. O debate sobre esse assunto deveria come\u00e7ar desde a escola. Acho que esse discurso (contra a cultura da viol\u00eancia) n\u00e3o tem tido o lugar que deveria ter &#8211; diz Jorge Werthein, presidente do Instituto Cebela.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mortes violentas, que antes se concentravam em grandes centros urbanos como S\u00e3o Paulo e Rio, est\u00e3o se espalhando pelo<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":20352,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21839"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21839"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21839\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}