{"id":23254,"date":"2013-05-14T13:34:35","date_gmt":"2013-05-14T16:34:35","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=23254"},"modified":"2013-05-14T13:34:35","modified_gmt":"2013-05-14T16:34:35","slug":"fator-previdenciario-quando-melhor-idade-e-uma-afronta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/fator-previdenciario-quando-melhor-idade-e-uma-afronta\/","title":{"rendered":"Fator previdenci\u00e1rio: quando &#8220;melhor idade&#8221; \u00e9 uma afronta"},"content":{"rendered":"<p>Se h\u00e1 algo que decis\u00f5es de ordem pol\u00edtica ilustram \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 como meias verdades podem amparar os argumentos expostos inclusive pelas partes antag\u00f4nicas. Um exemplo est\u00e1 no debate sobre o fim do fator previdenci\u00e1rio, cerne de projeto de lei que patina no Congresso desde 2008, mesmo com apoio organizado de entidades representativas dos aposentados e da classe trabalhadora e da acolhida expressa de v\u00e1rios partidos.<\/p>\n<p>Nas hostes governamentais, se empunha o discurso do apregoado &#8220;rombo na Previd\u00eancia&#8221;. Alega-se que a elimina\u00e7\u00e3o do fator previdenci\u00e1rio pode resultar em uma perda acumulada da ordem de R$ 2 bilh\u00f5es para a Previd\u00eancia Social, montante necess\u00e1rio ao ajuste dos benef\u00edcios concedidos a homens e mulheres que, respectivamente, se aposentam abaixo dos 65 anos e dos 60 anos.<\/p>\n<p>O debate carece da an\u00e1lise serena e racional sobre dois pontos fundamentais. Primeiro, admitir o que v\u00e1rios e renomados especialistas j\u00e1 questionaram: se a Previd\u00eancia \u00e9 mesmo deficit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O que muitos estudos j\u00e1 apontaram \u00e9 que, embora se verifiquem saldos positivos nas contas da seguridade social \u2014 em que se inclui a Previd\u00eancia \u2014, esses terminam utilizados para fins alheios a ela, a exemplo de aumentar o superavit fiscal da Uni\u00e3o e pagar despesas referentes \u00e0 folha de inativos e pensionistas de outros minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>Economistas s\u00e9rios e gabaritados alegam ainda que, no passado, se acumularam verbas previdenci\u00e1rias de grande monta, mas, em vez de se destinarem a financiar os benef\u00edcios atuais, findaram alocadas para viabilizar obras da magnitude da Hidrel\u00e9trica de Itaipu, da Ponte Rio-Niter\u00f3i e da Usina Nuclear de Angra dos Reis, entre outras.<\/p>\n<p>Esse desvio aconteceria tamb\u00e9m no montante recolhido como Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), cujo destino, embora expl\u00edcito na defini\u00e7\u00e3o do tributo, nem sempre \u00e9 os cofres do INSS.<\/p>\n<p>O outro ponto, n\u00e3o menos importante, diz respeito \u00e0 perspectiva do governo de distribuir renda, solapando a mis\u00e9ria. Ora, o fator previdenci\u00e1rio penaliza especialmente aquela faixa econ\u00f4mica dos que come\u00e7am a trabalhar mais cedo \u2014 leia-se: os de menor poder aquisitivo.<\/p>\n<p>Mas qual a l\u00f3gica em distribuir bolsas garantindo avan\u00e7o socioecon\u00f4mico aos extratos menos favorecidos e, ao mesmo tempo, relegar a uma qualidade de vida inferior aqueles que j\u00e1 deram seu quinh\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es ao desenvolvimento do pa\u00eds, pela via do trabalho? Em outros termos, fica a impress\u00e3o de que o governo considera louv\u00e1vel e fundamental amparar os pobres \u2014 desde que eles n\u00e3o sejam aposentados do INSS.<\/p>\n<p>Est\u00e1 mais do que na hora de a sociedade cobrar do Poder Legislativo um debate s\u00f3lido e sensato sobre o tema. Um salutar ponto de partida encontra-se didaticamente organizado no estudo &#8220;Extin\u00e7\u00e3o do fator previdenci\u00e1rio e propostas alternativas&#8221;, produzido no \u00e2mbito da Consultoria Legislativa da C\u00e2mara dos Deputados, em 2009.<\/p>\n<p>O trabalho conclui que &#8220;os segurados almejam uma seguran\u00e7a m\u00ednima quanto ao valor da reposi\u00e7\u00e3o de sua renda na aposentadoria, e o fator previdenci\u00e1rio representa o oposto: inseguran\u00e7a para o trabalhador&#8221;. Defende que esse mecanismo n\u00e3o \u00e9 insubstitu\u00edvel e apresenta propostas alternativas a ele, considerando, entre as mais adequadas, &#8220;a redu\u00e7\u00e3o do valor das futuras pens\u00f5es, observada regra de transi\u00e7\u00e3o&#8221;, para citar apenas uma.<\/p>\n<p>Como dito aqui, esse abalizado material pode nortear os debates inadi\u00e1veis sobre um instrumento com impactos \u00e0 sociedade que j\u00e1 se mostraram nada merit\u00f3rios, de forma inconteste.<\/p>\n<p>Sem um impulso concreto a essa an\u00e1lise livre de paix\u00f5es, viceja o imp\u00e9rio das meias verdades \u2014 ou das verdades cujo repercutir insistente \u00e9 o que melhor lhes sustenta. E, em tal cen\u00e1rio, os sacrif\u00edcios prosseguir\u00e3o recaindo sobre as costas de milh\u00f5es de brasileiros para os quais o termo &#8220;melhor idade&#8221; se transformou em piada de mau gosto, quase uma afronta.<\/p>\n<p>Fonte: Correio Braziliense<br \/>\nAutor: La\u00e9rcio Oliveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se h\u00e1 algo que decis\u00f5es de ordem pol\u00edtica ilustram \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 como meias verdades podem amparar os argumentos expostos<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":16857,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23254"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23254"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23254\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23254"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}