{"id":23447,"date":"2013-05-21T14:12:23","date_gmt":"2013-05-21T17:12:23","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=23447"},"modified":"2013-05-21T14:12:23","modified_gmt":"2013-05-21T17:12:23","slug":"a-tradicao-cultural-da-clt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/a-tradicao-cultural-da-clt\/","title":{"rendered":"A tradi\u00e7\u00e3o cultural da CLT"},"content":{"rendered":"<p>Promulgada em 1.\u00b0 de maio de 1943, a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) constituiu um avan\u00e7o significativo no campo da prote\u00e7\u00e3o, tendo sistematizado as leis existentes e acrescentado outras que, em 1988, foram complementadas pela Constitui\u00e7\u00e3o federal No Brasil, a defini\u00e7\u00e3o das regras trabalhistas sempre seguiu o princ\u00edpio estatut\u00e1rio segundo o qual as prote\u00e7\u00f5es devem ser explicitadas nos m\u00ednimos detalhes nos textos legais. \u00c9 a filosofia do garantismo legal Bem diferente \u00e9 o princ\u00edpio negociai, segundo o qual a maioria das prote\u00e7\u00f5es \u00e9 definida nos contratos livremente negociados, ficando para as leis apenas as regras fundamentais.<\/p>\n<p>A raiz do princ\u00edpio estatut\u00e1rio est\u00e1 em nossa tradi\u00e7\u00e3o cultural. Vivendo em regime de extrema desigualdade, que durante muito tempo foi marcado por uma sociedade dividida entre nobreza (fidalgos, militares e sacerdotes) e plebe (o povo), os brasileiros foram levados a acreditar no Estado como \u00fanica for\u00e7a para garantir prote\u00e7\u00e3o. Na \u00e1rea trabalhista, nunca se sentiram seguros com prote\u00e7\u00f5es garantidas por negocia\u00e7\u00e3o e contratos, o que prevalece at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Sabendo disso, os parlamentares n\u00e3o se arriscam a mudar nada nas leis vigentes, temendo contrariar os eleitores e perder votos. Para refor\u00e7ar a referida tradi\u00e7\u00e3o, os cursos de direito do trabalho levam adiante e sofisticam cada vez mais a filosofia do garantismo legal Para a maioria dos magistrados, educados nessa filosofia, a \u00fanica prote\u00e7\u00e3o que lhes desperta confian\u00e7a \u00e9 a garantida por lei ou por jurisprud\u00eancia.<\/p>\n<p>O Brasil continua imerso no processo de prolifera\u00e7\u00e3o de leis e expedientes jurisprudenciais que pretendem disciplinar de forma homog\u00eanea uma realidade que \u00e9 cada vez mais heterog\u00eanea por for\u00e7a das novas tecnologias e dos novos modos de trabalhar. Esse \u00e9 o caso, por exemplo, do princ\u00edpio da hipossufici\u00eancia. Profissionais altamente qualificados, de renda alta, que cuidam de suas pr\u00f3prias prote\u00e7\u00f5es e de sua fam\u00edlia nos campos da sa\u00fade e da aposentadoria, est\u00e3o legalmente impedidos de estabelecer com seus empregadores contratos fora da tutela da CLT. O mesmo ocorre com os que desejam trabalhar em regimes diferentes das jornadas estabelecidas em lei. Igualmente impedidos est\u00e3o os que pretendem ser remunerados por aquilo que produzem, e n\u00e3o pelo tempo trabalhado. Exemplos n\u00e3o faltam para mostrar que as novas formas de trabalhar s\u00e3o bloqueadas pela CLT.<\/p>\n<p>A insist\u00eancia em querer aplicar regras r\u00edgidas e homog\u00eaneas em situa\u00e7\u00f5es vol\u00e1teis e heterog\u00eaneas gera enorme inseguran\u00e7a jur\u00eddica. O Brasil tem leis e s\u00famulas que, pasmem, tributam o passado! Temos uma Justi\u00e7a do Trabalho que interv\u00e9m sem cerim\u00f4nia naquilo que foi livremente negociado entre partes leg\u00edtimas. Essa inseguran\u00e7a, al\u00e9m de onerosa, dificulta o planejamento e a execu\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias competitivas. Estou convencido de que nenhuma empresa do Brasil sabe qual \u00e9 o seu real passivo trabalhista, pois, a cada dia, se depara com sobressaltos jamais antecipados pelo bom senso.<\/p>\n<p>Apesar da irracionalidade reinante, n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil mudar o quadro atual em face do apego ao garantismo legal Na minha juventude, cheguei a acreditar na possibilidade de se fazer uma reforma trabalhista ampla. A adequada compreens\u00e3o da nossa tradi\u00e7\u00e3o cultural transformou aquela cren\u00e7a em mero sonho de ver\u00e3o. Hoje vejo o caminho do gradualismo como \u00fanica alternativa para atualizar as regras do trabalho. Foi isso o que despertou meu interesse pelas &#8220;101 Propostas de Moderniza\u00e7\u00e3o Trabalhista&#8221; apresentadas pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) no final de 2012. \u00c9 uma agenda de trabalho realista da qual fazem parte propostas de dificuldades pequena, m\u00e9dia e grande. Nenhuma delas retira direitos de quem j\u00e1 tem, e, sim, levam direitos a quem n\u00e3o tem, com base na livre negocia\u00e7\u00e3o entre os atores sociais. Ao leitor interessado, sugiro entrar no site www.cni.org.br. Vale a pena a sua leitura.<\/p>\n<p>Fonte: O Estado de S. Paulo<br \/>\nAutor: Jos\u00e9 Pastore, professor de Rela\u00e7\u00f5es do Trabalho da Faculdade de Economia e Administra\u00e7\u00e3o da USP, \u00e9 membro da Academia Paulista de Letras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Promulgada em 1.\u00b0 de maio de 1943, a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) constituiu um avan\u00e7o significativo no campo<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":13162,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23447"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23447"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23447\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}