{"id":23697,"date":"2013-05-31T16:00:10","date_gmt":"2013-05-31T19:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=23697"},"modified":"2013-05-31T16:00:10","modified_gmt":"2013-05-31T19:00:10","slug":"tcu-aponta-patrimonio-liquido-negativo-da-uniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/tcu-aponta-patrimonio-liquido-negativo-da-uniao\/","title":{"rendered":"TCU aponta patrim\u00f4nio l\u00edquido negativo da Uni\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O balan\u00e7o geral da Uni\u00e3o de 2012 deixou de registrar o passivo atuarial do regime pr\u00f3prio de previd\u00eancia dos servidores civis federais (RPPS) estimado em R$ 1,25 trilh\u00e3o, segundo o relat\u00f3rio do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) sobre as contas do governo Dilma Rousseff daquele ano, produzido pelo ministro Jos\u00e9 Jorge, que foi o relator. &#8220;Caso essa obriga\u00e7\u00e3o fosse contabilizada, o patrim\u00f4nio l\u00edquido da Uni\u00e3o [diferen\u00e7a entre ativos e passivos]<\/p>\n<p>passaria de um valor positivo de R$ 761 bilh\u00f5es para um valor negativo de R$ 490 bilh\u00f5es&#8221;, disse Jorge, em seu parecer.<\/p>\n<p>Essa proje\u00e7\u00e3o atuarial \u00e9 a diferen\u00e7a entre as contribui\u00e7\u00f5es feitas pelos servidores e os benef\u00edcios a serem pagos ao longo dos anos, trazidos a valor presente. A Uni\u00e3o ter\u00e1 que arcar com esse d\u00e9ficit atuarial. Ao analisar a presta\u00e7\u00e3o de contas relativa a 2011, o TCU j\u00e1 tinha recomendado que a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) inclu\u00edsse no balan\u00e7o patrimonial da Uni\u00e3o o passivo atuarial do RPPS.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o foi feito e, segundo o TCU, a STN informou que a contabiliza\u00e7\u00e3o das provis\u00f5es matem\u00e1ticas previdenci\u00e1rias ainda necessitaria de estudos adicionais. Al\u00e9m disso, o Tesouro alegou que a solu\u00e7\u00e3o poderia se dar mediante a cria\u00e7\u00e3o, pela Uni\u00e3o, de \u00f3rg\u00e3o ou fundo para gerir o regime previdenci\u00e1rio de seus servidores civis, por meio da qual seria realizada a capitaliza\u00e7\u00e3o patrimonial do regime, e, consequentemente, o reconhecimento na contabilidade n\u00e3o s\u00f3 do passivo atuarial, mas tamb\u00e9m dos ativos que o capitalizar\u00e3o.<\/p>\n<p>As alega\u00e7\u00f5es da STN n\u00e3o foram aceitas. O TCU argumentou que j\u00e1 existe um n\u00famero oficial de proje\u00e7\u00e3o atuarial do RPPS adotado pelo pr\u00f3prio governo federal e que \u00e9 divulgado no projeto de lei de diretrizes or\u00e7ament\u00e1rias (LDO) de cada ano. O TCU disse ainda que &#8220;n\u00e3o se vislumbram motivos para condicionar a contabiliza\u00e7\u00e3o do passivo atuarial \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um fundo ou \u00f3rg\u00e3o para gerir o RPPS&#8221;, pois as informa\u00e7\u00f5es cont\u00e1beis e financeiras da futura unidade gestora ser\u00e3o incorporadas \u00e0s demonstra\u00e7\u00f5es financeiras consolidadas do governo federal, ou seja, ao Balan\u00e7o Geral da Uni\u00e3o (BGU). &#8220;Portanto, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o passivo atuarial do RPPS \u00e9 um passivo da Uni\u00e3o&#8221;, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O ministro Jos\u00e9 Jorge observou que o registro desse passivo &#8220;melhora a qualidade das informa\u00e7\u00f5es patrimoniais da Uni\u00e3o providas \u00e0 sociedade&#8221;. Para ele, &#8220;n\u00e3o h\u00e1 motivos razo\u00e1veis para que a Uni\u00e3o evite reconhecer no balan\u00e7o patrimonial essa obriga\u00e7\u00e3o, a exemplo do que fazem outros pa\u00edses e, at\u00e9 mesmo, Estados e munic\u00edpios da federa\u00e7\u00e3o, tais como a Bahia, o Rio de Janeiro e Pernambuco&#8221;. O ministro disse que essa situa\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio l\u00edquido negativo &#8220;n\u00e3o \u00e9 anormal em se tratando de governos nacionais&#8221; e citou os casos dos Estados Unidos e Reino Unido.<\/p>\n<p>Uma das 41 recomenda\u00e7\u00f5es do TCU ao governo \u00e9 que o Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social e a STN contabilizem, ainda em 2013, as provis\u00f5es matem\u00e1ticas previdenci\u00e1rias do RPPS, com dados de informa\u00e7\u00e3o atuarial referente a 31 de dezembro de 2012, assim como as varia\u00e7\u00f5es dessas provis\u00f5es t\u00e3o logo estejam conclu\u00eddas as atualiza\u00e7\u00f5es atuariais anuais.<\/p>\n<p>Em seu relat\u00f3rio, o ministro do TCU identificou tamb\u00e9m aquela que pode ser mais uma manobra cont\u00e1bil do governo para alcan\u00e7ar a meta de super\u00e1vit prim\u00e1rio de 2012. Jorge informou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) distribuiu dividendos, no ano passado, no valor de R$ 1,3 bilh\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o previstas no seu estatuto social. Esses dividendos foram remetidos ao Tesouro, que os utilizou no super\u00e1vit.<\/p>\n<p>Por causa dessa pr\u00e1tica, outra recomenda\u00e7\u00e3o do TCU foi para que o BNDES somente proponha o pagamento de dividendos para resultados apurados nas demonstra\u00e7\u00f5es cont\u00e1beis levantadas em 30 de junho e 31 dezembro de cada exerc\u00edcio, conforme disp\u00f5e o seu estatuto social.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas mais contundentes de Jorge foram com rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e1lculo do super\u00e1vit prim\u00e1rio da Uni\u00e3o. Ele disse que o cumprimento da meta fiscal hoje &#8220;\u00e9 mera formalidade&#8221;. Segundo ele, &#8220;ningu\u00e9m sabe qual foi mesmo o super\u00e1vit prim\u00e1rio [do ano passado]&#8221;. Para o ministro, o risco que o pa\u00eds corre \u00e9 de essa quest\u00e3o fiscal ficar parecida com o \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o divulgado oficialmente pela Argentina, onde os empres\u00e1rios n\u00e3o acreditam nos dados oficiais e procuram eles mesmos estimar o aumento dos pre\u00e7os. &#8220;Estamos observando perda de credibilidade [sobre os dados do super\u00e1vit prim\u00e1rio]&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>No seu parecer, Jorge mostrou que um quarto (26,3%) do super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 85 bilh\u00f5es obtido pela Uni\u00e3o em 2012 partiu de receitas extraordin\u00e1rias, no valor de R$ 22,4 bilh\u00f5es. &#8220;Essas receitas n\u00e3o s\u00e3o efetivas, pois resultam de manobras cont\u00e1beis&#8221;, disse, em entrevista ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o de seu parecer.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o quis dizer se o governo fez uma maquiagem nos dados do super\u00e1vit. &#8220;Geralmente as mulheres fazem maquiagem e ficam mais bonitas&#8221;, afirmou. &#8220;Mas no caso do super\u00e1vit, a situa\u00e7\u00e3o ficou pior&#8221;. Para Jorge, essas manobras cont\u00e1beis &#8220;n\u00e3o ajudam a melhorar a credibilidade desse indicador&#8221; pois &#8220;as pessoas n\u00e3o s\u00e3o ing\u00eanuas&#8221;. O ministro disse que ele pr\u00f3prio, que foi o relator das contas de 2012, n\u00e3o sabe qual foi o super\u00e1vit real. &#8220;Sei apenas qual foi o oficial&#8221;.<\/p>\n<p>O relator fez cr\u00edticas tamb\u00e9m \u00e0 execu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria em 2012. Na fun\u00e7\u00e3o transporte, por exemplo, foram empenhados somente 65% dos valores or\u00e7ament\u00e1rios e liquidados 35%. No caso da transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco, Jorge informou que s\u00f3 15% das obras do eixo Norte e 10% do eixo Leste foram executadas. Analisando o grau de execu\u00e7\u00e3o do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento 2 (PAC 2) na \u00e1rea de saneamento, ele disse que o balan\u00e7o das 5.320 a\u00e7\u00f5es previstas para o fim do per\u00edodo, somente cerca de 10% estavam conclu\u00eddas, encontrando-se aproximadamente 70% delas nos est\u00e1gios &#8220;Em obra&#8221; ou &#8220;Em execu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O ministro recomendou a aprova\u00e7\u00e3o das contas da presidente Dilma Rousseff relativas a 2012 com 22 ressalvas e 41 recomenda\u00e7\u00f5es. O parecer de Jorge foi aprovado pelos demais ministros do TCU por unanimidade.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<br \/>\nAutor: Ribamar Oliveira <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O balan\u00e7o geral da Uni\u00e3o de 2012 deixou de registrar o passivo atuarial do regime pr\u00f3prio de previd\u00eancia dos servidores<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":8245,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23697"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23697"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23697\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}