{"id":24019,"date":"2013-06-17T12:15:25","date_gmt":"2013-06-17T15:15:25","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=24019"},"modified":"2013-06-17T12:15:25","modified_gmt":"2013-06-17T15:15:25","slug":"educacao-muda-a-cara-do-funcionalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/educacao-muda-a-cara-do-funcionalismo\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o muda a cara do funcionalismo"},"content":{"rendered":"<div>No pa\u00eds em que ainda luta-se para se desvencilhar da posi\u00e7\u00e3o de atraso no ranking internacional de qualidade de ensino, uma estat\u00edstica chama a aten\u00e7\u00e3o. No Brasil, a cada ano, 126,4 mil pessoas com diploma de n\u00edvel superior ingressam na administra\u00e7\u00e3o estatal. S\u00e3o um time de profissionais das mais variadas \u00e1reas, de bombeiros e m\u00e9dicos a professores e funcion\u00e1rios de prefeituras espalhadas pelos munic\u00edpios pa\u00eds afora. Mais escolarizados e preparados para exercer cargos p\u00fablicos, esses novos servidores est\u00e3o mudando a cara da m\u00e3o de obra estatal, antes estigmatizada de leniente e pouco produtiva.<\/div>\n<div>Entre 2009 e 2012, ao passo que o mercado privado ganhou 3,8 milh\u00f5es de trabalhadores sem diploma, na esfera p\u00fablica, o contingente de servidores menos escolarizados encolheu em 51,8 mil postos. Para especialistas consultados pelo Correio, os concursos p\u00fablicos, mais exigentes e disputados, foram o ponto de partida para essa redu\u00e7\u00e3o. \u201cHoje, os processos de sele\u00e7\u00e3o est\u00e3o mais apurados. A prolifera\u00e7\u00e3o de cursinhos preparat\u00f3rios para a carreira p\u00fablica e a figura do concurseiro profissional, que at\u00e9 alguns anos atr\u00e1s nem mesmo existia, \u00e9 a certeza de que os pr\u00f3ximos funcion\u00e1rios p\u00fablicos ser\u00e3o cada vez mais capacitados\u201d, diz o economista Marcio Sette Fortes, professor do Ibemec Rio.<\/div>\n<div>Na opini\u00e3o dele, a maior qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra estatal \u00e9 o primeiro passo para melhorar a qualidade dos servi\u00e7os prestados pela administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, que, para ele, ainda deixam a desejar. \u201cO Brasil est\u00e1 trilhando o caminho que outros pa\u00edses j\u00e1 percorreram, como a Fran\u00e7a, que hoje exporta seu modelo de excel\u00eancia em gest\u00e3o p\u00fablica para todo o mundo\u201d, pondera.<\/div>\n<div>Elite<br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\">Antes vista como mal preparada, essa nova for\u00e7a de trabalho agora rivaliza e, em muitos casos, at\u00e9 supera em tempo de estudo os trabalhadores da iniciativa privada. Para cada funcion\u00e1rio do setor privado que estudou 15 anos ou mais, h\u00e1 pelo menos tr\u00eas servidores com a mesma escolaridade no pa\u00eds. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3o de obra total dispon\u00edvel para o trabalho, significa que apenas 10,4% dos trabalhadores privados t\u00eam 15 anos ou mais de estudo, enquanto que, na iniciativa p\u00fablica, esse \u00edndice \u00e9 de 35,5%.<\/span><\/div>\n<div>Os n\u00fameros fazem parte de um estudo in\u00e9dito preparado pelos economistas Fernando de Holanda Filho, Ana Luiza Neves e Jo\u00e3o Ricardo Lima, obtido com exclusividade pelo Correio. Conforme revelam, o tempo m\u00e9dio de estudo do trabalhador privado no Brasil \u00e9 de 9,3 anos. J\u00e1 o funcion\u00e1rio da administra\u00e7\u00e3o estatal, seja ele do governo federal ou de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos de estados e munic\u00edpios, acumula 11,7 anos de estudo.<\/div>\n<div>Por estudarem mais, esses profissionais tamb\u00e9m acumulam sal\u00e1rios maiores. Um outro estudo, preparado a pedido do Correio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), mostra que os sal\u00e1rios pagos aos servidores p\u00fablicos s\u00e3o, em m\u00e9dia, at\u00e9 1,5 vez maior que os de trabalhadores de empresas privadas. Ao passo que os servidores ganham em torno de R$ 2.839,08 mensais, os empregados do setor privado recebem, em m\u00e9dia, R$ 1.708,75.<\/div>\n<div>\u201cNa verdade, o setor p\u00fablico atrai as pessoas por duas raz\u00f5es: os sal\u00e1rios mais altos e a estabilidade no emprego. \u00c9 como um seguro que a pessoa faz, pois sabe que n\u00e3o ser\u00e1 demitida por qualquer raz\u00e3o\u201d, pondera o professor Fernando de Holanda Barbosa Filho, doutor em economia pela New York University e um dos maiores especialistas no pa\u00eds em rela\u00e7\u00f5es de produtividade e capital humano nas esferas p\u00fablica e privada.<\/div>\n<div>No mais recente estudo conduzido sobre o tema, Holanda Filho constatou que a diferen\u00e7a bruta entre os sal\u00e1rios do setor p\u00fablico e os do privado s\u00e3o de cerca de 108% em favor do funcionalismo, varia\u00e7\u00e3o que ele considera \u201cextremamente alta\u201d. \u201c\u00c9 uma aparente contradi\u00e7\u00e3o, porque se voc\u00ea tem um emprego em que n\u00e3o pode ser demitido nunca, em tese voc\u00ea deveria ganhar menos do que em um emprego mais inst\u00e1vel, em que voc\u00ea pode ser demitido a qualquer momento\u201d, observa.<\/div>\n<div>A diferen\u00e7a, ele refor\u00e7a, est\u00e1 na qualifica\u00e7\u00e3o. \u201cO brasileiro, em geral, \u00e9 pouco escolarizado. Ent\u00e3o, se voc\u00ea comparar o setor p\u00fablico com o privado, um dos motivos dessa discrep\u00e2ncia salarial \u00e9 justamente o maior grau de educa\u00e7\u00e3o do servidor p\u00fablico\u201d, explica Holanda.<\/div>\n<div>Satisfa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<div>Eduardo Azevedo de Lima, 43 anos, entrou no Minist\u00e9rio dos Transportes em 1998, por influ\u00eancia dos pais, os servidores aposentados Maria Helena, 72, e Cl\u00e1udio, 78. \u00c0 \u00e9poca, o curso superior de administra\u00e7\u00e3o estava sendo conclu\u00eddo. Mas a bagagem profissional, segundo ele, veio dos progenitores. A heran\u00e7a o fez ser aprovado no ano seguinte da conclus\u00e3o da faculdade. \u201cNo come\u00e7o, n\u00e3o gostava muito desse papo de concurso, mas hoje vejo que vale a pena\u201d, conta Lima.<\/div>\n<div>Al\u00e9m da estabilidade e do sal\u00e1rio de R$ 3,5 mil por m\u00eas, Lima acrescenta que aprendeu muito e se tornou um profissional melhor. \u201cN\u00e3o pretendo sair. Estou muito satisfeito, em todos os sentidos\u201d, diz. Ele ressalta ainda que n\u00e3o enxerga o trabalho em empresas privadas como grande vantagem. \u201cPoderia at\u00e9 ganhar mais. Por\u00e9m, n\u00e3o teria a estabilidade que tenho. Ent\u00e3o, \u00e9 melhor continuar onde estou, e sem reclamar\u201d, acrescenta.<\/div>\n<div>Ao contr\u00e1rio de Lima, h\u00e1 cinco anos, Edson Gomes de Almeida, 56, decidiu abandonar o servi\u00e7o p\u00fablico depois de trabalhar uma d\u00e9cada como auditor. Em troca, passou a receber um sal\u00e1rio muito maior \u2014 trocou R$ 4,5 mil por R$ 9 mil \u2014, pela mesma fun\u00e7\u00e3o, em uma empresa privada. Com isso, nem a estabilidade que costuma ser o alvo de muitos concurseiros foi capaz de prend\u00ea-lo no cargo p\u00fablico. \u201cMuitos amigos me chamam de louco por abrir m\u00e3o desse benef\u00edcio. Mas acho que isso n\u00e3o \u00e9 tudo\u201d, explica.<\/div>\n<div>Almeida ressalta que, antes de decidir, o que faria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida profissional, pensou na fam\u00edlia, nos dois filhos \u2014 Clara, 7, e Luiz Gustavo, 9 \u2014 e percebeu que poderia oferecer um futuro melhor a eles. Ent\u00e3o, aceitou a proposta de seu atual empregador. Ele confessa que, no come\u00e7o, ficou com receio de n\u00e3o dar certo. Mas, hoje, sabe que a escolha o levou a colher bons frutos. \u201cTudo mudou na minha vida, desde a alimenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 as viagens, que agora j\u00e1 podem ser internacionais. Em janeiro vamos para a Disney. J\u00e1 havia prometido a eles. Tenho que cumprir\u201d, diz.<\/p>\n<\/div>\n<div>Experi\u00eancia<\/div>\n<div>Marcio Sette Fortes fala com conhecimento de causa. H\u00e1 20 anos, ele trabalhou para o governo franc\u00eas, no Minist\u00e9rio da Economia e Finan\u00e7as. Na ocasi\u00e3o, teve a oportunidade de conhecer servidores p\u00fablicos superqualificados, egressos da tradicional Escola Nacional de Administra\u00e7\u00e3o, onde s\u00e3o formados os altos funcion\u00e1rios de Estado franceses, entre os quais ex-ministros e at\u00e9 o atual presidente daquele pa\u00eds, Fran\u00e7ois Hollande. Deu t\u00e3o certo o modelo que, anos depois, o Brasil tamb\u00e9m passou a investir na cria\u00e7\u00e3o de uma carreira de gestores p\u00fablicos.<\/div>\n<div>Jornada<\/div>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Outra compara\u00e7\u00e3o feita com base na jornada de trabalho e na remunera\u00e7\u00e3o nominal entre as duas categorias mostra uma diferen\u00e7a de rendimentos um pouco menor, de cerca de 84%. Isso se deve ao fato de que, no setor p\u00fablico, a jornada de trabalho \u00e9, em m\u00e9dia, 13% menor que a dos empregados do setor privado. No Brasil, um funcion\u00e1rio da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica trabalha cerca de 37,8 horas por semana, ao passo que, no setor privado, as jornadas s\u00e3o, em m\u00e9dia, de 43,4 horas semanais.<\/span><\/p>\n<div>Fonte: Correio Braziliense<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pa\u00eds em que ainda luta-se para se desvencilhar da posi\u00e7\u00e3o de atraso no ranking internacional de qualidade de ensino,<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":4410,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24019"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24019"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24019\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}