{"id":24509,"date":"2013-07-04T21:58:39","date_gmt":"2013-07-05T00:58:39","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=24509"},"modified":"2013-07-04T21:58:39","modified_gmt":"2013-07-05T00:58:39","slug":"prisoes-e-multas-para-desbloquear-rodovias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/prisoes-e-multas-para-desbloquear-rodovias\/","title":{"rendered":"Pris\u00f5es e multas para desbloquear rodovias"},"content":{"rendered":"<p><em>No terceiro dia de protestos e de fechamento de estradas em seis estados, o governo jogou duro contra os caminhoneiros. A presidente Dilma exigiu ontem a imediata desobstru\u00e7\u00e3o das rodovias, e a Pol\u00edcia Federal abriu inqu\u00e9rito para investigar o Movimento Uni\u00e3o Brasil Caminhoneiro (MUBC), organizador dos atos. O l\u00edder da entidade, N\u00e9lio Botelho, \u00e9 um dos alvos do Pal\u00e1cio do Planalto. Dirigente de uma cooperativa de transportadores, ele pode ter os contratos com a Petrobras suspensos. Pelo menos 11 pessoas j\u00e1 foram presas. A Justi\u00e7a, que havia ordenado a libera\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fego, aumentou para R$ 100 mil por hora a multa pelo descumprimento da decis\u00e3o. Em mais um dia de caos nas vias do pa\u00eds, moradores de Cosm\u00f3polis, interior de S\u00e3o Paulo, incendiaram as cabines de cobran\u00e7a de ped\u00e1gio em protesto contra o valor das tarifas.<\/em><\/p>\n<p>Diante da intransig\u00eancia dos caminhoneiros, que insistem em descumprir a ordem judicial para desobstru\u00edrem as estradas do pa\u00eds, a presidente Dilma Rousseff mandou prender e multar, em R$ 100 mil por hora, aqueles que insistirem em impedir o livre tr\u00e2nsito da popula\u00e7\u00e3o. At\u00e9 ontem \u00e0 noite, as for\u00e7as policiais j\u00e1 tinham levado 11 pessoas para a pris\u00e3o. &#8220;\u00c9 fundamental no pa\u00eds que as estradas n\u00e3o sejam interrompidas, e o meu governo n\u00e3o ficar\u00e1 quieto perante esse processo. Na nossa bandeira tem a palavra ordem, que significa democracia, mas tamb\u00e9m respeito \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o e de circula\u00e7\u00e3o das pessoas&#8221;, disse Dilma.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o aviso da presidente, a maioria dos manifestantes recuou, temendo repres\u00e1lias. A expectativa dos organizadores dos protestos, liderados pelo Movimento Uni\u00e3o Brasil Caminhoneiro (MUBC), era de que as obstru\u00e7\u00f5es em estradas de nove estados durassem at\u00e9 a manh\u00e3 de hoje. A entidade j\u00e1 havia sofrido um pesado golpe anteontem, ao ser multada em R$ 6,3 milh\u00f5es pela Justi\u00e7a Federal no Rio de Janeiro e ser avisada de que havia se tornado alvo de um inqu\u00e9rito aberto pela Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p>Para o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, a a\u00e7\u00e3o da PF \u00e9 mais do que justificada: o presidente do MUBC, N\u00e9lio Botelho, \u00e9 acusado de praticar crime de locaute, como \u00e9 chamada a greve de empresas prestadoras de servi\u00e7os por decis\u00e3o dos pr\u00f3prios empres\u00e1rios. O MBUC declarou, por meio de nota, que suas a\u00e7\u00f5es eram pac\u00edficas e que o seu presidente \u00e9 apenas um caminhoneiro, descartando a condi\u00e7\u00e3o de patr\u00e3o. Botelho acusou o governo de o ter transformado em bode expiat\u00f3rio para encobrir o tamanho e o sucesso das manifesta\u00e7\u00f5es num momento em que a popula\u00e7\u00e3o toma as ruas para cobrar mais efici\u00eancia do poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>Inicialmente, a multa aos caminhoneiros foi fixada em R$ 10 mil por hora. Mas, como descumpriram a determina\u00e7\u00e3o judicial, a puni\u00e7\u00e3o subiu para R$ 100 mil, conforme informou o advogado-geral da Uni\u00e3o, Luiz In\u00e1cio Adams. Ele tamb\u00e9m pediu a penhora dos bens do MUBC e de seu presidente.<\/p>\n<p>Locaute<br \/>\nSegundo o ministro da Justi\u00e7a, Jos\u00e9 Eduardo Cardozo, a Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal foi instru\u00edda a tentar negociar o fim das obstru\u00e7\u00f5es e avisar \u00e0 PF sobre eventuais resist\u00eancias aos apelos. &#8220;Em caso de crimes flagrantes, os policiais est\u00e3o autorizados a realizar pris\u00f5es de envolvidos&#8221;, ressaltou. Perguntado se o l\u00edder do movimento poderia ser preso em raz\u00e3o dos protestos, ele ressaltou que a autoridade policial tem liberdade de agir de forma preventiva, inclusive prendendo suspeitos. Na manifesta\u00e7\u00e3o mais violenta do dia, moradores de Cosm\u00f3polis (SP) incendiaram oito cabines de ped\u00e1gio na rodovia SP-332, contra o valor das tarifas, uma das bandeiras dos motoristas.<\/p>\n<p>Os resultados da rea\u00e7\u00e3o da presidente Dilma vieram ao longo do dia. A ind\u00fastria de alimentos Aurora, de Chapec\u00f3 (SC), informou que a sua produ\u00e7\u00e3o foi normalizada ap\u00f3s dois dias de interrup\u00e7\u00e3o, com a libera\u00e7\u00e3o de rodovias. A presidente da Confedera\u00e7\u00e3o de Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA), senadora K\u00e1tia Abreu (PSD-TO), disse que &#8220;fechar estradas n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o&#8221; para resolver problemas dos transportadores de cargas e seus motoristas. &#8220;\u00c9 um preju\u00edzo n\u00e3o apenas para o transporte rodovi\u00e1rio,<br \/>\nimportant\u00edssimo para o Brasil, mas para todos, at\u00e9 para aqueles que t\u00eam presta\u00e7\u00f5es de caminh\u00e3o para pagar&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Em Minas Gerais, a greve dos caminhoneiros deixou preju\u00edzos a empresas e aos consumidores. Um dos reflexos foi o aumento do pre\u00e7o de alimentos, como o da batata, cujo quilo no Ceasa de Contagem, maior entreposto do estado, subiu 29% entre ontem e a \u00faltima quarta-feira \u2014 de R$ 1,57 para R$ 2,02. Tamb\u00e9m houve desabastecimento de combust\u00edveis em cidades-polo: Juiz de Fora, na Zona da Mata; Congonhas, na Regi\u00e3o Central; Divin\u00f3polis, no Centro-Oeste; e Igarap\u00e9, na Grande BH. &#8220;Houve preju\u00edzo para toda a sociedade&#8221;, afirmou Vander Costa, presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg).<\/p>\n<p>A entidade calculou que, em m\u00e9dia, cada quil\u00f4metro com ve\u00edculos de cargas parados representou perda di\u00e1ria de R$ 50 mil a R$ 100 mil \u00e0s transportadoras. &#8220;Se fila \u00fanica, preju\u00edzo de R$ 50 mil. Se dupla,\u00a0R$ 100 mil. Cada caminh\u00e3o tem um custo di\u00e1rio em torno de R$ 1 mil. Cada quil\u00f4metro, em m\u00e9dia, comporta 50 caminh\u00f5es numa fila&#8221;, explicou Vander. Ele descartou, contudo, aumento no custo do frete.<\/p>\n<p>O ministro dos Transportes, C\u00e9sar Borges, que, na v\u00e9spera, havia comunicado ao colega da Justi\u00e7a sobre os ind\u00edcios de locaute e pedido provid\u00eancias, desqualificou o movimento do MUBC. Segundo ele, ap\u00f3s conversar com todas as entidades sindicais que representam os caminhoneiros e com os pr\u00f3prios motoristas, percebeu que se tratava de uma &#8220;a\u00e7\u00e3o isolada, minorit\u00e1ria e movida por interesses particulares, que buscavam benef\u00edcios para empresas&#8221;.<\/p>\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Transportadores Aut\u00f4nomos (CNTA), a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Transportes (CNTT), ligada \u00e0 Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) dizem n\u00e3o apoiar a MUBC.<\/p>\n<p>Borges fez quest\u00e3o de lembrar as amea\u00e7as feitas por Botelho na sexta-feira, pela imprensa, de desabastecimento de combust\u00edveis e alimentos com as manifesta\u00e7\u00f5es iniciadas na madrugada de segunda-feira. Mas o ministro descartou qualquer preju\u00edzo para a distribui\u00e7\u00e3o de mercadorias no pa\u00eds ou para o escoamento da safra, por entender que seus efeitos foram localizados.<\/p>\n<p>Ele acredita que os protestos come\u00e7aram fracos e v\u00e3o cessar antes do previsto. A grande extens\u00e3o dos eventos, sobretudo em Minas Gerais, deve-se, segundo Borges, \u00e0 interdi\u00e7\u00e3o de rodovias importantes. &#8220;Com dois a cinco caminh\u00f5es, provocam-se longas filas de quem n\u00e3o consegue seguir adiante&#8221;, ilustrou.<\/p>\n<p>Para o ministro, as demandas apresentadas por N\u00e9lio Botelho, a quem chamou de empres\u00e1rio frotista, contrariam leis ou est\u00e3o aqu\u00e9m das possibilidades do governo. &#8220;A isen\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a de ped\u00e1gio desrespeita contratos, o subs\u00eddio ao diesel j\u00e1 existe e mudan\u00e7as na Lei dos Caminhoneiros, sancionada ano passado, est\u00e3o sendo avaliadas pela Casa Civil e pelo Congresso&#8221;, resumiu.<\/p>\n<p>O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presid\u00eancia, Gilberto Carvalho, salientou que o governo estava aberto ao di\u00e1logo, mas n\u00e3o permitiria o pa\u00eds parar, e que a maior parte dos caminhoneiros \u00e9 contr\u00e1ria ao movimento. (Colaborou Paulo Henrique Lobato)<\/p>\n<p>\u00bb Isen\u00e7\u00e3o de ped\u00e1gio<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Especial do Congresso Nacional aprovou ontem o anteprojeto que regulamenta a profiss\u00e3o de motorista de transporte de carga e passageiro (Lei n\u00ba 12.619\/2012), com mudan\u00e7as. A principal delas foi a redu\u00e7\u00e3o do intervalo de descanso de 11 para oito horas. Uma emenda isentou da cobran\u00e7a de ped\u00e1gio o &#8220;eixo suspenso&#8221; dos caminh\u00f5es que trafegam nas rodovias sem carga. O texto vai agora tramitar por comiss\u00f5es da C\u00e2mara e do Senado.<\/p>\n<p>\u00bb\u00a0Multas e pris\u00f5es de caminhoneiros<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Dilma Rousseff diz que seu governo n\u00e3o ficar\u00e1 quieto diante dos movimentos que impe\u00e7am o livre tr\u00e2nsito nas estradas. Para ela, as paralisa\u00e7\u00f5es s\u00e3o comandadas por patr\u00f5es. At\u00e9 ontem \u00e0 noite, 11 pessoas haviam sido presas por descumprirem decis\u00e3o judicial.<\/span><\/p>\n<p>Fonte: Correio Braziliense<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No terceiro dia de protestos e de fechamento de estradas em seis estados, o governo jogou duro contra os caminhoneiros.<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":8201,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24509"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24509"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24509\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}