{"id":25132,"date":"2013-08-02T16:40:55","date_gmt":"2013-08-02T19:40:55","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=25132"},"modified":"2013-08-02T16:40:55","modified_gmt":"2013-08-02T19:40:55","slug":"com-dilma-enfraquecida-muda-o-jogo-no-congresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/com-dilma-enfraquecida-muda-o-jogo-no-congresso\/","title":{"rendered":"Com Dilma enfraquecida, muda o jogo no Congresso"},"content":{"rendered":"<p>As rela\u00e7\u00f5es da presidente Dilma Rousseff com a enorme e disforme base governista nunca foram tranquilas. Enquanto ostentava popularidade superior at\u00e9 mesmo \u00e0 de seu antecessor, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, e caminhava para uma folgada reelei\u00e7\u00e3o, os descontentamentos dos partidos aliados foram acomodados, ainda que com ranger de dentes e trai\u00e7\u00f5es veladas. O Congresso voltou ao trabalho com a presidente em outra situa\u00e7\u00e3o. Sua popularidade caiu \u00e0 metade, sua reelei\u00e7\u00e3o tornou-se um desafio e o que era inimagin\u00e1vel at\u00e9 junho virou realidade depois: a candidata Dilma \u00e9 vulner\u00e1vel. Os trabalhos legislativos refletir\u00e3o a mudan\u00e7a. A capacidade do governo de aprovar projetos, que j\u00e1 definhava, se tornar\u00e1 ainda menos segura, mais trabalhosa, mais sujeita a derrotas fragorosas &#8211; e mais cara. N\u00e3o \u00e9 uma perspectiva agrad\u00e1vel para o Planalto nem para o pa\u00eds, quando ainda falta mais de um ano at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A irrup\u00e7\u00e3o dos movimentos nas ruas desmanchou la\u00e7os pol\u00edticos que pareciam s\u00f3lidos. Os primeiros a desatarem foram justamente os eleitorais. O PMDB, que tinha assegurada sua continuidade na vice-presid\u00eancia em 2015, vive com mais intensidade o dilema dos partidos menores da coaliz\u00e3o-\u00f4nibus que sustenta o governo &#8211; ficar ou abandonar um governo que pode terminar impopular? Em uma das reuni\u00f5es, pol\u00edticos peemedebistas chegaram a estabelecer uma &#8220;banda de popularidade&#8221; que a presidente deveria atingir at\u00e9 determinada data para continuar merecendo o apoio da legenda &#8211; de 30% a 35%. \u00c9 rid\u00edculo, mas o problema \u00e9 real.<\/p>\n<p>Abriu-se o espa\u00e7o pol\u00edtico para o imprevis\u00edvel. A pr\u00e9-candidata em alta nas pesquisas para suceder Dilma, Marina Silva, n\u00e3o est\u00e1 no Congresso nem tem partido constitu\u00eddo. O bem avaliado governador de Pernambuco, Eduardo Campos, passou a ter peso maior nas duas canoas em que t\u00eam os p\u00e9s. Como governista, seu apoio nestas horas dif\u00edceis tornou-se mais precioso, e como oposi\u00e7\u00e3o, ficou mais tentadora, quase irresist\u00edvel, sua candidatura presidencial. A oposi\u00e7\u00e3o tucana est\u00e1 dividida e desnorteada. As pesquisas mostraram avan\u00e7os no apoio a A\u00e9cio Neves, discretos a ponto de n\u00e3o denotarem entusiasmo. E Jos\u00e9 Serra ainda disputa a indica\u00e7\u00e3o do PSDB.<\/p>\n<p>Aturdido, o PT ainda n\u00e3o mostrou rea\u00e7\u00e3o. A bandeira que come\u00e7ava a ser desfraldada pelos descontentes com Dilma, a do &#8220;Volta Lula&#8221;, ter\u00e1 de voltar para o arm\u00e1rio. Ela \u00e9 um atestado dos petistas de que comungam da avalia\u00e7\u00e3o declinante da presidente, que chegou ao Planalto pelas m\u00e3os de Lula. J\u00e1 perdas de popularidade adicionais ao n\u00edvel inc\u00f4modo em que se encontra Dilma trar\u00e1 mais problemas para Lula voltar. Patrono da presidente, seus extraordin\u00e1rios carisma e poder de comunica\u00e7\u00e3o podem ser insuficientes para se eleger novamente defendendo um governo, pelo qual \u00e9 respons\u00e1vel, que est\u00e1 sendo alvejado por todos os lados e que n\u00e3o possui grandes trunfos a mostrar.<\/p>\n<p>O governo tenta se mover para reagir ao efeito desagregador de uma economia que cresce, mas n\u00e3o muito, e \u00e0 eros\u00e3o de apoio nas pesquisas. O Planalto resolveu falar a linguagem direta que os parlamentares entendem &#8211; liberando recursos para atender emendas. Ser\u00e3o R$ 6 bilh\u00f5es at\u00e9 o fim do ano. O pre\u00e7o antes do recesso era um, agora deve ser outro, mais alto. L\u00edderes partid\u00e1rios consideram a libera\u00e7\u00e3o de emendas insuficiente, ou como diz Eduardo Cunha, l\u00edder do PMDB, ela \u00e9 &#8220;um detalhe&#8221;. Como o diabo sempre habita nos detalhes, o governo teme o pior e tamb\u00e9m busca simpatias nos Estados e munic\u00edpios, para os quais alocar\u00e1 R$ 35,8 bilh\u00f5es para projetos de mobilidade urbana e estendeu a capacidade de aumentar d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Essa rea\u00e7\u00e3o pode dar algum fruto e outras dependem at\u00e9 de mudan\u00e7a de temperamento da presidente. A coordena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 alvo de ataques at\u00e9 mesmo do PT, mas o fato \u00e9 que sem autonomia os coordenadores s\u00e3o apenas mensageiros &#8211; como se sabe, os primeiros a serem alvejados em caso de m\u00e1s novas. Trocas na coordena\u00e7\u00e3o e no minist\u00e9rio poderiam apaziguar alguns \u00e2nimos e parecem, at\u00e9 agora, descartadas. Tanto na \u00e1rea pol\u00edtica como na econ\u00f4mica o governo est\u00e1 acuado e n\u00e3o se vislumbram novas a\u00e7\u00f5es que mudem o jogo a seu favor. Se tudo continuar como est\u00e1, o Planalto passar\u00e1 um ano e meio sendo v\u00edtima de uma cruel ironia: mesmo tendo uma base de apoio esmagadora, conseguir\u00e1 aprovar cada vez menos projetos que podem ser do interesse do pa\u00eds. Poder\u00e1 ser um bloqueio e tanto.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As rela\u00e7\u00f5es da presidente Dilma Rousseff com a enorme e disforme base governista nunca foram tranquilas. 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