{"id":28054,"date":"2013-11-18T11:37:11","date_gmt":"2013-11-18T13:37:11","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=28054"},"modified":"2013-11-18T11:37:11","modified_gmt":"2013-11-18T13:37:11","slug":"policiais-nao-sao-maquinas-de-seguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/policiais-nao-sao-maquinas-de-seguranca\/","title":{"rendered":"Policiais n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1quinas de seguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Dentre os assuntos tratados pela m\u00eddia a partir da divulga\u00e7\u00e3o do Anu\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2013, destaco um ainda n\u00e3o tocado: a pessoa do policial. N\u00e3o falo dos policiais corruptos que cruzam a linha t\u00eanue entre o crime e sua coer\u00e7\u00e3o. Refiro-me \u00e0 maioria dos 675.996 policiais do pa\u00eds e especificamente aos quase 60 mil do Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Desde 2002 estudamos as condi\u00e7\u00f5es de vida, trabalho e sa\u00fade dos policiais civis e militares, na hip\u00f3tese de que seu bem-estar contribui para a seguran\u00e7a da sociedade. A l\u00f3gica do Estado democr\u00e1tico repousa sobre a coes\u00e3o e a coer\u00e7\u00e3o social, e a pol\u00edcia, no mundo inteiro, foi criada para manter esse equil\u00edbrio. Sua miss\u00e3o \u00e9 exercer o monop\u00f3lio da viol\u00eancia f\u00edsica leg\u00edtima em nome do Estado, substituindo a pr\u00e1tica da justi\u00e7a pelas pr\u00f3prias m\u00e3os.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o brasileira tamb\u00e9m atribui \u00e0 pol\u00edcia o nobre papel de proteger a sociedade, prevenir o crime e investigar os malfeitos que corroem a vida social. Apesar dessa miss\u00e3o indispens\u00e1vel, a pol\u00edcia no Brasil sempre foi desprezada e cobrada mais do que deveria. Quando h\u00e1 um contexto conflituoso e convulsionado como o que ocorre desde junho de 2013, o endurecimento policial, cujo efeito funesto para a coes\u00e3o social \u00e9 conhecido, sempre acaba sendo refor\u00e7ado. Poucos perguntam os motivos que provocam as desordens. Falta consci\u00eancia de que ordem e desordem s\u00e3o coprodu\u00e7\u00f5es, nas quais institui\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a t\u00eam papel t\u00e3o importante como as popula\u00e7\u00f5es com as quais se confrontam.<\/p>\n<p>Policiais n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1quinas de produzir seguran\u00e7a: enfrentam situa\u00e7\u00f5es de risco que os levam \u00e0 morte e a lesionar-se em propor\u00e7\u00f5es muito mais altas do que a popula\u00e7\u00e3o civil; suas jornadas s\u00e3o exercidas em condi\u00e7\u00f5es adversas e extenuantes; existe insufici\u00eancia de servidores para a quantidade de servi\u00e7o; e seus equipamentos de trabalho e prote\u00e7\u00e3o pessoal muitas vezes s\u00e3o impr\u00f3prios e inadequados.<\/p>\n<p>Nossos estudos e outros mostram que a dignidade pr\u00e9via de que os policiais se investem pelo papel essencial de poder de Estado n\u00e3o se sustenta quando inexistem condi\u00e7\u00f5es suficientes para exerc\u00ea-la. As pesquisas real\u00e7am o mal que lhes fazem a insatisfa\u00e7\u00e3o, a ansiedade e a falta de reconhecimento. A impossibilidade de expressar e ver acolhido seu sofrimento acabam se transformando em adoecimento e comorbidades como problemas gastrintestinais, disfun\u00e7\u00f5es card\u00edacas, ins\u00f4nia, irrita\u00e7\u00e3o, depress\u00e3o e outros agravos f\u00edsicos e mentais. Mas, mesmo enfrentando desvaloriza\u00e7\u00e3o profissional, a maioria gosta do que faz: seu papel social entranha tanto sua identidade que chega a definir o que s\u00e3o, como agem e como pensam.<\/p>\n<p>Assim, contra os que colocam na conta dos policiais todos os problemas de seguran\u00e7a p\u00fablica, minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 suscitar uma reflex\u00e3o social sobre a necessidade de reconhecimento do seu papel e do valor de sua contribui\u00e7\u00e3o. Policiais s\u00e3o homens e mulheres que, como n\u00f3s, sofrem, amam, desejam, t\u00eam medo, mas arriscam sua vida para nos proteger.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentre os assuntos tratados pela m\u00eddia a partir da divulga\u00e7\u00e3o do Anu\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2013, destaco um ainda<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":28075,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2,6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28054"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28054"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28054\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28054"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28054"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28054"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}