{"id":28960,"date":"2013-12-04T13:23:12","date_gmt":"2013-12-04T15:23:12","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=28960"},"modified":"2013-12-04T13:23:12","modified_gmt":"2013-12-04T15:23:12","slug":"mulheres-sao-as-mais-afetadas-pela-presenca-de-usuarios-de-droga-na-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/mulheres-sao-as-mais-afetadas-pela-presenca-de-usuarios-de-droga-na-familia\/","title":{"rendered":"Mulheres s\u00e3o as mais afetadas pela presen\u00e7a de usu\u00e1rios de droga na fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>Interfer\u00eancias no trabalho, inc\u00f4modos na vida social, pessimismo em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, furto de objetos pessoais na pr\u00f3pria casa, amea\u00e7as s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es vivenciadas cotidianamente por parentes de dependentes qu\u00edmicos que levam a consequ\u00eancias \u201cdevastadoras\u201d, segundo avalia\u00e7\u00e3o de pesquisadores. O impacto ocorre tanto no aspecto f\u00edsico e financeiro, como nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Estima-se que 28 milh\u00f5es de pessoas convivam com usu\u00e1rios de drogas no pa\u00eds. Os dados do Levantamento Nacional de Fam\u00edlias dos Dependentes Qu\u00edmicos, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), foram apresentados hoje (3) na capital paulista.<\/p>\n<p>O estudo aponta que quem mais sofre com o impacto negativo causado pela depend\u00eancia de \u00e1lcool ou subst\u00e2ncias il\u00edcitas s\u00e3o as mulheres, que representam 80% dos entrevistados e s\u00e3o, portanto, as respons\u00e1veis pelo tratamento dos usu\u00e1rios. As cuidadoras t\u00eam entre 35 e 64 anos. A empres\u00e1ria Regina Camarneiro, de 55 anos, conhece bem essa realidade. H\u00e1 quase oito anos, ela convive com o v\u00edcio do filho que usa coca\u00edna desde os 27 anos. &#8220;A fam\u00edlia fica abalada, o casamento acaba, n\u00e3o por conta disso, mas porque tudo se desestrutura\u201d, relatou Regina \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>A pesquisadora Maria de F\u00e1tima Padin destaca que os dados revelam uma sobrecarga sobre as mulheres, pois boa parte delas tamb\u00e9m \u00e9 chefe da fam\u00edlia. \u201cUma m\u00e3e cuida do ente querido, mas tamb\u00e9m de uma fam\u00edlia. Elas t\u00eam um desgaste, porque permanecem no tratamento. Precisamos olhar essa popula\u00e7\u00e3o com um olhar diferenciado\u201d, avaliou. Entre os parentes, as m\u00e3es, que representam 46% dos entrevistados, apresentam mais sintomas f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos na compara\u00e7\u00e3o com outros parentes.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, a fam\u00edlia do dependente qu\u00edmico geralmente apresenta maior situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e risco para o desenvolvimento de problemas de sa\u00fade. O levantamento aponta que 58% dos entrevistados relataram que a habilidade para trabalhar ou estudar foi afetada. Em rela\u00e7\u00e3o aos problemas na vida social, 47% apontaram dificuldades. O pessimismo em rela\u00e7\u00e3o ao futuro foi citado por 29% dos pesquisados; situa\u00e7\u00f5es de furto, por 26%; e 12% disseram ter sido amea\u00e7ados pelo parente usu\u00e1rio de drogas.<\/p>\n<p>Ainda sobre os problemas relacionados \u00e0 conviv\u00eancia com um dependente qu\u00edmico, 21% disseram temer que o paciente v\u00e1 beber ou se drogar at\u00e9 o fim da vida. \u201cEu me encaixo nesse grupo. Ele teve oferta de todos os tratamentos poss\u00edveis\u201d, disse Regina. Ela, que frequenta um grupo de m\u00fatua ajuda, explica que hoje entende que os recursos s\u00e3o limitados. \u201cNo Amor Exigente [grupo em que atua como volunt\u00e1ria], temos como um dos princ\u00edpios que os recursos se esgotam, os financeiros, os emocionais\u201d, relatou.<\/p>\n<p>O levantamento revela que mais da metade (57,6%) das fam\u00edlias t\u00eam outro parente usu\u00e1rio de drogas. Os entrevistados, no entanto, avaliam que as m\u00e1s companhias (46,8%), a autoestima baixa (26,1%) e a aus\u00eancia do pai (22,7%) foram os fatores de risco mais relevantes que levaram ao uso. Os fatores gen\u00e9ticos foram citados por 10,3% dos pesquisados. \u201cEsses dados simbolizam o quanto essas fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam orienta\u00e7\u00e3o. As m\u00e3es n\u00e3o sabem se o filho faz parte do grupo de risco\u201d, avaliou Padin. Ela cita que foram desconsiderados, por exemplo, fatores como o hist\u00f3rico familiar e a predisposi\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica, que pode ser gen\u00e9tica ou bioqu\u00edmica.<\/p>\n<p>A pesquisadora avalia que faltam pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo \u00e0 preven\u00e7\u00e3o. \u201cOs pais poderiam detectar se o filho faz parte de um grupo de risco e quais s\u00e3o os cuidados que podem ser dados precocemente. Quando se descobre o uso, os sinais j\u00e1 est\u00e3o salientados e s\u00f3 se busca ajuda quando o quadro se agrava\u201d, apontou. Entre os fatores que podem ser observados, ela cita, al\u00e9m do hist\u00f3rico familiar, comportamentos agressivos ou insucesso escolar. \u201cS\u00e3o sinais que preconizam que o indiv\u00edduo pode estar no in\u00edcio de utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi assim que a jornalista Cleide Cauduro, de 56 anos, percebeu que os filhos de 19 e 20 anos estavam usando \u00e1lcool e maconha. \u201cPercebi uma mudan\u00e7a de comportamento. Ficaram mais distantes, repetiram na escola. O menino ficava isolado, achei que ele estava deprimido. Foi quando procurei um psiquiatra\u201d, relatou. Ela conta que isso ocorreu com tr\u00eas dos quatro filhos. \u201cCom um acompanhamento, dois conseguiram parar, mas um deles precisou de interna\u00e7\u00e3o\u201d, contou. Segundo Cleide, os filhos est\u00e3o sem usar drogas h\u00e1 12 anos.<\/p>\n<p>A maior parte dos pacientes em tratamento era usu\u00e1rio de mais de um tipo de droga (73%), sendo mais da metade consumidora de maconha (68%) em combina\u00e7\u00e3o com outras subst\u00e2ncias. O \u00e1lcool foi citado por 62%, a coca\u00edna por 60,7% e o crack por 42,5%.<\/p>\n<p>Sobre o servi\u00e7o buscado pelos parentes, a interna\u00e7\u00e3o foi citada por 21,5%, enquanto centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial \u00c1lcool e Drogas (Caps AD), unidades de refer\u00eancia para atendimento a dependentes qu\u00edmicos, foi apontado por apenas 2,6%. Metade dos entrevistados disse saber o que s\u00e3o os Caps. Mas, mesmo entre os que conhecem, 46% nunca procuraram os servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O levantamento foi feito com 3.142 fam\u00edlias de dependentes qu\u00edmicos em tratamento. As entrevistas foram feitas entre junho de 2012 e julho de 2013, abrangendo todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. As institui\u00e7\u00f5es investigadas foram as comunidades terap\u00eauticas, cl\u00ednicas de interna\u00e7\u00e3o e grupos de m\u00fatua ajuda.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interfer\u00eancias no trabalho, inc\u00f4modos na vida social, pessimismo em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, furto de objetos pessoais na pr\u00f3pria casa, amea\u00e7as<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":28961,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28960"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28960"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28960\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}