{"id":29481,"date":"2013-12-18T17:00:57","date_gmt":"2013-12-18T19:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=29481"},"modified":"2013-12-18T17:00:57","modified_gmt":"2013-12-18T19:00:57","slug":"combate-a-crise-se-faz-com-valorizacao-dos-salarios-e-da-negociacao-coletiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/combate-a-crise-se-faz-com-valorizacao-dos-salarios-e-da-negociacao-coletiva\/","title":{"rendered":"Combate \u00e0 crise se faz com valoriza\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e da negocia\u00e7\u00e3o coletiva"},"content":{"rendered":"<p>Dirigido inicialmente \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o da AFL-CIO, o alerta do pr\u00eamio Nobel de Economia Joseph Stiglitz sobre a magnitude da desigualdade e da hiperconcentra\u00e7\u00e3o de renda iniciada com a quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, caiu como uma luva para o debate realizado pela Comiss\u00e3o Sindical Consultiva (TUAC) daOrganiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE).<\/p>\n<p>Como apontaram v\u00e1rios observadores no encontro da TUAC, realizado dia 11 de dezembro em Paris, as desigualdades econ\u00f4micas se traduzem cada vez mais em desigualdades pol\u00edticas, \u201ccom as enormes disparidades entre os ricos e o resto da popula\u00e7\u00e3o contribuindo para a acumula\u00e7\u00e3o significativa de poder pol\u00edtico por parte da camada mais acomodada\u201d. Uma situa\u00e7\u00e3o grav\u00edssima, particularmente quando o desemprego nos pa\u00edses industrializados segue sendo cerca de 50% superior ao de antes da crise.<\/p>\n<p>Enquanto os bancos e especuladores turbinam seus lucros com programas de \u201cajuste\u201d estruturais que reduzem os Estados a guardi\u00e3es dos interesses do sistema financeiro, com a privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e corte de direitos, nos pa\u00edses em desenvolvimento, h\u00e1 100 milh\u00f5es de pessoas a mais em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza. E as pol\u00edticas neoliberais continuam cavando o fosso sem fundo.<\/p>\n<p>O debate na TUAC foi sobre como incrementar a igualdade com um programa de pol\u00edticas para promover o crescimento inclusivo. Nossa contribui\u00e7\u00e3o se centrou na import\u00e2ncia estrat\u00e9gica do papel do Estado na luta contra as desigualdades e de como o sindicalismo, a partir do di\u00e1logo social e da negocia\u00e7\u00e3o coletiva pode e deve ser um forte aliado no enfrentamento \u00e0 crise. Reiteramos que apenas o crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o garante por si s\u00f3 a diminui\u00e7\u00e3o da pobreza e que o combate \u00e0 exclus\u00e3o social passa longe da l\u00f3gica do lucro a qualquer pre\u00e7o, que dirige um \u201cmercado\u201d cada vez mais tomado por monop\u00f3lios e oligop\u00f3lios.<\/p>\n<p>Como os governos progressistas do Brasil e de v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos t\u00eam demonstrado no combate \u00e0 crise internacional via fortalecimento do mercado interno, somente o Estado, atrav\u00e9s de pol\u00edticas afirmativas, pode incluir socialmente a popula\u00e7\u00e3o mais pobre e garantir justi\u00e7a social. Mas, para isso, como j\u00e1 alertou o economista Joseph Stiglitz, \u00e9 necess\u00e1rio fazer op\u00e7\u00f5es, que passam pelo respeito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o sindical, com di\u00e1logo social e negocia\u00e7\u00e3o coletiva com as entidades representativas dos trabalhadores, tudo o que nos querem negar os que provocaram a crise e que hoje ampliam seus lucros com ela.<\/p>\n<p>Diferente do receitu\u00e1rio neoliberal, em nosso pa\u00eds, investimentos do Estado em programas como o Bolsa Fam\u00edlia; de est\u00edmulo \u00e0 agricultura familiar; de fomento ao estudo e \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o da juventude universit\u00e1ria, como o ProUni; de respeito \u00e0s trabalhadoras dom\u00e9sticas \u2013 com a ratifica\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o 89 da OIT; foram decisivos para ampliar a cidadania a milh\u00f5es de pessoas, garantindo melhorias efetivas na qualidade de vida, com \u00eanfase nas mulheres e nos jovens. Obviamente, \u00e9 preciso avan\u00e7ar muito ainda em \u00e1reas como a reforma agr\u00e1ria, que segue travada pela press\u00e3o do agroneg\u00f3cio; ampliar os investimentos na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia; democratizar os meios de comunica\u00e7\u00e3o e preservar o patrim\u00f4nio p\u00fablico nacional, defendendo nossa soberania frente aos ataques dos cart\u00e9is estrangeiros.<\/p>\n<p>Conforme apontam v\u00e1rios estudos, a pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo acordada pela CUT e as demais centrais sindicais com o governo Lula \u2013 reflexo do fortalecimento da democracia e do di\u00e1logo social &#8211; possibilitou ganhos reais que impactaram a evolu\u00e7\u00e3o da massa salarial e do sal\u00e1rio m\u00e9dio do conjunto das categoriais. Reflexo deste avan\u00e7o, hoje o desemprego em nosso pa\u00eds \u00e9 de 5,2%, enquanto era de 13% na d\u00e9cada passada. Atualmente 95% dos acordos salariais s\u00e3o acima da infla\u00e7\u00e3o, enquanto em 2001 eram apenas 20%.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma realidade totalmente distinta das economias dos EUA e da Europa, que seguem na contram\u00e3o, buscando ampliar a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e fazer com que a sociedade pague por servi\u00e7os p\u00fablicos cada vez mais prec\u00e1rios, privatizados ou terceirizados. A f\u00f3rmula neoliberal para sair da crise tem consistido em mais do mesmo, buscando manter intocados os privil\u00e9gios \u2013 e superlucros &#8211; da casta dominante. Assim, no extremo superior da escala de rendimentos da OCDE, o 1% mais alto fica com a maior parte do incremento dos rendimentos, o que n\u00e3o apenas agrava o problema social, como produz s\u00e9rios preju\u00edzos econ\u00f4micos, tornando-se um obst\u00e1culo \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDados da OCDE mostram que a propor\u00e7\u00e3o da retribui\u00e7\u00e3o do trabalho na renda nacional diminuiu em 26 das 30 economias desenvolvidas de 1990 a 2009 e que o percentual m\u00e9dio da participa\u00e7\u00e3o do trabalho na renda nacional nestes pa\u00edses se reduziu de 66,1% a 61,7%, com a economia dos Estados Unidos patinando.<\/p>\n<p>Estudos divulgados no evento apontam que nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas o 0,1% do extremo superior da pir\u00e2mide, a nata das transnacionais e do sistema financeiro, multiplicou quase por quatro os seus ingressos nos EUA e na Inglaterra e por mais de tr\u00eas na Austr\u00e1lia. A elevada desigualdade tamb\u00e9m fulmina Israel e come\u00e7a a chegar com for\u00e7a na Alemanha, Dinamarca e Su\u00e9cia, alertam os economistas.<br \/>\nInfelizmente, este \u00e9 o quadro econ\u00f4mico de um retrocesso pol\u00edtico e sindical de grandes propor\u00e7\u00f5es. Afinal, nos EUA mais de 90% dos trabalhadores n\u00e3o t\u00eam direito \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o coletiva. Na Europa, os diferentes governos neoliberais t\u00eam reduzido o acesso aos direitos sociais e trabalhistas, enquanto as empresas ampliam suas margens de lucro.<\/p>\n<p>Frente a tais agress\u00f5es e diante da sua responsabilidade, a Confedera\u00e7\u00e3o Sindical Internacional dos Trabalhadores (CSI) e suas entidades filiadas devem ampliar a unidade e a mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora em todo o mundo para fazer a roda da economia e dos direitos, girar. Di\u00e1logo social, negocia\u00e7\u00e3o coletiva e liberdade sindical s\u00e3o, mais do que nunca, um imperativo do desenvolvimento sustent\u00e1vel, com distribui\u00e7\u00e3o de renda e valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho.<br \/>\nSe o mundo precisa crescer. Esta \u00e9 a nossa receita.<\/p>\n<p>Fonte: CUT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dirigido inicialmente \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o da AFL-CIO, o alerta do pr\u00eamio Nobel de Economia Joseph Stiglitz sobre a magnitude da desigualdade<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":29485,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2,6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29481"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29481"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29481\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}