{"id":32911,"date":"2014-03-31T16:39:41","date_gmt":"2014-03-31T19:39:41","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=32911"},"modified":"2014-03-31T16:39:41","modified_gmt":"2014-03-31T19:39:41","slug":"brasileiros-ainda-percebem-pouco-as-vantagens-da-democracia-dizem-estudos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/brasileiros-ainda-percebem-pouco-as-vantagens-da-democracia-dizem-estudos\/","title":{"rendered":"Brasileiros ainda percebem pouco as vantagens da democracia, dizem estudos"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-32913 alignright\" title=\"manifestacao\" src=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/manifestacao-300x187.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"187\" \/><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Realizado anualmente em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, estudo coordenado pelo Latinobar\u00f3metro aponta que o Brasil tem a segunda menor taxa de apoio ao regime democr\u00e1tico na regi\u00e3o, a frente apenas da Guatemala. Na pesquisa, cidad\u00e3os de 18 pa\u00edses latino-americanos tiveram de responder com qual frase mais concordavam: a democracia \u00e9 prefer\u00edvel a qualquer outra forma de governo; em algumas circunst\u00e2ncias, um governo autorit\u00e1rio pode ser prefer\u00edvel a um democr\u00e1tico; tanto faz, um regime democr\u00e1tico e um n\u00e3o democr\u00e1tico d\u00e1 no mesmo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A m\u00e9dia das pesquisas realizadas entre 1995 e 2013 aponta que somente 44% dos brasileiros dizem que a democracia \u00e9 a melhor escolha. Para 19%, um governo autorit\u00e1rio pode ser prefer\u00edvel em certas circunst\u00e2ncias e, para 24%, n\u00e3o faz diferen\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A Guatemala \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds da regi\u00e3o em que os entrevistados demonstraram menor apoio \u00e0 democracia na compara\u00e7\u00e3o com os brasileiros. L\u00e1, somente 38% preferem um regime que permita participa\u00e7\u00e3o a qualquer outro tipo de governo. Na outra ponta, o Uruguai \u00e9 o pa\u00eds com a maior m\u00e9dia de apoio ao modelo democr\u00e1tico: 78% dizem preferi-lo, enquanto 15% defendem o autoritarismo e 10% s\u00e3o indiferentes.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para especialistas, as pesquisas s\u00e3o reflexos da insatisfa\u00e7\u00e3o dos brasileiros com o funcionamento do regime democr\u00e1tico e n\u00e3o com o conceito de democracia. O cientista pol\u00edtico Jos\u00e9 \u00c1lvaro Mois\u00e9s, coordenador do N\u00facleo de Pesquisas em Pol\u00edticas P\u00fablicas (NUPPS) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e autor do livro\u00a0<em>A Desconfian\u00e7a Pol\u00edtica e Seus Impactos na Qualidade da Democracia<\/em>, diz que o grau de descren\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s principais institui\u00e7\u00f5es da democracia representativa \u00e9 muito elevado.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u201cSegundo pesquisas que fiz, no caso dos partidos pol\u00edticos, nada menos do que 82% da popula\u00e7\u00e3o desconfia deles e, no caso do Congresso Nacional, 79%\u201d, ressalta Mois\u00e9s. Embora a descren\u00e7a no Judici\u00e1rio seja menor, a sensa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a \u00e9 alta. \u201cAproximadamente 90% dos entrevistados de todos os segmentos sociais, regi\u00f5es do pa\u00eds, classe, sexo, etnia e religiosidade, consideram que a lei n\u00e3o trata os cidad\u00e3os de maneira igual, e quase 80% consideram que o acesso dos brasileiros \u00e0 Justi\u00e7a \u00e9 desigual, que n\u00e3o h\u00e1 oportunidades iguais de acesso.\u201d<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Segundo o soci\u00f3logo e professor da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) Eurico Cursino, o cidad\u00e3o brasileiro n\u00e3o tem voca\u00e7\u00e3o para viver calado, com medo, e, portanto, n\u00e3o contesta a democracia como valor cultural na sociedade, como direito de pensar e se expressar livremente. No entanto, como expressam as pesquisas e as manifesta\u00e7\u00f5es populares, h\u00e1 uma cr\u00edtica clara em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia como \u201cregra da disputa pol\u00edtica, da luta pelos cargos do Estado e tomada de decis\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O diretor-geral do Instituto Brasileiro de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (Ibri), Pio Penna Filho, destaca que o regime democr\u00e1tico \u00e9 prefer\u00edvel \u201cmesmo quando pensamos em uma democracia cara e ineficiente como a brasileira\u201d porque as pessoas podem participar, de alguma forma, das decis\u00f5es do Estado. Mas ela, sozinha, n\u00e3o basta. \u201cVemos um mundo pol\u00edtico muito desvinculado da sociedade, a classe pol\u00edtica brasileira perde a no\u00e7\u00e3o do compromisso social e isso desvaloriza a democracia\u201d, avalia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O economista do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) Jos\u00e9 Ronaldo Souza acredita que uma democracia equilibrada oferece melhores condi\u00e7\u00f5es para que um pa\u00eds receba investimentos. \u201cA democracia \u00e9 boa para gerar crescimento econ\u00f4mico \u00e0 medida que, dado o sistema de pesos e contrapesos, permite que os investidores tenham seguran\u00e7a maior do que com um grupo pol\u00edtico isolado que se apodera do governo\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os especialistas afirmam que a democracia brasileira sofre as consequ\u00eancias da falta de proatividade das elites em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade e dos cidad\u00e3os em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 classe pol\u00edtica. Cursino defende que alguns fatores hist\u00f3ricos fazem com que os brasileiros n\u00e3o se vejam como cidad\u00e3os respons\u00e1veis pelo governo do pa\u00eds, colocando-se em uma posi\u00e7\u00e3o passiva na maior parte do tempo.<\/p>\n<h3 align=\"JUSTIFY\">Pouca iniciativa<\/h3>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os n\u00edveis de associativismo da popula\u00e7\u00e3o brasileira em sindicatos, partidos pol\u00edticos, conselhos de sa\u00fade e or\u00e7amento participativo, associa\u00e7\u00f5es de moradores e de pais e mestres ficam em torno de 2%. Para Jos\u00e9 \u00c1lvaro Mois\u00e9s, essas rela\u00e7\u00f5es representam democracia de baixo para cima e, na medida em que se tornam densas o suficiente, t\u00eam for\u00e7a para influenciar no jogo democr\u00e1tico, ampliando a participa\u00e7\u00e3o do povo nas decis\u00f5es. \u201cIsso falta brutalmente na nossa sociedade\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Apesar dessa relativa passividade, Mois\u00e9s avalia que uma s\u00e9rie de exemplos nas d\u00e9cadas recentes mostram que quando se abre a estrutura de oportunidades para a participa\u00e7\u00e3o das pessoas, elas tendem a utiliz\u00e1-la. Ele cita as mobiliza\u00e7\u00f5es de trabalhadores na regi\u00e3o do ABC paulista, no final da d\u00e9cada de 1970, as Diretas J\u00e1!, na d\u00e9cada de 1980, o impeachment presidencial, na d\u00e9cada de 1990, e as manifesta\u00e7\u00f5es do ano passado.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u201cNenhum governo abriu grandes mecanismos de participa\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o. Todos os presidentes eleitos de 1988 para c\u00e1, sem exce\u00e7\u00e3o, mencionaram a reforma pol\u00edtica no discurso de posse e nenhum a fez\u201d, critica o cientista pol\u00edtico, destacando que h\u00e1 poucas iniciativas de baixo para cima, como as leis da Ficha Limpa e da Improbidade Administrativa, ambas de iniciativa popular, e nenhuma de cima para baixo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Apesar de todas as cr\u00edticas, as manifesta\u00e7\u00f5es recentes, na maior parte formada por jovens que n\u00e3o viveram o regime militar no Brasil, n\u00e3o questionam a import\u00e2ncia do regime democr\u00e1tico. Ao contr\u00e1rio, pedem \u201cmais democracia\u201d. Segundo Mois\u00e9s, apesar de n\u00e3o estarem perto do desejado, os indicadores sociais melhoraram muito desde o fim da ditadura.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Fonte: Rede Brasil Atual<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Realizado anualmente em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, estudo coordenado pelo Latinobar\u00f3metro aponta que o Brasil tem a segunda menor<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":32913,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32911"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32911\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}