{"id":33836,"date":"2014-04-16T11:41:47","date_gmt":"2014-04-16T14:41:47","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=33836"},"modified":"2014-04-16T11:41:47","modified_gmt":"2014-04-16T14:41:47","slug":"formacao-de-liderancas-e-estrategia-para-garantir-futuro-de-geracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/formacao-de-liderancas-e-estrategia-para-garantir-futuro-de-geracoes\/","title":{"rendered":"Forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as \u00e9 estrat\u00e9gia para garantir futuro de gera\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/interna_pequena\/public\/fotos\/911179-pesca%20artesanal%20%283%29.jpg?itok=sXYq-uXZ\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/>Ningu\u00e9m melhor para falar em nome dos ribeirinhos do que os pr\u00f3prios ribeirinhos. Com essa tese em mente e muitas dificuldades a superar, as comunidades t\u00eam encontrado na forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as uma arma importante para a organiza\u00e7\u00e3o e luta por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>\u201cCandidato aqui oferece de tudo. Mas, se perde [a elei\u00e7\u00e3o], n\u00e3o faz nada porque n\u00e3o tem como fazer. E se ganha, n\u00e3o faz porque diz ser muito dif\u00edcil fazer\u201d, lamenta o presidente da comunidade S\u00e3o Francisco, Raimundo Ribeiro da Silva, 49 anos. Localizada na Reserva Mamirau\u00e1, a cerca de tr\u00eas horas em lancha r\u00e1pida do munic\u00edpio de Tef\u00e9 (AM), a comunidade \u00e9 o lar de 22 fam\u00edlias ribeirinhas.<\/p>\n<p>\u201cTemos muitos problemas por aqui. Falta po\u00e7o artesiano, energia el\u00e9trica, \u00e1gua tratada e uma escola mais adequada e organizada\u201d, disse o l\u00edder local que tem como atribui\u00e7\u00e3o \u201cidentificar as dificuldades da comunidade e apresent\u00e1-las \u00e0s autoridades p\u00fablicas\u201d. Ele reclama tamb\u00e9m da falta de financiamentos para ajud\u00e1-los a plantar e colher. \u201cTem muita coisa a ser feita. O que n\u00e3o podemos \u00e9 parar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A cerca de duas horas dali (usando lancha voadeira), fica a comunidade Vila Alencar, onde mora o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Auxiliares e Guias de Ecoturismo Mamirau\u00e1 (Aagemam), Isael da Silva Mendon\u00e7a, 33 anos, que tamb\u00e9m trabalha como <a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2014-04\/comunidade-cria-pousada-com-foco-em-turismo-ecologico\" target=\"_blank\">guia tur\u00edstico da Pousada Uacari<\/a>, uma proposta de turismo ecol\u00f3gico de base comunit\u00e1ria que tem como pilar a sustentabilidade.<\/p>\n<p>Foi em um dos cursos de gest\u00e3o comunit\u00e1ria oferecidos pelo Instituto Mamirau\u00e1 \u2013 parceiro das comunidades ribeirinhas na cogest\u00e3o da pousada \u2013 que Isael identificou a voca\u00e7\u00e3o de ser l\u00edder local. \u201cEu senti que estava preparado para a presid\u00eancia da Aagemam [posto que ocupa desde 2009]. Antes dos cursos, eu n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o do que se fazia nem como se fazia uma associa\u00e7\u00e3o. Os funcion\u00e1rios e os cursos oferecidos pelo instituto me ajudaram a ter essa no\u00e7\u00e3o e de como trabalhar com pessoas. Aprendi tamb\u00e9m como gerir as quest\u00f5es jur\u00eddicas tanto da associa\u00e7\u00e3o quanto da pousada\u201d, disse Isael \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>\u201cAntes eu ia trabalhar e pronto. Mas a vis\u00e3o mudou. Entendi que \u00e9 necess\u00e1rio ter responsabilidades e cuidados para o futuro de nossas crian\u00e7as, que precisam seguir com uma mentalidade voltada para a <a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2014-04\/ribeirinhos-da-Amaz%C3%B4nia-apostam-na-pesca-sustentavel-e-no-manejo-florestal\" target=\"_blank\">sustentabilidade daqui<\/a>. Caso contr\u00e1rio, o futuro de nossas fam\u00edlias ficar\u00e1 comprometido\u201d, disse ele, pai de tr\u00eas filhos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/foto\/2014-04\/desenvolvimento-sustentavel-e-desafio-para-ribeirinhos\" target=\"_blank\"><strong>&gt;&gt; Veja galeria de fotos<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Com o caminho aberto pelos cursos, a Vila Alencar \u2013 comunidade com 30 casas, 32 fam\u00edlias e 160 pessoas, das quais 42 crian\u00e7as \u2013 acabou se tornando uma verdadeira \u201cf\u00e1brica de lideran\u00e7as\u201d. Caso da agente de Sa\u00fade Comunit\u00e1ria, presidente do Grupo de Mulheres e 2\u00aa tesoureira da comunidade, Ivone Brasil Carvalho, 28 anos, e da gerente da Pousada Uacari, Ednelza Martins da Silva, 42 anos.<\/p>\n<p>\u201cOs cursos t\u00e9cnicos de organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria promovidos pelo instituto ajudaram muito a melhorar nossa comunidade\u201d, disse Ivone ao se referir \u00e0s aulas sobre pescado, agricultura e forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as, entre outros. \u201cAprendemos inclusive a reivindicar de forma mais eficiente com a prefeitura. Isso nos ajudou a formar lideran\u00e7as e profissionais prestadores de servi\u00e7os, tanto para a nossa comunidade como para comunidades vizinhas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Localizada no Lago Puraquequara, a cerca de duas horas em lancha r\u00e1pida de Manaus (AM), a comunidade S\u00e3o Francisco do Main\u00e3 teve de se organizar porque corria o risco de ser \u201cdizimada\u201d, a exemplo de outras popula\u00e7\u00f5es locais que \u201csempre viveram com sua paz, resid\u00eancias e agricultura\u201d, disse o presidente da associa\u00e7\u00e3o de moradores, Francisco Mateus da Silva, 56 anos. \u201cNossa comunidade tem mais de 100 anos, mas foi h\u00e1 cerca de 40 que ela come\u00e7ou a ficar mais organizada\u201d, lembra.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma hist\u00f3ria muito bonita a ser contada. Uma hist\u00f3ria como a de Davi e Golias\u201d, acrescentou Marcelo Mateus Silva, 35 anos, irm\u00e3o de Francisco, referindo-se aos problemas envolvendo a comunidade e o Ex\u00e9rcito. Nos anos 60, as terras foram doadas pelo governo do estado \u00e0 Uni\u00e3o que as repassou, uma d\u00e9cada depois, ao Ex\u00e9rcito \u201csem que qualquer indeniza\u00e7\u00e3o fosse paga para retirar os moradores que j\u00e1 viviam no local\u201d, explicou Francisco.<\/p>\n<p>As dificuldades de negocia\u00e7\u00e3o com o Ex\u00e9rcito foram grandes porque o local \u00e9 uma esp\u00e9cie de atalho usado pelos soldados para se deslocar pela regi\u00e3o, com rios profundos em condi\u00e7\u00f5es de receber navios de todos os portes. \u201cPara nos pressionar, tentaram nos obrigar a assinar um termo que restringia todas as nossas atividades. Principalmente a pesca e a agricultura. \u00c9ramos impedidos at\u00e9 de plantar \u00e1rvores\u201d, disse Marcelo.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo o advogado contratado pelas lideran\u00e7as estava pessimista quanto ao caso. \u201cEst\u00e1vamos prestes a abandonar tudo. Para piorar, o advogado sempre dizia que nossa causa era imposs\u00edvel de ser ganha, porque est\u00e1vamos brigando com uma entidade muito poderosa. Ningu\u00e9m queria pegar a causa. Fomos for\u00e7ados a correr atr\u00e1s de apoio. Um padre local acionou a C\u00e1ritas [organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria ligada \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica], fomos \u00e0 Assembleia Legislativa, \u00e0 C\u00e2mara Municipal, participamos de audi\u00eancias p\u00fablicas no Congresso Nacional e tivemos a ajuda do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Pastoral da Terra\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Francisco explica que essas entidades \u201cn\u00e3o iam para a frente de batalha\u201d, mas ensinaram a comunidade a agir. \u201cAprendemos a n\u00e3o nos retrair e a n\u00e3o ficar esperando que fa\u00e7am as coisas pela gente. Aprendemos a ir e fazer\u201d, lembra ele. Como n\u00e3o podiam produzir, a situa\u00e7\u00e3o ficava cada vez mais dif\u00edcil. \u201cMas,om organiza\u00e7\u00e3o social e colabora\u00e7\u00e3o, superamos todos os tipos de problemas que apareceram\u201d, disse Marcelo. \u201cPercebemos, ent\u00e3o, que somos fortes\u201d, completou.<\/p>\n<p>O resultado de 40 anos de luta chegou a um desfecho em agosto de 2013, quando a comunidade de S\u00e3o Francisco do Main\u00e3 conseguiu, em a\u00e7\u00e3o coletiva, um t\u00edtulo de Concess\u00e3o de Direito Real de Uso (CDRU). Com isso, a ocupa\u00e7\u00e3o e o uso dos cerca de 400 hectares de terra foram legalizados.<\/p>\n<p>\u201cNunca quisemos sair daqui. Temos uma natureza linda e maravilhosa. Cuidamos dela, ningu\u00e9m a desmata e sabemos o qu\u00e3o importante \u00e9 preserv\u00e1-la. Ficamos dois anos sem entrar no igarap\u00e9 nem plantar. Agora tivemos autoriza\u00e7\u00e3o e estamos voltando a plantar para praticar agricultura familiar\u201d, comemora Francisco.<\/p>\n<p>Por 11 dias, no m\u00eas de fevereiro, a equipe de reportagem da Ag\u00eancia Brasil viajou pela Amaz\u00f4nia para conhecer o dia a dia dessas comunidades. A vida dos ribeirinhos tamb\u00e9m ser\u00e1 destaque no programa <em>Caminhos da Reportagem<\/em>, que ser\u00e1 exibido pela TV Brasil nessa quinta-feira (17), \u00e0s 22h.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/node_gallery_display\/public\/infografico_ribeirinhos_ok.jpg?itok=zopLNTNA\" alt=\"\" width=\"404\" height=\"1300\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m melhor para falar em nome dos ribeirinhos do que os pr\u00f3prios ribeirinhos. Com essa tese em mente e muitas<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":33842,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33836"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33836"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33836\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33836"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33836"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}