{"id":34453,"date":"2014-04-29T19:20:34","date_gmt":"2014-04-29T22:20:34","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=34453"},"modified":"2014-04-29T19:20:34","modified_gmt":"2014-04-29T22:20:34","slug":"a-politica-e-parte-da-solucao-nao-do-problema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/a-politica-e-parte-da-solucao-nao-do-problema\/","title":{"rendered":"A pol\u00edtica \u00e9 parte da solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o do problema"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por: <strong>Marcos Verlaine<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto e de avalia\u00e7\u00e3o do governo, al\u00e9m de opini\u00e3o de especialistas e analistas pol\u00edticos detectam que na elei\u00e7\u00e3o de 5 de outubro pr\u00f3ximo poder\u00e1 haver uma enxurrada de votos brancos e nulos. Fruto do ceticismo, que campeia n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o ao processo pol\u00edtico-eleitoral em curso, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida de parcela do eleitor brasileiro.<\/p>\n<p>Na \u00faltima pesquisa de inten\u00e7\u00e3o de voto realizada pelo<em>\u00a0Ibope<\/em>\u00a0e divulgada na \u00faltima quinta-feira (17), os votos brancos e nulos aparecem em segundo lugar, com 24%, logo depois de Dilma, com 37%.<\/p>\n<p>Some-se a essa expectativa negativa, a possibilidade, tamb\u00e9m, de grande percentual de absten\u00e7\u00e3o, que, segundo o\u00a0<em>Dicion\u00e1rio inFormal<\/em>, \u00e9 \u201cdeixar, intencionalmente, de exercer um direito ou uma fun\u00e7\u00e3o.\u201d Assim, aguarda-se uma \u201celei\u00e7\u00e3o do ceticismo\u201d, como descreve em artigo a jornalista Tereza Cruvinel, no\u00a0<em>Correio Braziliense<\/em>\u00a0deste \u00faltimo domingo (20).<\/p>\n<p>No artigo, Cruvinel chama a aten\u00e7\u00e3o para dois aspectos das pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de votos divulgadas recentemente.<\/p>\n<p>Um, s\u00e3o as quedas da presidente Dilma. Na pesquisa\u00a0<em>Datafolha<\/em>\u00a0divulgada no dia 5, Dilma, candidata \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, caiu de 44% em fevereiro para 38%. Na pesquisa Ibope, do \u00faltimo dia 17, a presidente caiu de 40% para 37%.<\/p>\n<p>O outro aspecto que preocupa e que a esta altura da campanha eleitoral j\u00e1 deveria ter sido alterado (estancado), \u00e9 o alto \u00edndice (esperado) de votos brancos e nulos.<\/p>\n<p>No pleito de 2010, a porcentagem de votos em branco tamb\u00e9m cresceu em compara\u00e7\u00e3o com as elei\u00e7\u00f5es de 2006, mas em nada se compara com a expectativa para o pleito de 2014. Foram 3,13% em 2010 (3,4 milh\u00f5es), contra 2,73% em 2006 e 3,03% em 2002. J\u00e1 os votos nulos v\u00eam caindo nas \u00faltimas tr\u00eas elei\u00e7\u00f5es: 7,35% em 2002, 5,68% em 2006 e 5,51% em 2010 (6,1 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, no pleito de 2010, 18,12% dos eleitores n\u00e3o votaram, o que d\u00e1 24,6 milh\u00f5es de votos n\u00e3o validados contra 111,1 milh\u00f5es computados. Em 2002, a absten\u00e7\u00e3o foi de 17,74% e em 2006 de 16,75%. Agora, para o pleito de 2014 aguarda-se um \u00edndice avassalador de n\u00e3o comparecimento \u00e0s urnas.<\/p>\n<p>Tr\u00eas problemas imbricados<br \/>\nEsse fen\u00f4meno \u2013 absten\u00e7\u00f5es, votos brancos e nulos \u2013 cuja soma \u00e9 conhecida na Ci\u00eancia Pol\u00edtica como \u00cdndice de Aliena\u00e7\u00e3o Eleitoral (IAE), pode estar relacionado a tr\u00eas fatores que t\u00eam atuado juntos, n\u00e3o s\u00f3 na conjuntura pol\u00edtica, mas como fatores hist\u00f3ricos que t\u00eam ajudado a \u201cqueimar\u201d a pol\u00edtica, os partidos e, por conseguinte, a participa\u00e7\u00e3o popular como meio para alterar a realidade.<\/p>\n<p>O primeiro desses fatores \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o, sobretudo dos agentes p\u00fablicos-pol\u00edticos, que no Brasil ganhou uma dimens\u00e3o para al\u00e9m de sua realidade, j\u00e1 que tem se procurado criar mecanismos n\u00e3o s\u00f3 para combat\u00ea-la, mas tamb\u00e9m coibi-la.<\/p>\n<p>Os mecanismos de controle t\u00eam se aprimorado no Pa\u00eds, leis t\u00eam sido aprovadas no Congresso, a fim de combat\u00ea-la e tamb\u00e9m de punir os agentes p\u00fablicos-pol\u00edticos que se desviam \u00e9tica e moralmente.<\/p>\n<p>A pergunta \u00e9: por que temos a impress\u00e3o que nesse quesito o Pa\u00eds piorou, quando, efetivamente, melhorou?<\/p>\n<p>Aposto em duas vari\u00e1veis para responder a esta indaga\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muitas outras, mas avalio que estas duas que cito s\u00e3o as mais relevantes no momento hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Uma \u00e9 a desinforma\u00e7\u00e3o, que por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 ruim, mas agregada \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o torna o problema ainda mais devastador do que j\u00e1 o \u00e9 propriamente.<\/p>\n<p>A outra, segundo dos tr\u00eas fatores, \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o editorializada de parte expressiva da velha m\u00eddia, que deseduca politicamente a popula\u00e7\u00e3o, sobretudo aquela menos abastada. S\u00e3o v\u00e1rios exemplos, cotidianos e hist\u00f3ricos. O notici\u00e1rio di\u00e1rio eletr\u00f4nico \u2013 r\u00e1dio e TV \u2013 e impresso, as novelas, os filmes, enfim, tudo serve \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o a partir dos interesses pol\u00edticos e at\u00e9 ideol\u00f3gicos dos donos dos meios.<\/p>\n<p>O atual est\u00e1gio da velha m\u00eddia, com suas posi\u00e7\u00f5es de classe, agrega os setores mais conservadores e abastados da popula\u00e7\u00e3o e procura desagregar os setores mais populares, numa clara inten\u00e7\u00e3o de definir a seu favor quem comandar\u00e1 politicamente o Pa\u00eds pelos pr\u00f3ximos quatro anos.<\/p>\n<p>Manipula\u00e7\u00e3o e mentira<br \/>\nLembram-se de dezembro de 2013? Quando os jornal\u00f5es manchetearam que o com\u00e9rcio teria tido o pior resultado em 11 anos. Mas se as vendas de 2013 foram maiores do que em 2012, como considerar que foi o pior resultado em 11 anos? Tratou-se de manipula\u00e7\u00e3o para passar a ideia de crise. Este \u00e9 s\u00f3 um exemplo.<\/p>\n<p>O pensamento conservador propagado diuturnamente pela velha m\u00eddia estimula o individualismo, a \u201ccarreira solo\u201d, o cada um por si, ao mesmo tempo em que desestimula a luta social coletiva como meio comum para se combater as mazelas do Pa\u00eds e das elites, sobretudo, a econ\u00f4mica. Contribuindo assim para um processo incivilizat\u00f3rio crescente.<\/p>\n<p>O terceiro fator \u00e9 a aliena\u00e7\u00e3o decorrente destes dois fatores anteriores. Esmagados por uma enxurrada de not\u00edcias negativas, ruins, desalentadoras e pessimistas, parcela expressiva dos setores m\u00e9dios brasileiros \u201cradicalizam\u201d se abstendo da pol\u00edtica, da participa\u00e7\u00e3o organizada.<\/p>\n<p>Pior, al\u00e9m de n\u00e3o participarem, satanizam a pol\u00edtica e qualquer forma de organiza\u00e7\u00e3o social. S\u00f3 negam a pol\u00edtica os ing\u00eanuos e os maus intencionados. Os primeiros perdem com isso e nem se d\u00e3o conta do mal que fazem para si pr\u00f3prios. Os segundos, talvez, nada percam ou at\u00e9 se beneficiam disso, mas fazem mal \u00e0 democracia.<\/p>\n<p>Os grandes e complexos problemas sociais nacionais e locais s\u00f3 ser\u00e3o resolvidos por meio da pol\u00edtica e da participa\u00e7\u00e3o social. Isto \u00e9, n\u00e3o h\u00e1 f\u00f3rmulas m\u00e1gicas e salvacionistas.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica \u00e9 parte da solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o do problema!<\/p>\n<p><em><em><strong>Marcos Verlaine<\/strong> \u00e9 j<\/em>ornalista, analista pol\u00edtico e assessor parlamentar do Diap.<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Diap<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Marcos Verlaine Pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto e de avalia\u00e7\u00e3o do governo, al\u00e9m de opini\u00e3o de especialistas e analistas<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":25152,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34453"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34453"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34453\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}