{"id":35837,"date":"2014-05-29T22:32:27","date_gmt":"2014-05-30T01:32:27","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=35837"},"modified":"2014-05-29T22:32:27","modified_gmt":"2014-05-30T01:32:27","slug":"numero-de-cesarianas-no-brasil-e-mais-que-o-triplo-do-recomendado-pela-oms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/numero-de-cesarianas-no-brasil-e-mais-que-o-triplo-do-recomendado-pela-oms\/","title":{"rendered":"N\u00famero de cesarianas no Brasil \u00e9 mais que o triplo do recomendado pela OMS"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) recomenda que no m\u00e1ximo 15% dos partos sejam cesarianas, no Brasil o \u00edndice \u00e9 de 52%, chegando a 88% na rede privada. Os dados est\u00e3o na pesquisa in\u00e9dita\u00a0<em>Nascer no Brasil: Inqu\u00e9rito Nacional sobre Parto e Nascimento<\/em>, feita pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, divulgada hoje (29).<\/p>\n<p>A pesquisa acompanhou o pr\u00e9-natal e o parto de 23.894 mulheres em maternidades p\u00fablicas, privadas e mistas em 191 munic\u00edpios em todos os estados. A coleta de dados ocorreu de fevereiro de 2011 a outubro de 2012. Para a coordenadora da pesquisa, Maria do Carmo Leal, os resultados s\u00e3o alarmantes, j\u00e1 que a interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica exp\u00f5e a m\u00e3e e o beb\u00ea a riscos desnecess\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cUm preju\u00edzo que a crian\u00e7a pode ter \u00e9 ela nascer antes do tempo que estaria pronta para nascer e, portanto, pode ter dificuldade para respirar, pode precisar ir para uma UTI [Unidade de Tratamento Intensivo] neonatal, e isso \u00e9 um imenso preju\u00edzo no come\u00e7o da vida, essa separa\u00e7\u00e3o da m\u00e3e. Para a m\u00e3e, o primeiro risco \u00e9 que a ces\u00e1rea \u00e9 uma cirurgia,\u00a0 e como tal tem maior chance de hemorragia, de infec\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m a recupera\u00e7\u00e3o da mulher \u00e9 pior na ces\u00e1rea do que no parto vaginal\u201d, comparou.<\/p>\n<p>No Brasil, 28% das mulheres come\u00e7am o pr\u00e9-natal querendo a ces\u00e1rea, enquanto a m\u00e9dia mundial \u00e9 de 10%. O dado preocupa a pesquisadora, que defende uma mudan\u00e7a na cultura do parto no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cTem uma cultura na sociedade, muitas mulheres hoje realmente j\u00e1 acham que a ces\u00e1rea \u00e9 uma boa forma de ter parto. E para os m\u00e9dicos tamb\u00e9m, \u00e9 conveniente para eles que a ces\u00e1rea aconte\u00e7a porque organiza a vida deles, marca uma atr\u00e1s da outra e n\u00e3o fica \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do tempo que voc\u00ea n\u00e3o controla, que \u00e9 o tempo de nascimento de cada crian\u00e7a. \u00c9 verdade que m\u00e9dicos podem induzir a mulher a fazer a ces\u00e1rea, mas o sistema est\u00e1 todo organizado de uma forma a promover isso\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Maria do Carmo, nos pa\u00edses desenvolvidos que tamb\u00e9m vinham aumentando as taxas de ces\u00e1rea, os \u00edndices come\u00e7aram a diminuir por causa das evid\u00eancias cient\u00edficas de riscos para a mulher e para o beb\u00ea na gesta\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o e tamb\u00e9m nas seguintes. Para ela, governo e sociedade precisam se mobilizar para reverter o quadro.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas, h\u00e1 necessidade das mulheres se movimentarem tamb\u00e9m, lerem mais sobre o parto e sobre o risco da ces\u00e1rea. As mulheres tem um papel importante, que \u00e9 se informar, mas acho que tem que ter uma mudan\u00e7a de atitude, de cultura m\u00e9dica tamb\u00e9m. N\u00e3o acontece t\u00e3o facilmente\u201d, avaliou.\u00a0 \u201cO Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tem trabalhado muito, j\u00e1 teve v\u00e1rias iniciativas para diminuir a quantidade de ces\u00e1reas no pa\u00eds e n\u00e3o tem obtido sucesso\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Com o tema A M\u00e3e Sabe Parir e o Beb\u00ea Sabe Como e Quando Nascer, o estudo tamb\u00e9m mostra que, mesmo nos partos normais, o atendimento n\u00e3o atende \u00e0s boas pr\u00e1ticas recomendadas pela OMS, o que provoca dor e sofrimento desnecess\u00e1rio. Entre as pr\u00e1ticas comuns est\u00e3o a de deixar a mulher em trabalho de parto apenas no leito, sem est\u00edmulo para caminhar e sem alimenta\u00e7\u00e3o durante o per\u00edodo, a de oferecer rem\u00e9dios para acelerar as contra\u00e7\u00f5es e a de deixar as mulheres darem \u00e0 luz deitadas, de costas.<\/p>\n<p>Os dados ainda apontam que, no Brasil, entre as m\u00e3es de baixo risco, apenas 19,8% tiveram presen\u00e7a cont\u00ednua de acompanhante, 25,6% puderam se alimentar, 46,3% foram estimuladas a se movimentar e 28% tiveram acesso a procedimentos n\u00e3o farmacol\u00f3gicos para al\u00edvio da dor. Apenas 5% dos partos ocorre sem interven\u00e7\u00f5es, enquanto no Reino Unido o n\u00famero chega a 40%.<\/p>\n<p>Quanto aos cuidados com o beb\u00ea, entre os rec\u00e9m-nascidos saud\u00e1veis, apenas 28,2% tiveram contato pele a pele com a m\u00e3e ap\u00f3s o nascimento, 16,1%\u00a0 receberam o seio na sala de parto e 44% mamaram na primeira hora. O alojamento conjunto foi verificado em 69% dos casos. As interven\u00e7\u00f5es nos beb\u00eas tamb\u00e9m s\u00e3o altas: 71% tiveram as vias a\u00e9reas superiores aspiradas, 39,5% passaram por aspira\u00e7\u00e3o g\u00e1strica, 8,8% foram para o inalador e 8,7% para a incubadora.<\/p>\n<p>Das mulheres ouvidas para o levantamento, cerca de 30% n\u00e3o desejaram a gravidez, 2,3% tentaram interromper a gesta\u00e7\u00e3o e 60% iniciaram o pr\u00e9-natal tardiamente, ap\u00f3s a 12\u00aa semana. Do total de mulheres, 19% eram adolescentes,\u00a0 sendo que 42% delas fizeram ces\u00e1rea, e, com isso, \u201cestar\u00e3o expostas a mais riscos nas gesta\u00e7\u00f5es futuras\u201d, segundo o estudo.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) recomenda que no m\u00e1ximo 15% dos partos sejam cesarianas, no Brasil o \u00edndice<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":34748,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35837"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35837"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35837\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}