{"id":37446,"date":"2014-07-30T12:20:08","date_gmt":"2014-07-30T15:20:08","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=37446"},"modified":"2014-07-30T12:20:08","modified_gmt":"2014-07-30T15:20:08","slug":"rombo-na-conta-da-previdencia-dos-servidores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/rombo-na-conta-da-previdencia-dos-servidores\/","title":{"rendered":"Rombo na conta da previd\u00eancia dos servidores"},"content":{"rendered":"<p>O rombo da previd\u00eancia p\u00fablica, no chamado Regime Pr\u00f3prio de Previd\u00eancia (RPPS), n\u00e3o para de crescer. Os desembolsos do governo federal para cobrir o buraco deixado pelo volume insuficiente de contribui\u00e7\u00f5es para custear as aposentadorias e pens\u00f5es dos servidores aumentaram 6,2% apenas nos primeiros cinco meses deste ano, de acordo com o Tesouro Nacional. No per\u00edodo, houve um deficit de R$ 25,116 bilh\u00f5es para bancar apenas 1 milh\u00e3o de inativos \u2014 ou seja, R$ 5 bilh\u00f5es por m\u00eas. A quantia foi bem superior \u00e0 desembolsada para financiar o Regime Geral de Previd\u00eancia (RGPS), que atende mais de 31,5 milh\u00f5es de pessoas no pa\u00eds (R$ 18,9 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>Segundo especialistas, n\u00e3o vai ser f\u00e1cil estabilizar a fatura, que est\u00e1 cada vez mais pesada, sugerindo que o sistema que rege o RPPS \u00e9 insustent\u00e1vel. A necessidade de financiamento da previd\u00eancia p\u00fablica mais que dobrou nos \u00faltimos 12 anos. Em 2002, no governo FHC, o buraco era de R$ 28,1 bilh\u00f5es. Em 2010, no governo Lula, o deficit alcan\u00e7ou R$ 57,8 bilh\u00f5es. A presidente Dilma Rousseff tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiu estancar as despesas. Em 2013, a conta ficou em R$ 62,7 bilh\u00f5es. A previs\u00e3o \u00e9 de encerrar 2014 com rombo de R$ 65 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Com o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, o quadro tende a se agravar e o governo ter\u00e1 que abrir m\u00e3o de investimentos para resguardar o bem-estar de alguns, assinalou o economista Felipe Salto, da Consultoria Tend\u00eancias. Ele aponta ainda para outras amea\u00e7as aos gastos p\u00fablicos, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso, que elimina a cobran\u00e7a de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sobre os proventos dos servidores p\u00fablicos aposentados.<\/p>\n<p>&#8220;Precisamos de um debate s\u00e9rio sobre o assunto. A sociedade tem que decidir para onde vai cada fatia do Or\u00e7amento. Tudo tem que ser detalhado, para n\u00e3o ficar a impress\u00e3o de que de um lado est\u00e3o os que s\u00e3o contra os velhinhos e, do outro, os defensores da terceira idade&#8221;, afirmou Salto. Uma sa\u00edda, segundo ele, \u00e9 o aumento da idade m\u00ednima para aposentadoria no servi\u00e7o p\u00fablico federal (hoje em 55 anos para mulheres e 60 anos para homens). &#8220;Se vivemos mais, precisamos contribuir mais&#8221;, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>O tributarista Marcos Joel dos Santos, do escrit\u00f3rio Cassel &amp; Ruzzarin Advogados, concorda com o aumento da idade m\u00ednima, mas diverge na quest\u00e3o da PEC 555. &#8220;A retirada da cobran\u00e7a previdenci\u00e1ria dos aposentados aumentar\u00e1 o deficit. Mas isso \u00e9, juridicamente, uma injusti\u00e7a. Cobrar 11% dos proventos se assemelha a descontar um novo tributo, al\u00e9m do Imposto de Renda, que j\u00e1 consome 27,5%&#8221;, afirmou. Da mesma forma, o professor da Universidade de Bras\u00edlia Jos\u00e9 Matias-Pereira, especialista em contas p\u00fablicas, define o desconto como &#8220;um saque no sal\u00e1rio do cidad\u00e3o disfar\u00e7ado sob o manto do equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Funpresp<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de preocupante, o saldo negativo da previd\u00eancia p\u00fablica poder\u00e1 diminuir no futuro se a rec\u00e9m-criada Funda\u00e7\u00e3o de Previd\u00eancia Complementar do Servidor P\u00fablico Federal (Funpresp) tiver sucesso. O servidor admitido a partir de 2013 passou a contribuir com 11% at\u00e9 o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS, de R$ 4.390,24). Para receber uma aposentadoria al\u00e9m desse limite, tem de aderir a um fundo privado de previd\u00eancia ou optar pela Funpresp \u2014 na qual pagar\u00e1, todo m\u00eas, entre 7% e 8,5% do sal\u00e1rio total. A Uni\u00e3o contribui com o mesmo percentual.<\/p>\n<p>Cada poder \u2014 Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio \u2014 tem seu pr\u00f3prio fundo de pens\u00e3o. O Funpresp.Exe (do Executivo e do Legislativo) j\u00e1 conta com 4,3 mil participantes. Em junho, a arrecada\u00e7\u00e3o foi de R$ 3 milh\u00f5es. J\u00e1 o Funpresp.Jud (Judici\u00e1rio Federal e Minist\u00e9rio P\u00fablico da Uni\u00e3o) informou que aproximadamente 70% dos novos servidores (606) aderiram. O valor das contribui\u00e7\u00f5es, em junho, foi de R$ 360 mil.<\/p>\n<p>No entanto, o impacto do Funpresp nas contas p\u00fablicas s\u00f3 ocorrer\u00e1 a longo prazo. Nos c\u00e1lculos do Minist\u00e9rio da Fazenda, a partir de 2040, o pa\u00eds economizar\u00e1 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano (mais de R$ 20 bilh\u00f5es). Em 2070, a previd\u00eancia do servi\u00e7o p\u00fablico ser\u00e1 superavit\u00e1ria. &#8220;O Funpresp foi uma excelente medida, mas vai demorar de 15 a 20 anos para os resultados aparecerem&#8221;, ressaltou Felipe Salto.<\/p>\n<p>&#8220;A curto prazo, a tend\u00eancia \u00e9 o rombo do RPPS aumentar. O que pesa, no entanto, \u00e9 a discuss\u00e3o pol\u00edtica. O deficit s\u00f3 existe porque o governo, diferentemente da iniciativa privada, n\u00e3o contribuiu ao longo do tempo com a parte que caberia ao patr\u00e3o. Sem ela, a diferen\u00e7a ser\u00e1 eterna&#8221;, complementou o advogado Marcos Joel dos Santos. &#8220;At\u00e9 que acabem as aposentadorias e pens\u00f5es de antigos servidores, o resultado continuar\u00e1 negativo&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Kaiz\u00f4 Beltr\u00e3o, professor da Escola Brasileira de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e de Empresas (FGV\/Ebape), explicou que parte dos servidores contribu\u00edram at\u00e9 1988 para o INSS. Ao migrarem para o Regime Pr\u00f3prio, seus valores n\u00e3o foram transferidos. &#8220;Os equ\u00edvocos foram muitos. Ainda bem que o governo criou o Funpresp. Falta equalizar as idades de aposentadorias de homens e mulheres&#8221;, disse Beltr\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Desconfian\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma inquieta\u00e7\u00e3o dos servidores em rela\u00e7\u00e3o ao Funpresp. &#8220;O que me preocupa \u00e9 que o desempenho do Funpresp est\u00e1 abaixo das expectativas. Poucos optaram por ele. E, se n\u00e3o houver ades\u00e3o, ele n\u00e3o se sustenta. Uma derrota ter\u00e1 um efeito devastador de frustra\u00e7\u00e3o&#8221;, destacou Jos\u00e9 Matias-Pereira. A desconfian\u00e7a, disse, \u00e9 fruto da falta de transpar\u00eancia e de planejamento do governo, que n\u00e3o conseguiu ainda convencer que, em 20 ou 30 anos, o Funpresp realmente estar\u00e1 estruturado e ter\u00e1 as mesmas regras de hoje.<\/p>\n<p>Fonte: Correio Braziliense<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rombo da previd\u00eancia p\u00fablica, no chamado Regime Pr\u00f3prio de Previd\u00eancia (RPPS), n\u00e3o para de crescer. 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