{"id":37710,"date":"2014-08-08T11:24:14","date_gmt":"2014-08-08T14:24:14","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=37710"},"modified":"2014-08-08T11:24:14","modified_gmt":"2014-08-08T14:24:14","slug":"primeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/primeira\/","title":{"rendered":"Primeira!"},"content":{"rendered":"<p><em>Naiara Vicentini, a 1\u00aa PRF de SC a se aposentar pela nova lei<\/em><\/p>\n<p>\u201cMinha aposentadoria tem um gosto todo especial, pois me sinto muito respons\u00e1vel pela conquista\u201d. \u00c9 assim que a 1\u00aa policial rodovi\u00e1ria federal a se aposentar pela nova lei em Santa Catarina e 2\u00aa no Brasil, Naiara Vicentini, define o novo \u2013 e especial &#8211; momento de sua vida.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/www.sinprfsc.org.br\/portal\/ckeditor\/image\/1058\/0\/0\" alt=\"\" width=\"300\" \/>Ao lado da PRF Nadja Cl\u00e1udia Lopes Vianna, ambas filadas ao SINPRF\/SC, Naiara protocolou seu pedido de aposentadoria no dia 16 de maio, pouco depois da san\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei Complementar\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=43617\" target=\"_blank\">275\/2001<\/a><\/strong>\u00a0\u00a0(Lei\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/lcp\/Lcp144.htm\" target=\"_blank\">144\/2014<\/a><\/strong>), que regulamentou a aposentadoria especial para a mulher policial.<\/p>\n<p>Naiara sempre foi lotada na circunscri\u00e7\u00e3o da 8\u00aa Superintend\u00eancia da PRF em Santa Catarina. Trabalhou basicamente na Grande Florian\u00f3polis, mas as v\u00e1rias capacita\u00e7\u00f5es que fez contra a criminalidade a levaram para diversas regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p>Aposentada desde a publica\u00e7\u00e3o de seu processo no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o (DOU) do \u00faltimo dia 07 de julho, contribuiu 20 anos para o servi\u00e7o p\u00fablico e cinco anos e nove meses para a previd\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Um pouquinho da PRF, agora aposentada<\/strong><\/p>\n<p>Naiara \u00e9 casada h\u00e1 14 anos com outro PRF, Alexandre Cardoso, com quem t\u00eam dois filhos, Lu\u00eds Filipe, de 15 anos e Maria Lu\u00edsa, de nove.<\/p>\n<p>Durante sua carreira como PRF, Naiara fez parte do grupo de Opera\u00e7\u00f5es Especiais por cinco anos, foi campe\u00e3 de tiro em diversos campeonatos internos e sempre foi engajada na luta pela igualdade entre homens e mulheres na corpora\u00e7\u00e3o. Uma delas, a que resultou na regulamenta\u00e7\u00e3o da aposentadoria feminina:<\/p>\n<p>\u201cEm meados de 2001, com poucas colegas, algumas da Pol\u00edcia Federal e outras da Pol\u00edcia Civil, j\u00e1 trilh\u00e1vamos os caminhos do Congresso, batendo de porta em porta dos congressistas com a inten\u00e7\u00e3o de que eles reconhecessem esse direito. Foram aproximadamente 13 anos de lutas, de idas e vindas, de muita discuss\u00e3o e conversas\u201d, conta Naiara.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/www.sinprfsc.org.br\/portal\/ckeditor\/image\/1055\/0\/0\" alt=\"\" width=\"200\" \/>A seguir, conhe\u00e7a um pouco da est\u00f3ria dessa guerreira que deu o m\u00e1ximo de si, f\u00edsica e emocionalmente, \u00e0 carreira de PRF. Que entre a fam\u00edlia e os plant\u00f5es, encontrou tempo para estudar e se formar em Psicologia e Direito, ambos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).<\/p>\n<p>Que quando come\u00e7ou, sua equipe (masculina) lhe delegou fun\u00e7\u00f5es como atender ao telefone e fazer o caf\u00e9 e, agora, ela se aposenta antes de muitos deles. Naiara Vicentini, saiba por que ela \u00e9 t\u00e3o admirada por alguns ex-colegas, temida por outros e respeitada por muitos.<\/p>\n<p><strong>1 &#8211; Para voc\u00ea, qual \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de se aposentar por meio de um direito rec\u00e9m-garantido, tem um gostinho especial?<\/strong><\/p>\n<p>Em meados de 2001, com poucas colegas, algumas da Pol\u00edcia Federal e outras da Pol\u00edcia Civil, j\u00e1 trilh\u00e1vamos os caminhos do Congresso, batendo de porta em porta dos congressistas com a inten\u00e7\u00e3o de que eles reconhecessem esse direito. Foram aproximadamente 13 anos de lutas, de idas e vindas, de muita discuss\u00e3o e conversas. Nos \u00faltimos dois anos, essa batalha ganhou muitas adeptas, bem como a ades\u00e3o de nossas entidades de classe. Os Sindicatos e nossa Federa\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos tr\u00eas meses, todas as pol\u00edcias se uniram e conseguimos um movimento t\u00e3o forte dentro do Congresso que o resultado n\u00e3o poderia ter sido outro. Hoje, aposentada, s\u00f3 tenho a agradecer a for\u00e7a das mulheres policiais.<\/p>\n<p><strong>2 &#8211; Para as policiais mulheres, o que esta conquista representa, na sua opini\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiramente representa a nossa uni\u00e3o, a nossa for\u00e7a enquanto categoria. Tamb\u00e9m a corre\u00e7\u00e3o de uma injusti\u00e7a na medida em que est\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o Federal que a atividade policial tem tempo reduzido para a aposenta\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o do risco do trabalho. Contudo, essa redu\u00e7\u00e3o ocorria somente para os policiais do sexo masculino, j\u00e1 que as mulheres precisavam cumprir os 30 anos, como em qualquer outra profiss\u00e3o para se aposentarem, ou seja, de especial nada tinha. Com a nova legisla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 se corrigiu a quest\u00e3o da aposentadoria especial como ficou consagrado que homens e mulheres tem tempos diferentes de aposentadoria, o que por exemplo, ocorre tamb\u00e9m nas aposentadorias da previd\u00eancia social.<\/p>\n<p><strong>3 &#8211; Uma lembran\u00e7a\/situa\u00e7\u00e3o especial de sua carreira na PRF?<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/www.sinprfsc.org.br\/portal\/ckeditor\/image\/1057\/0\/0\" alt=\"\" width=\"200\" \/>N\u00e3o tenho uma situa\u00e7\u00e3o especial, tenho diversas. A carreira policial \u00e9 muito din\u00e2mica, n\u00e3o temos um plant\u00e3o como o outro. A rotina n\u00e3o \u00e9 uma constante, pelo contr\u00e1rio, a cada plant\u00e3o situa\u00e7\u00f5es muito diversificadas acontecem. Um momento marcante na minha carreira foi meu primeiro plant\u00e3o com meu marido, que tamb\u00e9m \u00e9 PRF. Ele sequer olhou pra mim ou me cumprimentou. Isso em meados de 1998. E explico porque: minha turma foi a primeira turma de mulheres concursadas na PRF. De um efetivo de 305 policiais que entraram em SC, apenas 47 eram mulheres. Grande parte delas ficaram, e at\u00e9 sem escolha, na \u00e1rea administrativa. A turma de 1994 trouxe uma revolu\u00e7\u00e3o para a PRF em termos nacionais. No Brasil o efetivo era de aproximadamente 5 mil servidores. Como nossa entrada, esse n\u00famero quase duplicou, ent\u00e3o era necess\u00e1rio que alguns servidores ficassem no setor administrativo para dar conta dos trabalhos de gest\u00e3o de tantas pessoas. Em SC o numero de servidores passou de 175 para 480, imagina a confus\u00e3o. Fiquei tr\u00eas anos trabalhando no Setor de Recursos Humanos, o que n\u00e3o me permitiu desenvolver minhas habilidades operacionais como policial, tais como, atendimento de acidentes, combate ao crime, verifica\u00e7\u00e3o de adultera\u00e7\u00e3o de carros etc. Assim, quando fui trabalhar com meu marido, chegava no plant\u00e3o uma policial &#8220;administrativa&#8221;, e ele, bem como seus companheiros n\u00e3o gostaram nada nada!!! Cheguei no meu primeiro plant\u00e3o crua, sem pr\u00e1tica operacional. As fun\u00e7\u00f5es iniciais a mim atribu\u00eddas pela equipe \u00a0foram: atender o telefone e fazer o caf\u00e9. Rsrsrs. O mundo policial \u00e9 um espa\u00e7o extremamente machista e masculino. Foram muitos plant\u00f5es, muito trabalho para mostrar que eu podia desenvolver minhas atividades de uma forma coerente e efetiva para a sociedade.<\/p>\n<p>E no fim, meu marido reconheceu que eu tamb\u00e9m podia ser uma policial operacional e estamos juntos h\u00e1 14 anos. Mas depois de iniciada minha carreira operacional, nunca mais pareceu. Fui campe\u00e3 de tiro por diversos campeonatos internos, me capacitei para trabalhar com a criminalidade. Por 5 anos me juntei a equipe de Opera\u00e7\u00f5es Especiais, fiz cursos de resist\u00eancia, enfim, dei o meu m\u00e1ximo tanto f\u00edsico quanto emocionalmente.<\/p>\n<p><strong>5<strong>\u00a0&#8211;\u00a0<\/strong>Alguma situa\u00e7\u00e3o triste que mexeu bastante com voc\u00ea como mulher, como pessoa, durante seu trabalho na pista?<\/strong><\/p>\n<p>In\u00fameras situa\u00e7\u00f5es me deixaram triste, muita l\u00e1grima derramada, muita terapia paga. N\u00e3o \u00e9 a toa que a atividade policial \u00e9 atividade de risco. Nossos momentos de trabalho interferem diretamente na vida das pessoas e principalmente com as emo\u00e7\u00f5es delas. E descrevo, situa\u00e7\u00e3o N.1 &#8211; multar um cidad\u00e3o mexe com valores monet\u00e1rios, com o comportamento inadequado dele e estar nessa situa\u00e7\u00e3o para um policial \u00e9 geralmente momento de estresse. Ningu\u00e9m quer ser multado, ningu\u00e9m quer ter apontado um erro seu por um estranho e \u00e9 isso que a gente faz diariamente. A cada multa um caso, uma vida, uma pessoa, um sentimento, uma situa\u00e7\u00e3o relatada. Gente chorando, gente mentindo, gente debochando, gente te xingando e o policial tem que se manter firme, sem revidar, tentando manter a calma e o equil\u00edbrio, porque se ele disser ou fizer qualquer coisa que v\u00e1 contra a lei, ele ser\u00e1 punido. E veja, \u00a0toda essa descri\u00e7\u00e3o que fiz por uma multa! Aplicamos diversas por dia, e ent\u00e3o sofremos diversas vezes ao longo de um plant\u00e3o. Situa\u00e7\u00e3o N.2 &#8211; acidente de tr\u00e2nsito &#8211; pessoas com raiva, com ang\u00fastia, com dor, morte, feridos. Um acidente \u00e9 sempre uma situa\u00e7\u00e3o de estresse elevado. Precisamos dar conta da situa\u00e7\u00e3o do acidente, de verificar as v\u00edtimas, de fazer o levantamento dos dados para a confec\u00e7\u00e3o do Boletim de Tr\u00e2nsito (documento oficial de total responsabilidade, que muitas vezes chega na esfera judicial), de evitar um novo acidente na rodovia, de cuidar dos pertences das v\u00edtimas diante dos curiosos, UFA! \u00c9 tanto detalhe e tanta responsabilidade que o policial precisa ter sa\u00fade mental apurada e tamb\u00e9m sa\u00fade f\u00edsica. Situa\u00e7\u00e3o N.3 &#8211; abordagem a suspeitos. Situa\u00e7\u00f5es de criminalidade tem nossa redobrada aten\u00e7\u00e3o. Nunca sabemos quem s\u00e3o os integrantes do ve\u00edculo, ou como sair\u00e3o do mesmo. S\u00e3o realmente criminosos? Sair\u00e3o do ve\u00edculo armado? Tem algo escondido dentro do carro? Enfim, em situa\u00e7\u00f5es dessa natureza precisamos de policiais treinados, equilibrados. S\u00e3o momentos de tens\u00e3o, e um erro, ou um descuido podem ser fatais. Ent\u00e3o, nessas situa\u00e7\u00f5es passei muito momentos de tristeza. A vida policial em si \u00e9 uma vida triste. Segundo dados da ONU \u00e9 a segunda profiss\u00e3o mais estressante do mundo, s\u00f3 perde para controladores de voo. Tamb\u00e9m \u00e9 uma das profiss\u00f5es que mais deixa sequelas nos servidores. Diante das situa\u00e7\u00f5es que descrevi acima, muito policiais perdem o equil\u00edbrio, perdem suas vidas, ou, n\u00e3o conseguem lidar com elas no seu dia a dia e acabam procurando fugas, como o \u00e1lcool e at\u00e9 as drogas. Formas de fugir da dor, de lidar com a ang\u00fastia de \u00e0s vezes falhar. E para algumas situa\u00e7\u00f5es a nossa falha pode resultar em perda de vidas.<\/p>\n<p><strong>6<strong>\u00a0&#8211;\u00a0<\/strong>Atuou em quais cidades\/estados?<\/strong><\/p>\n<p>Em 1995 me formei em Psicologia na Universidade Federal. Forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica que em muito contribuiu para que conseguisse superar minhas dificuldades e aceitar as falhas do sistema. Ap\u00f3s iniciar na \u00e1rea operacional, senti que precisava mais conhecimento. Ent\u00e3o em 2002, tamb\u00e9m na Universidade Federal me formei em Direito. Ainda em 2002 tamb\u00e9m me capacitei como Instrutora de nosso Departamento. As capacita\u00e7\u00f5es me fizeram participar de diversas comiss\u00f5es de trabalho. Permitiram que eu viajasse ministrando aulas. Dos v\u00e1rios projetos que me envolvi, destaco dois deles. O primeiro foi a participa\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o de Implanta\u00e7\u00e3o do Termo Circunstanciado. Um instituto jur\u00eddico que permite hoje que n\u00f3s policiais PRF&#8217;s ao verificar alguns tipos de crimes nas rodovias federais, possamos, a partir de tal verifica\u00e7\u00e3o, fechar o que chamamos de &#8220;c\u00edrculo completo de policia&#8221;, ou seja, constatamos o crime, lavramos o Termo Circunstanciado, este \u00e9 encaminhado diretamente para a esfera judicial, sem que outra corpora\u00e7\u00e3o agir. O cidad\u00e3o comete o delito e v\u00ea a puni\u00e7\u00e3o no mesmo momento da nossa presen\u00e7a. Flagramos o crime e autuamos no momento da sua ocorr\u00eancia. Muitos foram as conquistas atrav\u00e9s deste instituto jur\u00eddico para a PRF, dentre elas o de acompanhar a puni\u00e7\u00e3o para \u00e0queles que cometem crimes nas rodovias federais. O Estado de SC foi o primeiro a implantar esse projeto no Brasil e como os estudos come\u00e7aram com nossa equipe, ela foi chamada para dar suporte ao Departamento em Bras\u00edlia. Participei da Comiss\u00e3o Nacional de implanta\u00e7\u00e3o nos outros estados. O segundo projeto que destaco \u00e9 o Projeto SALVAR. Nos \u00faltimos 6 anos na PRF me voltei para a \u00e1rea de Atendimento Pr\u00e9 Hospitalar. Cursei P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Emerg\u00eancias M\u00e9dicas e com outros colegas da \u00e1rea de sa\u00fade montamos um curso de atendimento pr\u00e9 hospitalar para ser ministrado gratuitamente para a comunidade. No inicio do projeto n\u00e3o existia a Concession\u00e1ria na rodovia, ent\u00e3o ministramos aulas para a comunidade como uma forma de t\u00ea-la conosco quando do salvamento de v\u00edtimas nas rodovias. Foi um projeto sensacional, que formou em tr\u00eas anos, mais de 250 socorristas e que ajudaram no salvamento de muitas vidas nas rodovias federais catarinenses. Outras tantas viagens aconteceram em fun\u00e7\u00e3o de miss\u00f5es operacionais, as quais tamb\u00e9m me permitiram conhecer muito o meu Estado e tamb\u00e9m outros. Minha \u00faltima viagem foi agora em maio\/junho a servi\u00e7o pela Copa. Fiquei na cidade de Curitiba.<\/p>\n<p><strong>7 &#8211; Por que escolheu ser PRF?<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/www.sinprfsc.org.br\/portal\/ckeditor\/image\/1056\/0\/0\" alt=\"\" width=\"300\" \/>Rsrs&#8230;n\u00e3o escolhi ser PRF. Meu pai tinha um amigo PRF que um dia foi l\u00e1 em casa nos visitar e comentou com meu pai que as inscri\u00e7\u00f5es para o cargo estavam abertas. Isso em 1993. Eu j\u00e1 cursava Psicologia na UFSC e tinha dificuldades em arranjar emprego por conta da minha grade de aulas. Tinha aulas de manh\u00e3, \u00a0tarde e at\u00e9 a noite. Ele esclareceu que o trabalho era na forma de escala e que existia hor\u00e1rio para estudante. N\u00e3o pensei duas vezes, apesar de o sal\u00e1rio ser uma mis\u00e9ria, pelo menos eu iria ter um emprego compat\u00edvel com meus estudos. E assim fui. Mas n\u00e3o \u00a0tinha nada planejado.<\/p>\n<p><strong>8 &#8211; O que pretendes fazer nesta nova etapa da vida?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiramente ficar em casa!!! Assim, sem fazer nada. O \u00faltimo cart\u00e3o do dia das m\u00e3es que minha filha me entregou dizia bem assim: &#8220;m\u00e3e, eu te amo muito, mas queria que voc\u00ea ficasse mais tempo comigo&#8221;. \u00c9 de cortar o cora\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o a prioridade agora s\u00e3o meus filhos, Maria Luisa de 9 anos de Luis Filipe de 15 anos. Mas, como quem me conhece sabe que n\u00e3o sou do tipo paradona, logo logo me encaminho para um novo projeto.<\/p>\n<p>Podem at\u00e9 falar: mas como uma pessoa t\u00e3o jovem est\u00e1 aposentada!? Bom, se eu tenho hoje 25 anos de trabalho \u00e9 porque comecei muito cedo no batente. Com 11 anos, filha de pedreiro e m\u00e3e do lar, com mais tr\u00eas irm\u00e3s, caso eu quisesse uma roupa diferente ou um passeio a mais eu teria que me virar. Ent\u00e3o aos 11 anos eu arranjei um trabalho de dom\u00e9stica.Na casa cuidava de tr\u00eas crian\u00e7as de 0 a 5 anos, lavava os carros dos vizinhos e me virava para conseguir um dinheiro a mais. At\u00e9 os 14 trabalhei em casa de fam\u00edlia. Ap\u00f3s, ainda com 14 anos tive meu primeiro emprego formal, &#8220;daqueles de carteira assinada&#8221; e ent\u00e3o passei a contribuir desde ent\u00e3o para a previd\u00eancia. Hoje vivo os louros dessa labuta, mas lhe digo, chorei muito quando menina.Minhas amigas, ap\u00f3s a escola iam brincar, passear e eu tinha que trabalhar. Fiz \u00a0todos os meus estudos de primeiro e segundo graus trabalhando, e todos em escola p\u00fablica. Acordava \u00e0s 6h da manh\u00e3 e dormia 00h. Isso me traz uma sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido, de vit\u00f3ria. Posso me dar ao direito de ficar uns meses sem fazer nadinha.<\/p>\n<p><strong>9 &#8211; Uma mensagem para as mulheres que desejam ser PRFs?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, operacionalmente falando, pensem muito, muito mesmo se a \u00e1rea policial \u00e9 aquela dos seus sonhos. Eu n\u00e3o recomendo.<\/p>\n<p><strong>10 &#8211; Qual o maior desafio que enfrentou nesta profiss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>O maior desafio \u00e9 ser mulher dentro de uma corpora\u00e7\u00e3o criada para ser masculina. Quando eu entrei na PRF em 1994 sequer banheiros femininos existiam. At\u00e9 bem pouco tempo, coisa de dois anos, v\u00e1rios postos n\u00e3o tinham banheiros e alojamentos femininos. Tem menos de cinco anos que os uniformes foram tra\u00e7ados pelo g\u00eanero. Durante anos vesti cal\u00e7as, coletes e todos os apetrechos masculinos. Muita coisa melhorou nesses \u00faltimos vinte anos. Contudo, ainda temos poucas mulheres nas chefias, nos sindicatos.<\/p>\n<p><strong>SAIBA<\/strong><\/p>\n<p><strong>O que diz a Lei\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/lcp\/Lcp144.htm#art1\" target=\"_blank\">144\/2014<\/a>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A aposentadoria ser\u00e1 concedida \u00e0\u00a0policial com\u00a0mais de 25 anos de trabalho, sendo pelo menos 15 de atua\u00e7\u00e3o na pol\u00edcia. Antes, o\u00a0tempo de servi\u00e7o\u00a0exigido era o mesmo para homens e mulheres da categoria: 30 anos, com pelo menos 20 anos no servi\u00e7o estritamente policial.<\/p>\n<p><strong>A quem beneficia<\/strong><\/p>\n<p>A nova lei vale para cerca de quatro mil servidoras das pol\u00edcias Rodovi\u00e1ria Federal, Federal e Civil.<\/p>\n<p>Fonte: SINPRF\/SC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naiara Vicentini, a 1\u00aa PRF de SC a se aposentar pela nova lei \u201cMinha aposentadoria tem um gosto todo especial,<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":35521,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2,10,1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37710"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37710"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37710\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}