{"id":38574,"date":"2014-09-08T17:51:48","date_gmt":"2014-09-08T20:51:48","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=38574"},"modified":"2014-09-08T17:51:48","modified_gmt":"2014-09-08T20:51:48","slug":"vamos-virar-maquinas-maquinas-velhas-nao-tem-valor-policial-antigo-tambem-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/vamos-virar-maquinas-maquinas-velhas-nao-tem-valor-policial-antigo-tambem-nao\/","title":{"rendered":"Vamos virar m\u00e1quinas? M\u00e1quinas velhas n\u00e3o t\u00eam valor. Policial antigo tamb\u00e9m n\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por: <strong>Marcus Vin\u00edcius Barbosa<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_38578\" style=\"width: 235px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/marcus_vinicius_barbosa_prf.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-38578\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-38578\" title=\"marcus_vinicius_barbosa_prf\" src=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/marcus_vinicius_barbosa_prf-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-38578\" class=\"wp-caption-text\">Marcus Vin\u00edcius Barbosa<\/p><\/div>\n<p>Tenho observado a prolifera\u00e7\u00e3o de normas e crit\u00e9rios que visam avaliar os policiais, sempre fui um defensor de existirem m\u00e9todos objetivos para ajudar a balizar uma avalia\u00e7\u00e3o dos profissionais de seguran\u00e7a p\u00fablica. Por\u00e9m fico preocupado e apreensivo quando se come\u00e7a a usar n\u00fameros frios como crit\u00e9rio \u00fanico para valorar o trabalho policial e o policial, o homem, o cidad\u00e3o, o ser humano.<\/p>\n<p>O policial precisa atender e atuar em uma diversidade de situa\u00e7\u00f5es com dimens\u00f5es e complexidades que requerem conhecimento emp\u00edrico, jur\u00eddico, percep\u00e7\u00e3o do contexto e sensibilidade social apurada. A participa\u00e7\u00e3o no teatro de opera\u00e7\u00f5es onde somos demandados, deve ser efetiva, eficaz e eficiente, pois a boa atua\u00e7\u00e3o desses profissionais pode salvar vidas, influenciar condutas, evitar viol\u00eancias e elevar a imagem das institui\u00e7\u00f5es policiais. Muitas destas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o invis\u00edveis aos relat\u00f3rios e planilhas de avalia\u00e7\u00e3o, imposs\u00edveis de quantificar em n\u00fameros e gr\u00e1ficos. Mas esta interveni\u00eancia \u00e9 de abissal relev\u00e2ncia para a sociedade, para as pessoas e fam\u00edlias envolvidas e poss\u00edveis de qualifica\u00e7\u00e3o e multiplica\u00e7\u00e3o se valorizadas e incentivadas.<\/p>\n<p>\u00c9 temer\u00e1rio o incentivo a uma competi\u00e7\u00e3o nociva, desagregadora e baseada em uma suposta e pouco plaus\u00edvel produ\u00e7\u00e3o pontuada, onde um acidente com mortos vale muitos pontos e o bom atendimento n\u00e3o pontue. Na pr\u00e1tica se imp\u00f5e metas estat\u00edsticas, se amea\u00e7a com sans\u00f5es ou se premia com pequenos privil\u00e9gios administrativos. Desta forma o norte que se vislumbra \u00e9 o de retirar a motiva\u00e7\u00e3o maior de quem trabalha, escolheu e tem voca\u00e7\u00e3o para a profiss\u00e3o policial.<\/p>\n<p>O bom atendimento de uma ocorr\u00eancia seja criminal, de tr\u00e2nsito ou um incidente familiar; pode ser registrado apenas como mais uma ocorr\u00eancia, mas ter contornos extremamente depreciativos para a corpora\u00e7\u00e3o ou ao contr\u00e1rio, elevar e muito o conceito da institui\u00e7\u00e3o para aquele n\u00facleo social, que certamente ir\u00e1 multiplicar essa informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Poderemos caminhar ao encontro da mediocridade, quando deixamos de considerar o conhecimento emp\u00edrico, a experi\u00eancia que somada ao imprescind\u00edvel saber acad\u00eamico, atinge a maturidade e a sabedoria necess\u00e1ria para lidar com imensa gama de conflitos e demandas sociais a que somos convocados a participar, intervir, interagir e ajudar. Com a responsabilidade de atender a expectativa do cidad\u00e3o de que vamos resolver ou pelo menos encaminhar a contento solu\u00e7\u00e3o da demanda apresentada.<\/p>\n<p>N\u00e3o se aprende a lidar de um momento para outro, com as press\u00f5es e demandas a que somos diuturnamente submetidos. \u00c9 preciso uma constru\u00e7\u00e3o emocional e intelectual. Por isso e muito mais, que os chefes precisam ser l\u00edderes, reconhecidos por seus pares, comprometidos com o dever, al\u00e9m de conhecer bem os policiais, conversar \u201colho no olho\u201d, saber ouvir, compreender o contexto social e familiar em que eles est\u00e3o inseridos. Saber do desempenho do policial no trato com a popula\u00e7\u00e3o a que devemos servir. Na lealdade aos princ\u00edpios republicanos e \u00e9ticos. Conhecer a atua\u00e7\u00e3o desses profissionais\/seres humanos e avaliar, atender ou negar pedidos com embasamentos mais amplos e s\u00f3lidos que pontua\u00e7\u00f5es resultantes de somas de colunas de planilhas cheias de n\u00fameros, eficientes para avaliar m\u00e1quinas, mas com pouco conte\u00fado para avaliar a qualifica\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o humano em uma das mais complexas profiss\u00f5es da humanidade.<\/p>\n<p>[pull_quote align=&#8221;left&#8221;]H\u00e1 que se tomar cuidado com as avalia\u00e7\u00f5es e promo\u00e7\u00f5es, para que estas n\u00e3o acabem por nos jogar em uma competi\u00e7\u00e3o e esta fomente a degrada\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es pessoais e profissionais e provoque o desequil\u00edbrio emocional dos servidores.[\/pull_quote]Em todas as sociedades desenvolvidas e institui\u00e7\u00f5es s\u00e9rias, a experi\u00eancia, a viv\u00eancia dos mais antigos, o conhecimento adquirido ao longo dos anos agregam valor ao profissional, que \u00e9 mais respeitado, considerado, sendo muitas vezes consultado sobre decis\u00f5es. O servidor mais antigo carrega consigo uma gama de conhecimentos, mas tamb\u00e9m acumula o peso dos anos, o esmorecer do vigor f\u00edsico e o desgaste psicol\u00f3gico do tempo dedicado ao trabalho e deve sim ter prerrogativas, prioridade em algumas escolhas. N\u00e3o estamos falando de privil\u00e9gios, mas de conquistas com o devido suor derramado na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o a sociedade, no caso de profissionais de seguran\u00e7a p\u00fablica, com a exposi\u00e7\u00e3o ao risco da pr\u00f3pria vida; e isso n\u00e3o tem valor nenhum? Em que sociedade n\u00f3s estamos? Qual o valor do policial? Que valora\u00e7\u00e3o ou dimens\u00e3o tem todo o trabalho desenvolvido. Que modelo de institui\u00e7\u00e3o os novos policiais v\u00e3o herdar? O queremos construir para nossos filhos?<\/p>\n<p>A sobreviv\u00eancia, a longevidade no meio policial por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 motivo de orgulho. Na contram\u00e3o da hist\u00f3ria, institui\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica v\u00eam fazendo o oposto, ser antigo tem car\u00e1ter pejorativo, os novos parecem te olhar com desconfian\u00e7a quanto ao seu car\u00e1ter, honestidade e capacidade. Somado a isso os antigos s\u00e3o preteridos nas escolhas at\u00e9 para a data das f\u00e9rias ou escolha do local de trabalho. Tudo isto desmotiva e cria um ambiente negativo, \u00e9 triste e muito s\u00e9rio ver tantos colegas, bons policiais com pouco mais de 40 anos de idade j\u00e1 \u201ccontando os dias para se aposentar\u201d.Algo est\u00e1 muito errado. Com a sa\u00edda de tantos podemos ter a certeza de que o preju\u00edzo maior ser\u00e1 na qualidade do servi\u00e7o prestado, atingindo diretamente a sociedade a qual devemos servir e proteger. Institui\u00e7\u00e3o alguma, muito menos a pol\u00edcia pode prescindir deste capital intelectual, emp\u00edrico e acad\u00eamico, sem arcar com o passivo que vai se acumular.<\/p>\n<p>H\u00e1 que se tomar cuidado com as avalia\u00e7\u00f5es e promo\u00e7\u00f5es, para que estas n\u00e3o acabem por nos jogar em uma competi\u00e7\u00e3o e esta fomente a degrada\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es pessoais e profissionais e provoque o desequil\u00edbrio emocional dos servidores.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma mudan\u00e7a n\u00e3o pode ser esperada apenas de uma parte, \u00e9 preciso lembrar que tamb\u00e9m somos muito respons\u00e1veis pela forma como nos tratam. Fazer-se respeitar \u00e9 essencial, tenhamos orgulho de cada cicatriz f\u00edsica ou psicol\u00f3gica, de cada ajuda prestada, dos ensinamentos transmitidos, conhecimentos divididos e multiplicados. Mostrar nosso valor, mas tamb\u00e9m registrar nossa insatisfa\u00e7\u00e3o com a condi\u00e7\u00e3o atual e lembrar aos novos como eles foram bem recebidos e se existe esta pol\u00edcia para eles hoje, \u00e9 resultado da a\u00e7\u00e3o de todos ao longo das nossas d\u00e9cadas de trabalho. Cada um de n\u00f3s deve um pouco aos que nos antecederam e os que aqui ainda est\u00e3o merecem respeito, defer\u00eancia.<\/p>\n<p>Vamos deixar o tempo passar com a parcim\u00f4nia dos s\u00e1bios, mas nos empenhando em melhorar nosso ambiente de trabalho e nossa institui\u00e7\u00e3o e assim fomentar ativamente as mudan\u00e7as verdadeiras, provar que n\u00e3o estamos fadados ao fracasso e assim abandonarmos o avizinhamento dos abismos. Alavancar uma trajet\u00f3ria de sucesso que sempre nos orgulhe ao olharmos para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Fa\u00e7a bom o seu presente, pois o futuro sempre cobra o seu passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong><em>*Marcus Vin\u00edcius Barbosa<\/em><\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0<strong><a href=\"mailto:marcusbrasil@outlook.com\" target=\"_blank\"><em>marcusbrasil@outlook.com<\/em><\/a><\/strong> &#8211;\u00a0<em>\u00e9 policial rodovi\u00e1rio federal desde 1994, bacharel em Direito e especialista em Gest\u00e3o de Organiza\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a P\u00fablica pelo Instituto Universit\u00e1rio de Pesquisas do Rio de Janeiro &#8211;\u00a0IUPERJ.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Marcus Vin\u00edcius Barbosa Tenho observado a prolifera\u00e7\u00e3o de normas e crit\u00e9rios que visam avaliar os policiais, sempre fui um<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":38577,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,2,1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38574"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38574"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38574\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}