{"id":4169,"date":"2011-12-30T17:20:34","date_gmt":"2011-12-30T20:20:34","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=4169"},"modified":"2011-12-30T17:20:34","modified_gmt":"2011-12-30T20:20:34","slug":"cuidado-com-os-burros-motivados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/cuidado-com-os-burros-motivados\/","title":{"rendered":"&#8220;Cuidado com os burros motivados&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Observador contumaz das manias humanas, Roberto Shinyashiki est\u00e1 cansado dos jogos de apar\u00eancia que tomaram conta das corpora\u00e7\u00f5es e das fam\u00edlias. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o que imaginam que deve ser dito. Num teatro constante, s\u00e3o todos felizes, motivados, corretos, embora muitas vezes pequem na compet\u00eancia. Dizem-se perfeccionistas: ningu\u00e9m comete falhas, ningu\u00e9m erra. Como \u00c1lvaro de Campos (heter\u00f4nimo de Fernando Pessoa) em\u00a0<em>Poema em linha reta<\/em>, o psiquiatra n\u00e3o compartilha da s\u00edndrome de super-her\u00f3is. \u201cNunca conheci quem tivesse levado porrada na vida (&#8230;) Toda a gente que eu conhe\u00e7o e que fala comigo nunca teve um ato rid\u00edculo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi sen\u00e3o pr\u00edncipe\u201d, dizem os versos que o inspiraram a escrever o livro \u00a0<em>Her\u00f3is de verdade<\/em>. Farto de semideuses, Roberto Shinyashiki faz soar seu alerta por uma mudan\u00e7a de atitude. \u201cO mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras.\u201d<\/p>\n<p><strong>Quem s\u00e3o os her\u00f3is de verdade?<\/strong><\/p>\n<div>Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, voc\u00ea precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado,\u00a0viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso \u00e9 uma loucura. Para cada diretor de empresa, h\u00e1 milhares de funcion\u00e1rios que n\u00e3o chegaram a ser gerentes. E essas pessoas s\u00e3o tratadas como uma multid\u00e3o de fracassados. Quando olha para a pr\u00f3pria vida, a maioria se convence de que n\u00e3o valeu a pena porque n\u00e3o conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Para mim, \u00e9 importante que o filho da mo\u00e7a que trabalha na minha casa possa se orgulhar da m\u00e3e. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Her\u00f3is de verdade s\u00e3o aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e n\u00e3o para impressionar os outros. S\u00e3o pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>O sr. citaria exemplos?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>Dona Zilda Arns, que n\u00e3o vai a determinados programas de tev\u00ea nem aparece de Cartier, mas est\u00e1 salvando milh\u00f5es de pessoas. Quando eu nasci, minha m\u00e3e era empregada dom\u00e9stica e meu pai, \u00f3rf\u00e3o aos sete anos, empregado em uma farm\u00e1cia. Mor\u00e1vamos em um bairro miser\u00e1vel em S\u00e3o Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles s\u00e3o meus her\u00f3is. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje est\u00e3o bem. Acho lindo quando o Cafu p\u00f5e uma camisa em que est\u00e1 escrito \u201c100% Jardim Irene\u201d. \u00c9 pena que a maior parte das pessoas esconda suas ra\u00edzes. O resultado \u00e9 um mundo v\u00edtima da depress\u00e3o, doen\u00e7a que acomete hoje 10% da popula\u00e7\u00e3o americana. Em pa\u00edses como Jap\u00e3o, Su\u00e9cia e Noruega, h\u00e1 mais suic\u00eddio do que homic\u00eddio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa est\u00e1 na depress\u00e3o das apar\u00eancias, que acomete a mulher que, embora n\u00e3o ame mais o marido, mant\u00e9m o casamento, ou o homem que passa d\u00e9cadas em um emprego que n\u00e3o o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>Qual o resultado disso?\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>Paran\u00f3ia e depress\u00e3o cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de ingl\u00eas, inform\u00e1tica e mandarim. Aos nove ou dez anos a depress\u00e3o aparece. A \u00fanica coisa que prepara uma crian\u00e7a para o futuro \u00e9 ela poder ser crian\u00e7a. Com a desculpa de prepar\u00e1-los para o futuro, os malucos dos pais est\u00e3o roubando a inf\u00e2ncia dos filhos. Essas crian\u00e7as ser\u00e3o adultos inseguros e ter\u00e3o discursos hip\u00f3critas. Ali\u00e1s, a hipocrisia j\u00e1 predomina no mundo corporativo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a come\u00e7ar pelo processo de recrutamento. \u00c9 contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corpora\u00e7\u00f5es valorizam mais a auto-estima do que a compet\u00eancia. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma mo\u00e7a que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela n\u00e3o parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e n\u00e3o a conversa. At\u00e9 porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e n\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Contratei na hora. Num processo cl\u00e1ssico de sele\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o passaria da primeira etapa.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>H\u00e1 um script estabelecido?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>Sim. Quer ver uma pergunta est\u00fapida feita por um presidente<br \/>\nde multinacional no programa O aprendiz? \u201cQual \u00e9 seu defeito?\u201d Todos<br \/>\nrespondem que o defeito \u00e9 n\u00e3o pensar na vida pessoal: \u201cEu mergulho de<br \/>\ncabe\u00e7a na empresa. Preciso aprender a relaxar.\u201d \u00c9 exatamente o que o chefe<br \/>\nquer escutar. Por que voc\u00ea acha que nunca algu\u00e9m respondeu ser desorganizado<br \/>\nou esquecido? \u00c9 contratado quem \u00e9 bom em conversar, em fingir. Da mesma<br \/>\nforma, na maioria das vezes, s\u00e3o promovidos aqueles que fazem o jogo do poder.<br \/>\nO vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me disse: \u201cSabe, Roberto, ningu\u00e9m chega \u00e0 vice-presid\u00eancia sem mentir.\u201d Isso significa que quem fala a verdade n\u00e3o chega a diretor?<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>Temos um modelo de gest\u00e3o que premia pessoas mal preparadas?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>Ele cria pessoas arrogantes, que n\u00e3o t\u00eam a humildade de se preparar, que n\u00e3o t\u00eam capacidade de ler um livro at\u00e9 o fim e n\u00e3o se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motiva\u00e7\u00e3o, mas o maior problema no Brasil \u00e9 compet\u00eancia. Cuidado com os burros motivados. H\u00e1 muita gente motivada fazendo besteira. N\u00e3o adianta voc\u00ea assumir uma fun\u00e7\u00e3o para a qual n\u00e3o est\u00e1 preparado. Fui cirurgi\u00e3o e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha m\u00e3o. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu gra\u00e7as a meus chefes, que foram s\u00e1bios em n\u00e3o me dar um caso para o qual eu n\u00e3o estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e n\u00e3o acordou para isso.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>Est\u00e1 sobrando auto-estima?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>Falta \u00e0s pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima est\u00e1 baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do gar\u00e7om. Hoje, como as pessoas n\u00e3o conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parece que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos s\u00e3o humildes para confessar que n\u00e3o sabem. H\u00e1 muitas mulheres solit\u00e1rias no Brasil que preferem dizer que \u00e9 melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que est\u00e1 tudo bem.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a apar\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os her\u00f3is. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O t\u00e9cnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema \u00e9 que eles n\u00e3o v\u00e3o salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: \u201cQuando voc\u00ea quiser entender a ess\u00eancia do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarr\u00e9ia durante um jantar no Pal\u00e1cio de Buckingham.\u201d Pode parecer incr\u00edvel, mas a rainha Elizabeth tamb\u00e9m tem diarr\u00e9ia. Ela certamente j\u00e1 teve dor de dente, j\u00e1 chorou de tristeza, j\u00e1 fez coisas que n\u00e3o deram certo. A gente tem de parar de procurar super-her\u00f3is. Porque se o super-her\u00f3i n\u00e3o segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>O conceito muda quando a expectativa n\u00e3o se comprova?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>Exatamente. A gente n\u00e3o \u00e9 super-her\u00f3i nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. N\u00e3o h\u00e1 nada de errado nisso. Hoje, as pessoas est\u00e3o questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise ser\u00e1 positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela pr\u00f3pria vida \u00e9 delas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>\u00c9 comum colocar a culpa nos outros?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>Sim. H\u00e1 uma tend\u00eancia a reclamar, dar desculpas e acusar algu\u00e9m. Eu vejo as pessoas escondendo suas humanidades. Todas as empresas definem uma meta de crescimento no come\u00e7o do ano. O presidente estabelece que a meta<br \/>\n\u00e9 crescer 15%, mas, se perguntar a ele em que est\u00e1 baseada essa expectativa, ele n\u00e3o vai saber responder. Ele estabelece um valor aleatoriamente, os diretores fingem que \u00e9 fact\u00edvel e os vendedores j\u00e1 partem do princ\u00edpio de que a meta n\u00e3o ser\u00e1 cumprida e passam a buscar explica\u00e7\u00f5es para, no final do ano, justificar. A maioria das metas estabelecidas no Brasil n\u00e3o leva em conta a evolu\u00e7\u00e3o do setor. \u00c9 uma chuta\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>Muitas pessoas acham que \u00e9 f\u00e1cil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, j\u00e1 que ele \u00e9 bem-sucedido. O senhor tem defeitos?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>Tenho minhas ang\u00fastias e inseguran\u00e7as. Mas aceit\u00e1-las faz minha vida fluir facilmente. H\u00e1 v\u00e1rias coisas que eu queria e n\u00e3o consegui. Jogar na Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doen\u00e7a cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma crian\u00e7a especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela \u00e9 ou vou massacr\u00e1-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para tr\u00e1s, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros. Dia desses apostei na edi\u00e7\u00e3o de um livro que n\u00e3o deu certo. Um amig\u00e3o me perguntou: \u201cQuem decidiu publicar esse livro?\u201d Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. N\u00e3o preciso mentir.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da apar\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>O primeiro passo \u00e9 pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evit\u00e1-las. S\u00e3o tr\u00eas fraquezas. A primeira \u00e9 precisar de aplauso, a segunda \u00e9 precisar se sentir amada e a terceira \u00e9 buscar seguran\u00e7a. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de m\u00fasica \u00e9 definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs t\u00eam o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer \u00e9 ajudar o aluno a desenvolver suas pr\u00f3prias potencialidades.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>Muitas pessoas t\u00eam buscado sonhos que n\u00e3o s\u00e3o seus?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>A sociedade quer definir o que \u00e9 certo. S\u00e3o quatro loucuras da sociedade. A primeira \u00e9 instituir que todos t\u00eam de ter sucesso, como se ele n\u00e3o tivesse significados individuais. A segunda loucura \u00e9: \u201cVoc\u00ea tem de estar feliz todos os dias.\u201d A terceira \u00e9: \u201cVoc\u00ea tem que comprar tudo o que puder.\u201d O resultado \u00e9 esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: \u201cVoc\u00ea tem de fazer as coisas do jeito certo.\u201d Jeito certo n\u00e3o existe. N\u00e3o h\u00e1 um caminho \u00fanico para se fazer as coisas. As metas s\u00e3o interessantes para o sucesso, mas n\u00e3o para a felicidade. Felicidade n\u00e3o \u00e9 uma meta, mas um estado de esp\u00edrito. Tem gente que diz que n\u00e3o ser\u00e1 feliz enquanto n\u00e3o casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Voc\u00ea precisa ser feliz tomando sorvete, levando os filhos para brincar.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>O sr. visita mestres na \u00cdndia com freq\u00fc\u00eancia. H\u00e1 alguma par\u00e1bola que o sr. aprendeu com eles que o ajude a agir?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>Quando era rec\u00e9m-formado em S\u00e3o Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes.<br \/>\nEu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o m\u00e9dico pela camisa e diz: \u201cDoutor, n\u00e3o me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero ser feliz.\u201d Eu sentia uma dor enorme por n\u00e3o poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade \u00e9 feita de coisas pequenas. Ningu\u00e9m na hora da morte diz se arrepender por n\u00e3o ter aplicado o dinheiro em im\u00f3veis. Uma hist\u00f3ria que aprendi na \u00cdndia me ensinou muito. O sujeito fugia de um urso e caiu em um barranco. Conseguiu se pendurar em algumas ra\u00edzes. O urso tentava peg\u00e1-lo. Embaixo, on\u00e7as pulavam para agarrar seu p\u00e9. No maior sufoco, o sujeito olha para o lado e v\u00ea um arbusto com um morango. Ele pega o morango, admira sua beleza e o saboreia. Cada vez mais n\u00f3s temos ursos e on\u00e7as \u00e0 nossa volta. Mas \u00e9 preciso comer os morangos.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em>Entrevista publica na Revista Isto\u00c9 de\u00a019 de Outubro de 2005\u00a0<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Observador contumaz das manias humanas, Roberto Shinyashiki est\u00e1 cansado dos jogos de apar\u00eancia que tomaram conta das corpora\u00e7\u00f5es e das<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":4171,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[10,1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4169"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4169\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}