{"id":41730,"date":"2015-01-15T18:22:59","date_gmt":"2015-01-15T20:22:59","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=41730"},"modified":"2015-01-15T18:22:59","modified_gmt":"2015-01-15T20:22:59","slug":"sos-estradas-lanca-estudo-sobre-o-uso-de-drogas-por-motoristas-profissionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/sos-estradas-lanca-estudo-sobre-o-uso-de-drogas-por-motoristas-profissionais\/","title":{"rendered":"SOS Estradas lan\u00e7a estudo sobre o uso de drogas por motoristas profissionais"},"content":{"rendered":"<div style=\"width: 253px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" \" title=\"pesquisa teste do cabelo\" src=\"http:\/\/estradas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/AsDrogas2.png\" alt=\"\" width=\"243\" height=\"338\" \/><p class=\"wp-caption-text\">www.estradas.com.br<\/p><\/div>\n<p>Desde 2004, quando o SOS Estradas lan\u00e7ou o estudo \u201cMorte no Tr\u00e2nsito- Uma Trag\u00e9dia Rodovi\u00e1ria\u201d, detectamos que metade dos acidentes nas estradas com motoristas profissionais ocorriam sem o envolvimento de outro ve\u00edculo. Eram sa\u00eddas de pista, tombamento, choque com objeto fixo, muitas vezes sem nenhuma marca de frenagem. Situa\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de acidentes provocados por fadiga. No Brasil, \u00e9 not\u00f3rio que muitos motoristas s\u00e3o explorados por m\u00e1s empresas de transporte e embarcadores inescrupulosos. Por isso, s\u00e3o submetidos a jornadas que o corpo n\u00e3o suporta ou aceitam viagens para n\u00e3o perder o servi\u00e7o porque precisam do dinheiro. Viajam sem dormir, geralmente acima do limite de velocidade e ainda s\u00e3o \u201cpremiados\u201d quando chegam antes do previsto.<\/p>\n<p>Pressionados pela necessidade de sobreviver, muitos motoristas empregados ou aut\u00f4nomos come\u00e7aram a utilizar medicamentos para ficarem acordados. Popularmente conhecidos como rebites, alguns eram proibidos outros dispon\u00edveis nas farm\u00e1cias. O uso cada vez mais frequente chamou a aten\u00e7\u00e3o dos traficantes de drogas que perceberam, nesse p\u00fablico, um potencial consumidor de drogas mais pesadas. Naturalmente, o consumo de drogas por motoristas profissionais n\u00e3o \u00e9 exclusivo dos que as usam para suportar a jornada e sobreviver num mercado aviltado. H\u00e1 tamb\u00e9m os irrespons\u00e1veis, que n\u00e3o fazem cerim\u00f4nia ao colocar em risco sua vida e de terceiros que est\u00e3o nas estradas.<\/p>\n<p>Com o tempo, as drogas foram tomando conta da estrada e muitos caminhoneiros e motoristas de \u00f4nibus passaram de usu\u00e1rios a intermedi\u00e1rios. Para pagar d\u00edvidas aos traficantes, ou pelo dinheiro f\u00e1cil, passaram a transportar drogas ou fazer vista grossa. H\u00e1 motoristas que, hoje, vivem na estrada, mas atuam como traficantes. Para entender melhor a dimens\u00e3o do problema, o SOS Estradas est\u00e1 lan\u00e7ando o estudo: As Drogas e os Motoristas Profissionais. O trabalho foi realizado pelo Coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, autor de v\u00e1rios estudos e dos livros \u201d Acidentes N\u00e3o Acontecem\u201d e \u201cRecall &#8211; O que as Montadoras N\u00e3o Contam\u201d. Como o Brasil \u00e9 essencialmente uma pa\u00eds de transporte rodovi\u00e1rio, a droga chegou em todo lugar, nos grandes centros e nas pequenas cidades. Distribu\u00edda por \u201cmulas\u201d, falsos passageiros de \u00f4nibus, em ve\u00edculos leves ou escondidas na carroceria de caminh\u00f5es entre toneladas de carga. Essa realidade estimulou a comunidade cient\u00edfica a investigar a depend\u00eancia das drogas por motoristas profissionais produzindo in\u00fameros estudos e pesquisas nos principais centros acad\u00eamicos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Paralelamente, a imprensa vem atuando de forma cada vez mais eficiente, revelando o submundo das drogas nas estradas. S\u00e3o centenas de mat\u00e9rias por ano, que mostram desde toneladas de apreens\u00e3o de drogas nas estradas at\u00e9 a facilidade na compra a fiscaliza\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave que, a cada dia, \u00e9 mais dif\u00edcil encontrar um motorista profissional que nunca usou drogas para se manter acordado ou por lazer. Determinadas categorias, como a dos que transportam produtos perec\u00edveis, j\u00e1 s\u00e3o conhecidas pelo uso intenso de drogas. Em opera\u00e7\u00f5es educativas nas estradas, em que motoristas aceitaram se submeter a exame de sangue e urina, h\u00e1 casos em que mais de 50% estavam sob efeito de drogas. Alguns em estado de t\u00e3o grave que eram transportados, imediatamente, para o hospital.<\/p>\n<p>Durantes os debates que tinham como intuito inicial aprimorar a Lei 12.619\/12, a chamada Lei do Descanso do Motorista Profissional, surgiu uma luz no fim do t\u00fanel: os exames toxicol\u00f3gicos de larga janela de detec\u00e7\u00e3o. Popularmente conhecidos como \u201cteste de cabelo\u201d, permitem com apenas uma pequena coleta de cabelo identificar o uso de drogas nos \u00faltimos tr\u00eas meses. Ao analisarmos o caso de uma das maiores transportadoras do mundo, a JB Hunt dos EUA, vimos que ela aplicou 65 mil testes de cabelo com seus motoristas nos \u00faltimos cinco anos. Ficamos surpresos com os resultados obtidos, que praticamente zeraram os casos de acidentes com motoristas sob efeito de drogas.<\/p>\n<p>O Coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, foi a sede da empresa, no estado de Arkansas, para conhecer de perto esta experi\u00eancia e voltou impressionado com o potencial desses exames para reduzir acidentes com motoristas drogados no Brasil. Nos EUA, os motoristas s\u00e3o obrigados a fazer exames regulares de urina, entretanto, como detectam o uso apenas alguns dias antes da coleta, \u00e9 comum os motoristas deixarem de usar por uma semana para que o uso de drogas n\u00e3o seja detectado. No caso do teste de cabelo, s\u00f3 tem um jeito: parar de usar. \u00c9 bom lembrar que nos EUA o uso de drogas por motoristas profissionais \u00e9 basicamente por lazer, porque as jornadas s\u00e3o controladas e as condi\u00e7\u00f5es de descanso, a come\u00e7ar do tamanho das cabines, completamente diferentes.<\/p>\n<p>No Brasil, caminhoneiros dormem em cabines min\u00fasculas, com um olho aberto e outro fechado por causa do risco de roubo, e a maioria recorre as drogas para suportar as jornadas, n\u00e3o por divers\u00e3o. Para combater o uso de drogas por motoristas profissionais e, indiretamente, o excesso de jornada e tr\u00e1fico de entorpecentes, o teste de cabelo \u00e9 uma arma poderosa que obriga o profissional a buscar ajuda e largar as drogas. Exames de urina e saliva podem detectar o uso no ato da dire\u00e7\u00e3o e s\u00e3o \u00fateis para a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o, mas limitados na preven\u00e7\u00e3o e. operacionalmente, complicados.<\/p>\n<p>As autoridades precisam enfrentar o problema da droga com motoristas profissionais usando as armas mais modernas dispon\u00edveis, como \u00e9 o teste de cabelo. Com isso, vamos conseguir reduzir os acidentes, diminuir a explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra e combater o tr\u00e1fico de entorpecentes que, hoje, depende do transporte rodovi\u00e1rio para sobreviver. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave, que traficantes est\u00e3o entrando no setor de transportes. A Pol\u00edcia Federal j\u00e1 aprendeu dezenas de carretas com um \u00fanico grupo de criminosos.<\/p>\n<p>O Governo deu um primeiro passo importante com a Resolu\u00e7\u00e3o 460 do Contran, que estabeleceu a obrigatoriedade dos exames toxicol\u00f3gicos de larga janela de detec\u00e7\u00e3o, o teste do cabelo, na renova\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a de categoria dos motoristas profissionais. Entretanto, n\u00e3o podemos ficar restritos a controles de longo prazo \u2013 \u00e9 fundamental que esses exames sejam exigidos regularmente para todos os motoristas profissionais. As empresas de \u00f4nibus, para operar as linhas concedidas pelo setor p\u00fablico, devem fazer exames anuais com todos os motoristas. Da mesma forma, embarcadores, os chamados donos da carga, n\u00e3o podem contratar empresas de transporte cujos motoristas n\u00e3o estejam em dia com os exames toxicol\u00f3gicos. Afinal, n\u00e3o \u00e9 apenas a vida deles que est\u00e1 em risco, mas de todos que circulam nas rodovias. Com maior controle e usando um exame preventivo que obriga a busca de tratamento dos dependentes, teremos estradas mais seguras e vamos combater o aumento do uso de drogas e sua distribui\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, teremos um mercado mais saud\u00e1vel, sem a concorr\u00eancia desleal que existe hoje, em que motoristas que usam drogas para se manterem acordados, aceitem transportar em condi\u00e7\u00f5es absurdas de tempo e pre\u00e7o, prejudicando todos que resistem ao uso de drogas e colocando em risco a vida de quem circula nas rodovias.<\/p>\n<p>Precisamos do transporte socialmente respons\u00e1vel e o uso de drogas por motoristas que transportam dezenas de pessoas ou toneladas de carga n\u00e3o pode ser tolerado. Por isso, o combate a esse uso e a explora\u00e7\u00e3o desses profissionais, que vivem, em muitos casos, em regime an\u00e1logo a de escravo, ser\u00e3o o foco principal do SOS Estradas neste ano de 2015. O estudo \u201cAs Drogas e os Motoristas Profissionais\u201d , \u00e9 apenas um primeiro passo nessa longa caminhada.<br \/>\nBaixe gratuitamente clicando <a title=\"Pesquisa teste do cabelo\" href=\"http:\/\/estradas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/As-Drogas-e-os-Motoristas-Profissionais.pdf\">aqui.<\/a><\/p>\n<p>Fonte: www.estradas.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 2004, quando o SOS Estradas lan\u00e7ou o estudo \u201cMorte no Tr\u00e2nsito- Uma Trag\u00e9dia Rodovi\u00e1ria\u201d, detectamos que metade dos acidentes<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":36426,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41730"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41730"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41730\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}