{"id":43286,"date":"2015-03-30T14:13:31","date_gmt":"2015-03-30T17:13:31","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=43286"},"modified":"2015-03-30T14:13:31","modified_gmt":"2015-03-30T17:13:31","slug":"pesquisa-diz-que-40-das-policiais-ja-sofreram-assedio-sexual-ou-moral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/pesquisa-diz-que-40-das-policiais-ja-sofreram-assedio-sexual-ou-moral\/","title":{"rendered":"Pesquisa diz que 40% das policiais j\u00e1 sofreram ass\u00e9dio sexual ou moral"},"content":{"rendered":"<p><em>Maior parte das vezes quem assedia \u00e9 um superior dentro das pr\u00f3prias corpora\u00e7\u00f5es. Apenas 11,8% das mulheres nas pol\u00edcias denunciam abuso.<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/s04.video.glbimg.com\/x360\/4071659.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" \/>O trabalho delas \u00e9 proteger as pessoas. Mas, muitas vezes, s\u00e3o elas que precisam de prote\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea vai ver o resultado de uma pesquisa in\u00e9dita sobre ass\u00e9dio contra mulheres policiais dentro de suas pr\u00f3prias corpora\u00e7\u00f5es. S\u00e3o relatos dram\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Relatos parecidos ecoam pelos corredores das delegacias e quart\u00e9is. Mulheres policiais assediadas por outros policiais. De t\u00e3o frequentes, os casos viraram tema de uma pesquisa in\u00e9dita do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica e da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o sombrios: 40% das entrevistadas disseram j\u00e1 ter sofrido ass\u00e9dio moral ou sexual no ambiente de trabalho. A maior parte das vezes quem assedia \u00e9 um superior. O levantamento foi feito com mulheres das guardas municipais, pericia criminal, Corpo de Bombeiros e das Policias Civil, Militar e Federal. Tudo de forma an\u00f4nima. N\u00e3o \u00e0 toa. A pesquisa tamb\u00e9m mostrou que s\u00f3 11,8% das mulheres denunciam que sofreram abuso.<\/p>\n<p>\u201cMedo da pessoa, medo da minha carreira, medo de ser tachada pelos outros\u201d, afirma uma mulher que n\u00e3o quis se identificar.<\/p>\n<p>Poucas se atrevem a mostrar o rosto. Como Marcela e Katya. Esta semana, elas foram com outras duas colegas \u00e0 Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para falar sobre o ass\u00e9dio que dizem ter sofrido.<\/p>\n<p>As quatro s\u00e3o policiais militares e alegam terem sido v\u00edtimas da mesma pessoa, o Tenente Paulo C\u00e9sar Pereira Chagas.<\/p>\n<p>\u201cSempre esse tenente sempre passava por mim, pelo p\u00e1tio da companhia e me elogiava. Falava assim: \u2018seu sorriso alegra meu dia\u2019, conta Katya Fl\u00e1via de Queiros, soldado da Pol\u00edcia Militar.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 que as conversas come\u00e7aram a ficar mais ousadas\u201d, conta Marcela Fonseca de Oliveira, soldado da Pol\u00edcia Militar.<\/p>\n<p>\u201cNa \u00e9poca, meu casamento foi totalmente abalado por isso. Passei muita dificuldade. Tive que voltar para casa dos meus pais. Minha vida foi totalmente destru\u00edda por causa disso\u201d, relembra Katya.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que elas entenderam que n\u00e3o eram culpadas pelo ass\u00e9dio e decidiram se unir para denunciar o homem que elas apontam como agressor.<\/p>\n<p>\u201cA gente se sente t\u00e3o fraca quando est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o dessa\u2019, diz Marcela.<\/p>\n<p>O Fant\u00e1stico procurou o tenente, mas quem respondeu por ele foi a Pol\u00edcia Militar de Minas Gerais. Em nota, a PM diz que o ass\u00e9dio \u00e9 transgress\u00e3o grave, de acordo com o c\u00f3digo de \u00e9tica e disciplina da corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, at\u00e9 agora, a \u00fanica puni\u00e7\u00e3o sofrida pelo tenente foi a transfer\u00eancia do local de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cElas n\u00e3o t\u00eam mais o acompanhamento do oficial que dirigiu a elas esses gracejos\u201d diz o comandante da 10\u00ba RPM de Patos de Minas\/MG, Coronel Elias Saraiva.<\/p>\n<p>\u201cEles n\u00e3o veem a gente como profissional, como uma militar, como todos os outros. \u00c9 como se a gente fosse um peda\u00e7o de carne. Ou que estivesse l\u00e1 desfilando para embelezar o quartel\u201d, lamenta Katya.<\/p>\n<p>Em qualquer ambiente de trabalho, casos de ass\u00e9dio sexual e moral s\u00e3o graves. E quando os envolvidos s\u00e3o policiais o desfecho \u00e9 imprevis\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cNosso policial anda armado e de repente pode acontecer uma trag\u00e9dia\u201d, afirma o presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Pra\u00e7as Policiais e Bombeiros Militares de MG, Marco Antonio Bahia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s sabemos que pessoas, tanto homens quanto mulheres que est\u00e3o na corpora\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia tem um tom de agressividade a mais do que a popula\u00e7\u00e3o geral\u201d, diz a psiquiatra Alexandrina Meleiro.<\/p>\n<p>\u201cA gente fica atormentada, psicologicamente. Eu cheguei a um ponto que at\u00e9 eu tive vontade de matar\u201d, afirma a v\u00edtima que n\u00e3o quis se identificar.<\/p>\n<p>Uma policial militar sofreu durante dois anos calada. Ela \u00e9 casada e tinha medo que o ass\u00e9dio prejudicasse sua fam\u00edlia e sua carreira.<\/p>\n<p>\u201cA pessoa come\u00e7ou a chantagear e amea\u00e7ar. Caso eu contasse para algu\u00e9m, que ele ia reverter a situa\u00e7\u00e3o contra mim. Ele falou assim: \u2018voc\u00ea n\u00e3o tem prova. Voc\u00ea n\u00e3o tem prova nenhuma. Ningu\u00e9m nunca viu eu fazendo nada\u2019\u201d, conta a v\u00edtima.<\/p>\n<p>At\u00e9 o dia que ela n\u00e3o aguentou tanta press\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEu estourei, comecei a gritar com ele e falar que ele me assediava o tempo todo, que ele era tarado, que eu estava com medo dele\u201d, relembra a v\u00edtima.<\/p>\n<p>Depois de uma investiga\u00e7\u00e3o interna, a puni\u00e7\u00e3o aplicada, mais uma vez, foi a transfer\u00eancia para outro quartel.<\/p>\n<p>\u201cE foi tudo muito bem apurado. E foi comprovado o ass\u00e9dio\u201d, conta a v\u00edtima.<\/p>\n<p>As mulheres reclamam que n\u00e3o existe um setor espec\u00edfico para receber relatos de abusos sexuais e morais. Ao todo, 48% das policiais afirmam que n\u00e3o sabem exatamente como denunciar. E 68% das que registraram queixa n\u00e3o ficaram satisfeitas com o desfecho do caso.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea n\u00e3o tem a quem recorrer. Se todo mundo recorre a pol\u00edcia, voc\u00ea est\u00e1 dentro da pol\u00edcia sofrendo ass\u00e9dio, voc\u00ea vai para onde?\u201d, diz uma outra mulher que tamb\u00e9m n\u00e3o quis ser identificada.<\/p>\n<p>Uma PM do Piau\u00ed acusa a pol\u00edcia de abafar os casos de ass\u00e9dio. \u201cEles procuram colocar, por ser um meio machista, a culpa na mulher. E n\u00e3o a culpa neles mesmos que s\u00e3o os causadores\u201d, diz.<\/p>\n<p>Segundo a Pol\u00edcia Militar do estado, nos \u00faltimos tr\u00eas anos nenhuma den\u00fancia formal de ass\u00e9dio foi registrada.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem que tomar cuidado porque as pr\u00f3prias policiais t\u00eam sido v\u00edtimas de um crime, e que precisa ser investigado, que precisa ser explicitado\u201d, afirma o pesquisador do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica Renato Sergio de Lima.<\/p>\n<p>Uma Policial Civil diz que foi assediada durante meses. Ela \u00e9 da Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte e foi trabalhar no interior de Minas logo no come\u00e7o da carreira. Era a \u00fanica policial feminina do lugar e passou a ser alvo do delegado da cidade.<\/p>\n<p>\u201cPerguntava se eu queria carona. Se eu queria que ele me levasse pra casa. Eu dizia que n\u00e3o e ele vinha me acompanhando o tempo todo. At\u00e9 chegar perto de casa. At\u00e9 no dia em que ele tentou me agarrar\u201d, conta.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, o assediador mudou de estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro, eles tentam alguma coisa com voc\u00ea. Quando voc\u00ea fala que n\u00e3o ai eles passam para o ass\u00e9dio moral. Ai voc\u00ea n\u00e3o presta no servi\u00e7o, voc\u00ea n\u00e3o serve para nada\u201d, conta a v\u00edtima.<\/p>\n<p>As marcas do ass\u00e9dio moral para ela \u00e9 mais grave; ai vem a depress\u00e3o. Vem at\u00e9 um fen\u00f4meno maior que \u00e9 o suic\u00eddio\u201d, conta o presidente do Sindicato dos Servidores da Pol\u00edcia Civil\/MG, Denilson Martins.<\/p>\n<p>Voc\u00ea se sente um nada. Voc\u00ea se sente menos que um gr\u00e3o. Voc\u00ea n\u00e3o se sente nada\u201d, lamenta a mulher.<\/p>\n<p>Em nota, a Pol\u00edcia Civil de Minas Gerais afirma que tem um conselho de \u00e9tica ligado \u00e0 Corregedoria-geral para acolher qualquer tipo de den\u00fancia, inclusive as de ass\u00e9dio.<\/p>\n<p>\u201cEu recorri dentro da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o. Foi um erro porque a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o fez nada, s\u00f3 colocou panos quentes\u201d, diz a mulher.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 o grande problema: a quem reclamar. Eu acho que nesta condi\u00e7\u00e3o a mulher deveria buscar o controle externo das policias que \u00e9 o Minist\u00e9rio P\u00fablico\u201d, afirma a secretaria nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica Regina Miki.<\/p>\n<p>\u201cSe a gente abaixar a cabe\u00e7a, coisas como essas podem acontecer com mais gente\u201d, afirma Katya Fl\u00e1via de Queiros, soldado da Pol\u00edcia Militar.<\/p>\n<p>Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maior parte das vezes quem assedia \u00e9 um superior dentro das pr\u00f3prias corpora\u00e7\u00f5es. Apenas 11,8% das mulheres nas pol\u00edcias denunciam<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":30609,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,3,6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43286"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43286"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43286\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}