{"id":45352,"date":"2015-07-30T10:45:07","date_gmt":"2015-07-30T13:45:07","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=45352"},"modified":"2015-07-30T10:45:07","modified_gmt":"2015-07-30T13:45:07","slug":"68-dos-policiais-do-pais-dizem-ter-colegas-assassinados-fora-de-servico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/68-dos-policiais-do-pais-dizem-ter-colegas-assassinados-fora-de-servico\/","title":{"rendered":"68% dos policiais do pa\u00eds dizem ter colegas assassinados fora de servi\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>Dois em cada tr\u00eas policiais do pa\u00eds dizem que j\u00e1 tiveram colegas pr\u00f3ximos v\u00edtimas de homic\u00eddio fora de servi\u00e7o. \u00c9 o que mostra uma pesquisa feita pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica e cujos resultados ser\u00e3o divulgados nesta quinta-feira (30), no Rio. O percentual de policiais que tiveram colegas mortos fora do expediente (68,4%) \u00e9 maior, inclusive, que o de profissionais que dizem ter perdido um colega assassinado em servi\u00e7o (60,6%).<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o estudo, 74,7% dos agentes de seguran\u00e7a no Brasil dizem j\u00e1 ter sofrido amea\u00e7as durante o combate ou a investiga\u00e7\u00e3o de crimes; mais da metade (51,4%) relata ter sofrido amea\u00e7as tamb\u00e9m fora do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>A pesquisa, intitulada &#8220;Vitimiza\u00e7\u00e3o e risco entre profissionais do sistema de seguran\u00e7a p\u00fablica&#8221;, foi feita em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas e com a Secretaria Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica e ouviu 10.323 policiais militares, civis, federais, rodovi\u00e1rios federais, agentes penitenci\u00e1rios e integrantes do Corpo de Bombeiros e da Guarda Municipal em todos os estados do pa\u00eds. O estudo foi realizado entre os dias 18 de junho e 8 de julho.<\/p>\n<p>Para a diretora-executiva do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, Samira Bueno, a pesquisa mostra o quanto os policiais est\u00e3o expostos durante suas trajet\u00f3rias profissionais. \u201cOs policiais s\u00e3o reconhecidos no Brasil pelas viola\u00e7\u00f5es de direitos. Mas eles tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas de viola\u00e7\u00f5es dos seus pr\u00f3prios direitos, que passam despercebidas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Discrimina\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO estudo mostra que 64,2% dos agentes dizem ser discriminados em raz\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o que exercem. A reclama\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o alvos de preconceito da popula\u00e7\u00e3o recai tamb\u00e9m sobre o c\u00edrculo de conv\u00edvio dos filhos: 22,5% dizem que eles j\u00e1 sofreram discrimina\u00e7\u00e3o na escola ou na comunidade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um cen\u00e1rio triste. Mas trata-se de um dado esperado. A percep\u00e7\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o que o policial tem est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 desconfian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o. S\u00f3 30% afirmam confiar na pol\u00edcia. Isso porque, desde 1988, com o advento da Constitui\u00e7\u00e3o, que tecnicamente rompe com o momento autorit\u00e1rio do pa\u00eds, muito pouco se mudou no modelo de seguran\u00e7a p\u00fablica. As pessoas se afastam dos policiais porque eles s\u00e3o tidos como violentos. As inst\u00e2ncias respons\u00e1veis pela \u00e1rea direta ou indiretamente precisam pensar em mecanismos de moderniza\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Samira.<\/p>\n<p>O n\u00famero de agentes que relatam situa\u00e7\u00f5es degradantes no trabalho \u00e9 grande: 62,8% dizem j\u00e1 ter sofrido ass\u00e9dio moral ou algum tipo de humilha\u00e7\u00e3o. Um ter\u00e7o (32,3%) afirma ter sido v\u00edtima de viol\u00eancia f\u00edsica durante algum treinamento.<\/p>\n<p><strong>Rotina<\/strong><br \/>\nA pesquisa revela ainda que os agentes costumam adotar h\u00e1bitos espec\u00edficos no dia a dia para evitar serem alvos de retalia\u00e7\u00e3o ou viol\u00eancia: 36%, por exemplo, escondem o fato de serem policiais ou agentes prisionais de conhecidos.<\/p>\n<p>Quase metade (45,5%) jamais deixa \u00e0 mostra a farda ou o distintivo no trajeto casa-trabalho. E 61,4% evitam usar transporte p\u00fablico. \u201cEsse dado chama bastante a aten\u00e7\u00e3o. S\u00e3o pessoas que t\u00eam que garantir o direito de ir e vir e n\u00e3o t\u00eam o deles assegurado. S\u00e3o pessoas que t\u00eam que esconder sua profiss\u00e3o\u201d, afirma Samira.<\/p>\n<p>Os agentes tamb\u00e9m relatam inseguran\u00e7a durante a pr\u00e1tica profissional e elencam alguns motivos para isso. A impunidade, com 64,6%, \u00e9 o principal. Mais da metade (52,7%), no entanto, tamb\u00e9m coloca a falta de equipamento pessoal de prote\u00e7\u00e3o como fator preponderante.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 um alerta para as corpora\u00e7\u00f5es, para os comandos, porque mostra como os profissionais se sentem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho. A gente o tempo todo cobra efici\u00eancia, redu\u00e7\u00e3o de indicadores de criminalidade. E \u00e9 um dever cobrar. Mas pouqu\u00edssima gente olha as necessidades dos policiais. Em muitos casos, n\u00e3o h\u00e1 coletes ou eles n\u00e3o s\u00e3o adaptados, por exemplo, para a mulher que vai atuar\u201d, afirma a diretora-executiva do f\u00f3rum.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, 39,9% dos policiais t\u00eam receio de serem assassinados em servi\u00e7o. Essa percep\u00e7\u00e3o varia entre as regi\u00f5es do pa\u00eds. No Sul, esse \u00edndice sobe para 55,3%; no Sudeste, ele fica em 34,5%.<\/p>\n<p><strong>Dist\u00farbios psicol\u00f3gicos<\/strong><br \/>\nPara Samira, outro dado que merece destaque \u00e9 o de policiais diagnosticados com algum dist\u00farbio psicol\u00f3gico: 16,4%. \u201c\u00c9 um n\u00famero muito alto. E como as corpora\u00e7\u00f5es enfrentam isso? Basta ver as estruturas de atendimento. Quando muito, se existem, est\u00e3o s\u00f3 nas capitais ou regi\u00f5es metropolitanas. Isso sem contar o preconceito dentro das corpora\u00e7\u00f5es quando um profissional procura um psic\u00f3logo. E esse percentual diz respeito apenas aos diagnosticados. Ou seja, o contingente deve ser muito maior.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, 86,5% dos ouvidos s\u00e3o homens, 56,4% t\u00eam de 25 a 40 anos e 44,1% trabalham em capitais. Al\u00e9m disso, 43,7% se declaram brancos, 9%, negros, e 44,7%, pardos.<\/p>\n<p>Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois em cada tr\u00eas policiais do pa\u00eds dizem que j\u00e1 tiveram colegas pr\u00f3ximos v\u00edtimas de homic\u00eddio fora de servi\u00e7o. \u00c9<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":44021,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45352"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45352"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45352\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45352"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45352"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45352"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}