{"id":46478,"date":"2015-10-05T17:18:01","date_gmt":"2015-10-05T20:18:01","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=46478"},"modified":"2015-10-05T17:18:01","modified_gmt":"2015-10-05T20:18:01","slug":"policiofobia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/policiofobia\/","title":{"rendered":"Policiofobia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por<\/em><strong><em> *Filipe Bezerra<\/em><\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_46484\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/filipe_bezerra_prf.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-46484\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-46484\" title=\"filipe_bezerra_prf\" src=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/filipe_bezerra_prf-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-46484\" class=\"wp-caption-text\">Filipe Bezerra<\/p><\/div>\n<p>A policiofobia \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o cultural que pode ser conceituada como a promo\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do \u00f3dio, da avers\u00e3o, do preconceito, do descr\u00e9dito e da desmoraliza\u00e7\u00e3o dos profissionais de seguran\u00e7a p\u00fablica do Brasil.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que imagina o senso comum a policiofobia n\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia da viol\u00eancia policial ante a popula\u00e7\u00e3o de periferia, e tampouco \u00e9 uma resultante do per\u00edodo do regime militar. A popula\u00e7\u00e3o de periferia historicamente nunca teve voz e a maioria dos policiais de hoje sequer viveram ou tiveram alguma liga\u00e7\u00e3o direta com o per\u00edodo dos chamados &#8220;anos de chumbo&#8221;.<\/p>\n<p>Ela \u00e9, na verdade, uma constru\u00e7\u00e3o artificiosa e ideol\u00f3gica de setores da pol\u00edtica, da m\u00eddia e da academia, e \u00e9 propagada, em regra, por indiv\u00edduos das classes m\u00e9dia e alta que, no alto de suas torres de marfim, nunca sofreram abusos ou viol\u00eancia de policiais.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode negar, entretanto, que em meio ao efetivo das pol\u00edcias exista uma minoria de psicopatas, corruptos e demais esp\u00e9cies de bandidos de farda, mas ningu\u00e9m deseja mais que estes sejam exclu\u00eddos, processados e presos do que a grande maioria de policiais honestos e de bem que tem a sua reputa\u00e7\u00e3o profissional maculada pelas transgress\u00f5es e crimes dos maus policiais. Mas \u00e9 importante dizer que em nenhum outro grupo profissional o todo \u00e9 julgado pela parte atrav\u00e9s de uma maliciosa e sistem\u00e1tica campanha de desmoraliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o faz muito tempo em que a m\u00eddia brasileira abordava o trabalho policial se n\u00e3o de uma forma positiva, mas, pelo menos, de uma forma neutra que possibilitava ao homem comum fazer um ju\u00edzo de valor solid\u00e1rio aos homens e mulheres que arriscam a vida nas ruas na nobre miss\u00e3o servir e proteger a sociedade. De uma hora pra outra fatos isolados come\u00e7aram a ganhar destaque e serem superdimensionados. A grande maioria das a\u00e7\u00f5es policiais &#8211; leg\u00edtimas por natureza &#8211; passaram a ser solenemente ignoradas, de uma forma que hoje quase toda a cobertura do trabalho policial na grande m\u00eddia \u00e9 em forma de pauta negativa. As s\u00e9ries e filmes policiais que exaltavam a humanidade, o hero\u00edsmo e a bravura desses profissionais sumiram e hoje \u00e9 praticamente imposs\u00edvel encontrar uma produ\u00e7\u00e3o cultural onde o personagem policial tenha raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Como os militares voltaram para os quart\u00e9is ap\u00f3s a redemocratiza\u00e7\u00e3o a pol\u00edcia passou a ser o bode expiat\u00f3rio preferido de pseudointelectuais da academia e da pol\u00edtica que, para promoverem a \u201cluta de classes\u201d atrav\u00e9s de um revanchismo tardio e descabido, fomentam abertamente \u00e0 toler\u00e2ncia (e o est\u00edmulo moral) ao banditismo e, por conseguinte, a criminaliza\u00e7\u00e3o da atividade policial leg\u00edtima.<\/p>\n<p>O produto cultural destas a\u00e7\u00f5es \u00e9 a grande invers\u00e3o de valores que produz hoje no pa\u00eds a enorme sensa\u00e7\u00e3o de impunidade que fez explodir a criminalidade. Essa mentalidade que odeia a pol\u00edcia \u201copressora\u201d invadiu tamb\u00e9m o judici\u00e1rio j\u00e1 nos bancos universit\u00e1rios, e os policiais foram empurrados assim para uma legalidade que, de t\u00e3o estreita, virou uma esp\u00e9cie de corda bamba onde se o policial age \u00e9 acusado de abuso e caso se omita \u00e9 acusado de prevarica\u00e7\u00e3o. Operou-se assim um verdadeiro desmonte do arcabou\u00e7o jur\u00eddico de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade policial. Hoje no Congresso Nacional, por exemplo, partidos pol\u00edticos que sobrevivem da promo\u00e7\u00e3o do caos patrocinam projetos que querem acabar com auto de resist\u00eancia e com o crime de desacato o que, se concretizado, sepultaria de vez a pol\u00edcia e entregaria o Brasil de bandeja ao crime.<\/p>\n<p>Em pa\u00edses de cultura sadia o hero\u00edsmo e a bravura da pol\u00edcia \u00e9 estimulada. Policiais que trocam tiros com bandidos perigosos s\u00e3o aclamados e valorizados, e n\u00e3o s\u00e3o raras as vezes que s\u00e3o promovidos por bravura pelas autoridades constitu\u00eddas. No Brasil a mesmas a\u00e7\u00f5es resultam sempre numa presun\u00e7\u00e3o de culpabilidade de forma que \u00e9 mais f\u00e1cil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um policial ter, por exemplo, uma leg\u00edtima defesa putativa reconhecida pelo judici\u00e1rio. Ao policial brasileiro \u00e9 presumido quase sempre o erro, a m\u00e1 f\u00e9, o excesso, o abuso e, muitas vezes, o crime. Abandonados pelo estado e escutando apenas a parte esquizofr\u00eanica da sociedade que os condena, os policiais ficaram entregues \u00e0 pr\u00f3pria sorte e, por isso, s\u00e3o jogados \u00e0 omiss\u00e3o.<\/p>\n<p>O fomento da desmoraliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia ante a popula\u00e7\u00e3o menos letrada produziu tamb\u00e9m um paradoxo: se a pol\u00edcia \u00e9 violenta, ela deveria provocar medo e respeito na popula\u00e7\u00e3o e na criminalidade. N\u00e3o \u00e9 o que acontece. Se multiplicam as ocorr\u00eancias em que pessoas desrespeitam a figura dos policiais e avan\u00e7am sobre eles, o que tem causado mortes e les\u00f5es dos dois lados. Num passado recente era inconceb\u00edvel uma pessoa s\u00e3 atacar um policial armado.<\/p>\n<p>Ante esse quadro, a desumaniza\u00e7\u00e3o da figura do policial veio a reboque. \u00c9 poss\u00edvel observar uma certa psicopatia no ar ao ver que a sociedade n\u00e3o demonstra nenhuma empatia com os operadores de seguran\u00e7a p\u00fablica que tombam assassinados por marginais. \u00c9 como se o discurso hegem\u00f4nico de prote\u00e7\u00e3o ao banditismo e criminaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia produzisse uma S\u00edndrome de Estocolmo coletiva, onde os indiv\u00edduos passassem a ter simpatia por seus algozes e odiar seus protetores, assim como ovelhas que odeiam c\u00e3es pastores e sorriem simp\u00e1ticas para os lobos que as devorar\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o se combate \u00e0 criminalidade vestindo camisas brancas e pedindo paz. Nenhum bandido abandonar\u00e1 o crime e se tornar\u00e1 um trabalhador por causa disso. \u00c9 preciso que a sociedade entenda em sua plenitude o velho ad\u00e1gio romano: <em>si vis pacem, para bellum<\/em>, que, nos dias de hoje, significaria: se queres paz, apoie a pol\u00edcia. \u00c9 preciso sustar o cheque em branco da impunidade e da hipocrisia e valorizar os soldados cidad\u00e3os que, ao fazer o enfrentamento direto ao crime, tentam devolver as ruas do pa\u00eds \u00e0s pessoas de bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/policiofobia.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-46479\" title=\"policiofobia\" src=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/policiofobia.jpg\" alt=\"\" width=\"100%\" \/><\/a> Fonte: Pegadas da Marcha<\/p>\n<p><em><strong>*Filipe Bezerra<\/strong> \u00e9 policial rodovi\u00e1rio federal, bacharel em Direito pela UFRN, p\u00f3s-graduado em Ci\u00eancias Penais pela Anhaguera-Uniderp, bacharelando em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica pela UFRN e membro da Ordem dos Policiais do Brasil.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por *Filipe Bezerra A policiofobia \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o cultural que pode ser conceituada como a promo\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do \u00f3dio, da<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":46479,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,2,1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46478"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46478"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46478\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}