{"id":49358,"date":"2016-07-25T16:39:40","date_gmt":"2016-07-25T19:39:40","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=49358"},"modified":"2016-07-25T16:39:40","modified_gmt":"2016-07-25T19:39:40","slug":"o-grande-dilema-de-ser-policial-no-brasil-do-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/o-grande-dilema-de-ser-policial-no-brasil-do-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"O grande dilema de ser policial no Brasil do S\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por: <strong>Tiago Arruda<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_44336\" style=\"width: 242px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/tiago_arruda.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-44336\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-44336\" title=\"tiago_arruda\" src=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/tiago_arruda-232x300.jpg\" alt=\"\" width=\"232\" height=\"300\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-44336\" class=\"wp-caption-text\">Tiago Arruda | Foto: Arquivo Ag\u00eancia FenaPRF<\/p><\/div>\n<p>Em regra, ser policial no Brasil n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de falta de op\u00e7\u00e3o, mas sim uma clara op\u00e7\u00e3o por uma carreira, cuja normalidade \u00e9 \u201candar sobre o fio da navalha\u201d, todavia como se n\u00e3o bastasse enfrentar os desafios normais dessa atividade, os profissionais da seguran\u00e7a p\u00fablica em todo o Pa\u00eds t\u00eam vivenciado um grande dilema em sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Numa recente e tr\u00e1gica ocorr\u00eancia no Estado de Goi\u00e1s, um policial teve a vida covardemente ceifada ao prestar atendimento a uma ocorr\u00eancia envolvendo problemas com uso de som alto, fato amplamente divulgado nas m\u00eddias, diante do que se questiona: se ao inv\u00e9s de ter sido morto, o policial tivesse empunhado sua arma numa ocorr\u00eancia como essa, quais seriam as acusa\u00e7\u00f5es que lhe imputariam? Nem precisa falar, n\u00e3o \u00e9 verdade?<\/p>\n<p>H\u00e1 um pouco mais de tempo, no Estado de S\u00e3o Paulo, um policial atirou no bandido que tentou tirar-lhe o spray de pimenta durante a pris\u00e3o de um outro homem e, por isso foi tachado pela m\u00eddia de assassino, isso mesmo o policial foi tratado como assassino, por fazer uso de sua arma de fogo a fim de reprimir agress\u00e3o de um bandido. Acerca das repercuss\u00f5es midi\u00e1ticas, interessante \u00e9 notar a forma como as not\u00edcias s\u00e3o veiculadas, poisquando um bandido mata o policial a manchete mais comum \u00e9: Policial morre bl\u00e1, bl\u00e1, bl\u00e1\u2026 J\u00e1 quando o bandido morre: Pol\u00edcia\/Policial mata bl\u00e1, bl\u00e1, bla\u2026 e isso tem levado a uma inseguran\u00e7a muito grande na atua\u00e7\u00e3o policial, pois \u00e9 sempre ela que ser\u00e1 questionada e a vida dele \u00e9 que est\u00e1 sob constante amea\u00e7a em prol da sociedade a quem serve.<\/p>\n<p>Esses dois extremos mostram bem a dif\u00edcil aporia de ser policial no Brasil, pois ser policial implica proteger vidas e n\u00e3o as tirar, mas se por um lado n\u00e3o t\u00eam sido raras as circunst\u00e2ncias em que a vida do pr\u00f3prio policial \u00e9 injustamente atacada em decorr\u00eancia do simples fato de ser policial, sem falar do risco pr\u00f3prio da atividade, de outro a preven\u00e7\u00e3o e a repress\u00e3o \u00e0 criminalidade tamb\u00e9m t\u00eam resultado na morte dos que est\u00e3o ao lado do crime quando investem contra a vida dos policiais e dos cidad\u00e3os. N\u00e3o se pode ignorar tamb\u00e9m que o \u201cc\u00e2ncer\u201d da viol\u00eancia e da criminalidade acomete nossa sociedade e, como em todo o tratamento, o enfrentamento pode trazer efeitos colaterais indesej\u00e1veis, o que torna o nosso dilema ainda mais dif\u00edcil: vamos deixar que esse \u201cc\u00e2ncer\u201d se alastre e acabe com a nossa sociedade para que ela n\u00e3o sofra os efeitos colaterais?<\/p>\n<p>Quando um cidad\u00e3o \u00e9 v\u00edtima de assalto, tendo seus bens e valores levados por bandidos e, informa \u00e0 guarni\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima o que aconteceu, o que ele espera dos policiais da guarni\u00e7\u00e3o: a) que eles saiam em persegui\u00e7\u00e3o do bandido, prendam-no e recuperem o que foi roubado; b) que eles ou\u00e7am atentamente como tudo ocorreu e lavrem um boletim de ocorr\u00eancia ou c) que eles lhe orientem a prestar queixa na delegacia de pol\u00edcia mais pr\u00f3xima. E voc\u00ea? Numa situa\u00e7\u00e3o em que um ente seu estivesse sendo v\u00edtima de viol\u00eancia sexual e voc\u00ea ligasse para o n\u00famero de emerg\u00eancia, o que esperaria que acontecesse? a) que fosse acionada a viatura mais pr\u00f3xima para flagrar e prender o violentador, mesmo que isso implicasse o emprego da for\u00e7a (ainda que em excesso) contra ele; b) que o atendente dissesse que voc\u00ea aguardasse no local e n\u00e3o fizesse nada at\u00e9 que a viatura chegasse, provavelmente depois que o violentador j\u00e1 tivesse ido embora, pois se voc\u00ea fizesse algo contra ele iria ser levado \u00e0 delegacia ou c) que voc\u00ea fosse orientado a n\u00e3o chamar os vizinhos para impedir a viol\u00eancia, porque se o violentador fosse linchado voc\u00ea iria ser responsabilizado. Que tipo de atitude dos policiais a sociedade brasileira quer afinal?<\/p>\n<p>Queremos proteger vidas, mas est\u00e1 cada dia mais dif\u00edcil fazer isso sem expor a vida dos bandidos e a nossa pr\u00f3pria e, a\u00ed reside o nosso grande dilema. Somos por voca\u00e7\u00e3o protetores da vida, mesmo a vida dos bandidos, por\u00e9m a m\u00eddia n\u00e3o repercute as ocorr\u00eancias em que livramos meliantes de linchamentos ou quando prestamos socorro aos bandidos que sofrem acidentes nas fugas ou ainda quando tiramos servi\u00e7o nos hospitais para proteger a vida de bandidos feridos em disputa de fac\u00e7\u00f5es. Temos sido atacados sistematicamente pelos defensores dos direitos humanos dos bandidos e pelos \u201cespecialistas\u201d de seguran\u00e7a p\u00fablica, que nunca estiveram numa ocorr\u00eancia policial. O bombardeio que sofremos \u00e9 pesado. Estamos sendo acuados em nosso prop\u00f3sito e grande parte da sociedade assiste a tudo isso em sil\u00eancio. Queremos cumprir a nossa miss\u00e3o sem precisarmosmorrer para isso ou ainda sermos condenados \u00e0 pris\u00e3o como bandidos ou at\u00e9 mesmo sermos demitidos e privados de fazer aquilo que sabemos fazer melhor: proteger vidas.<\/p>\n<p>Precisamos ter respaldo social para atuarmos em nossa plenitude, precisamos que nossa atua\u00e7\u00e3o tenha legitima\u00e7\u00e3o popular, queremos servir \u00e0 sociedade, proteger a vida dos cidad\u00e3os ainda que isso implique eventuais baixas de ambos os lados. N\u00e3o queremos negar ao cidad\u00e3o o direito \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica em nome do politicamente correto ou do respeito hip\u00f3crita aos direitos humanos. Existimos para proteger vidas, mas estamos perdendo as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de faz\u00ea-lo, pois sequer podemos proteger a nossa pr\u00f3pria, cujo valor tem sido relativizado em compara\u00e7\u00e3o com a vida dos que violam a lei.<\/p>\n<p>Embora seja verdadeiro que ser policial \u00e9 uma quest\u00e3o de op\u00e7\u00e3o e n\u00e3o da falta dela, estamos ficando sem op\u00e7\u00f5es de atuar diante desse grande dilema. N\u00e3o haver\u00e1 mais esperan\u00e7a para a seguran\u00e7a p\u00fablica quando os policiais desistirem de proteger vidas para n\u00e3o terem que responder pelos efeitos colaterais de suas leg\u00edtimas a\u00e7\u00f5es, tanto em defesa da sociedade, da vida do cidad\u00e3o ou da sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p><em><strong>Tiago Arruda Cardoso da Silva<\/strong><\/em> <em>\u00e9 policial rodovi\u00e1rio federal, bacharel em direito pela Faculdade de Direito do Recife da Universidade Federal de Pernambuco, Vice-presidente do Sindicato dos Policiais Rodovi\u00e1rios Federais no Estado de Pernambuco e Diretor Jur\u00eddico da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Policiais Rodovi\u00e1rios Federais.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Tiago Arruda Em regra, ser policial no Brasil n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de falta de op\u00e7\u00e3o, mas sim uma<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":31843,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,2,1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49358"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49358\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}