{"id":4937,"date":"2012-01-27T11:00:47","date_gmt":"2012-01-27T14:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=4937"},"modified":"2012-01-27T11:00:47","modified_gmt":"2012-01-27T14:00:47","slug":"taxas-de-juros-cobradas-pelos-bancos-ao-consumidor-continuam-elevadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/taxas-de-juros-cobradas-pelos-bancos-ao-consumidor-continuam-elevadas\/","title":{"rendered":"Taxas de juros cobradas pelos bancos ao consumidor continuam elevadas"},"content":{"rendered":"<p>Os cortes na taxa b\u00e1sica de juros (Selic) ainda est\u00e3o longe de beneficiar o consumidor. De oito grandes institui\u00e7\u00f5es financeiras do pa\u00eds, que atendem quase 90% dos correntistas do pa\u00eds, os repasses desses ajustes foram praticamente inexistentes. Em algumas, houve inclusive eleva\u00e7\u00e3o dos custos dos financiamentos exatamente no per\u00edodo em que o Banco Central derrubou a Selic de 12,50% para 10,50% ao ano entre agosto de 2011 e janeiro deste ano. O cheque especial e o cr\u00e9dito para aquisi\u00e7\u00e3o de bens foram os segmentos nos quais um maior n\u00famero de bancos, sobretudo os privados, aumentou as taxas praticadas.<\/p>\n<p>Para especialistas, os n\u00fameros mostram que os juros b\u00e1sicos definidos pelo BC est\u00e3o em patamar excessivamente elevado, acima do que poderia ser considerado o ideal. Pior que isso, consideram que a pol\u00edtica monet\u00e1ria perdeu pot\u00eancia ap\u00f3s a crise de 2008.<\/p>\n<p>Uma ala do mercado financeiro defende que, em raz\u00e3o da modera\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o de empregos e na expans\u00e3o do cr\u00e9dito, dificilmente um corte modesto na Selic levar\u00e1 o consumo para n\u00edveis de maior robustez. \u201cA inadimpl\u00eancia tamb\u00e9m est\u00e1 elevada e vai manter o crescimento do cr\u00e9dito em ritmo moderado\u201d, explicou a economista Zeina Latif. Para ela, a pol\u00edtica monet\u00e1ria \u201cperdeu tra\u00e7\u00e3o\u201d porque o canal de cr\u00e9dito, que reflete parte das decis\u00f5es do BC, ficou desgastado. \u201cEsse canal n\u00e3o vai estar t\u00e3o ativo, sobretudo porque nossa taxa de juros est\u00e1 muito elevada. A taxa de equil\u00edbrio estaria abaixo do n\u00edvel atual\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>Uma simula\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Executivos de Finan\u00e7as, Administra\u00e7\u00e3o e Contabilidade (Anefac) mostra que, na \u00faltima reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), qualquer que fosse o corte dentro de um intervalo de 0,25 ponto percentual a 1 ponto percentual, os efeitos seriam m\u00ednimos sobre as opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito. \u201cEsse fato ocorre porque existe uma diferen\u00e7a muito grande entre a Selic e as taxas de juros cobradas aos consumidores \u2014 que na m\u00e9dia da pessoa f\u00edsica atingem 114,84% ao ano \u2014, o que provoca uma varia\u00e7\u00e3o de mais de 900% entre as duas pontas\u201d, observa Miguel Oliveira, vice-presidente da Anefac.<\/p>\n<p><strong>Simula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo se o Banco Central tivesse derrubado a Selic de 11% ao ano para 10% (um corte de um ponto percentual), o efeito sobre o cr\u00e9dito seria pequeno. Em um financiamento de R$ 500 parcelado em 12 vezes, o impacto seria uma economia de R$ 0,28 em cada presta\u00e7\u00e3o. Na compra de uma geladeira de R$ 1,5 mil no credi\u00e1rio, tamb\u00e9m em 12 meses, as parcelas seriam reduzidas em R$ 0,77. \u201cNo fim das contas, o que pesa para o consumidor n\u00e3o \u00e9 se foi retirado um tributo ou cortado 0,50 ponto percentual na taxa, mas apenas se a presta\u00e7\u00e3o cabe no bolso\u201d, diz Zeina. Para um t\u00e9cnico do sistema financeiro que prefere n\u00e3o se identificar, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grave porque as taxas apuradas pelo BC referem-se ao cr\u00e9dito efetivamente contratado pelo consumidor e n\u00e3o apenas aos juros oferecidos pelas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Rodrigues, diretor da Consultoria JL Rodrigues, resume a situa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito no pa\u00eds. \u201cA capta\u00e7\u00e3o para os bancos menores est\u00e1 mais cara e o custo das opera\u00e7\u00f5es, elevado. Est\u00e1 muito apertado\u201d, criticou. Segundo dados do BC, dos oito maiores bancos, quatro elevaram o custo da opera\u00e7\u00e3o do cheque especial entre agosto e janeiro, exatamente quando a Selic despencou 2 pontos percentuais. Tr\u00eas mantiveram as taxas praticamente inalteradas. No cr\u00e9dito para aquisi\u00e7\u00e3o de bens, das oito institui\u00e7\u00f5es, cinco elevaram os custos para os consumidores no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Apenas no cr\u00e9dito para ve\u00edculos, os bancos repassaram mais expressivamente os cortes na Selic. Por\u00e9m, mesmo nas situa\u00e7\u00f5es em que as institui\u00e7\u00f5es reduziram os juros, o recuo foi t\u00edmido. Nem mesmo os bancos p\u00fablicos, tradicionalmente os primeiros a implementar as decis\u00f5es do governo, apresentaram taxas atrativas. Com isso, o desejo do Pal\u00e1cio do Planalto de reativar a economia por meio do consumo pode ser jogado pela janela.<\/p>\n<p>Nicola Tingas, economista-chefe da Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Institui\u00e7\u00f5es de Cr\u00e9dito, Financiamento e Investimento (Acrefi), defende o setor financeiro e explica que a forma\u00e7\u00e3o das taxas de opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito depende de outros fatores, e n\u00e3o apenas das movimenta\u00e7\u00f5es na Selic. A seu ver, o volume de calotes se elevou demasiadamente nos \u00faltimos meses e isso tem pesado na conta dos bancos e institui\u00e7\u00f5es. \u201cEra esperado algum crescimento da inadimpl\u00eancia no ano passado, mas foi maior do que o mercado calculou. Ent\u00e3o os bancos se tornaram mais restritivos\u201d, justificou.<\/p>\n<p>Procurados, nem todos os bancos comentaram o descompasso entre suas taxas e a queda da Selic. O Santander informou apenas que est\u00e1 analisando a \u00faltima decis\u00e3o da reuni\u00e3o do Copom. O Bradesco disse que n\u00e3o houve aumento nas taxas. \u201cA diferen\u00e7a aparece devido ao fato de o banco operar dentro de uma banda de taxas e, nesse conceito, a taxa pode sofrer pequenas altera\u00e7\u00f5es conforme o perfil di\u00e1rio das contrata\u00e7\u00f5es das opera\u00e7\u00f5es e da utiliza\u00e7\u00e3o dos limites de cr\u00e9dito pr\u00e9-aprovados\u201d, informou a institui\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o Banco do Brasil disse que, desde julho de 2011, promoveu cinco redu\u00e7\u00f5es nas taxas de juros, inclusive em financiamentos de ve\u00edculos, acompanhando os cortes na Selic. Os demais bancos citados n\u00e3o responderam \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p><strong>Contraponto<\/strong><\/p>\n<p><em>Alguns integrantes do sistema financeiro questionam a metodologia do Banco Central para a apura\u00e7\u00e3o das taxas praticadas pelo mercado. Para eles, a forma como a autoridade monet\u00e1ria coleta os dados provoca distor\u00e7\u00f5es nas taxas das institui\u00e7\u00f5es, tanto para cima quanto para baixo. Dizem ainda que s\u00f3 haveria uma mudan\u00e7a expressiva em caso de redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica na taxa b\u00e1sica de juros (Selic).<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/economia\/2012\/01\/26\/internas_economia,287626\/taxas-de-juros-cobradas-pelos-bancos-ao-consumidor-continuam-elevadas.shtml\" target=\"_blank\">Correio Braziliense<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cortes na taxa b\u00e1sica de juros (Selic) ainda est\u00e3o longe de beneficiar o consumidor. 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