{"id":49462,"date":"2016-08-02T11:17:03","date_gmt":"2016-08-02T14:17:03","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=49462"},"modified":"2016-08-02T11:17:03","modified_gmt":"2016-08-02T14:17:03","slug":"o-policial-exerce-a-profissao-mais-perigosa-no-brasil-afirma-nilson-giraldi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/o-policial-exerce-a-profissao-mais-perigosa-no-brasil-afirma-nilson-giraldi\/","title":{"rendered":"\u201cO policial exerce a profiss\u00e3o mais perigosa no Brasil\u201d, afirma Nilson Giraldi"},"content":{"rendered":"<p>O especialista em seguran\u00e7a p\u00fablica Nilson Giraldi (Cel PMESP) n\u00e3o possui d\u00favidas na hora de dizer que os policiais est\u00e3o submetidos a um grau t\u00e3o alto press\u00f5es que exercem atualmente a profiss\u00e3o mais perigosa no Brasil e a segunda no Mundo.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 TV C\u00e2mara Bauru, o Coronel da PM, que \u00e9 especialista nas quest\u00f5es de t\u00e9cnicas e abordagens, falou um pouco sobre o universo emocional dos policiais. Homens e mulheres que atuam em defesa da sociedade e s\u00e3o submetidos a todos os tipos de press\u00f5es, sem chance de errar, principalmente em um confronto armado.<\/p>\n<p>Confira abaixo os principais trechos e o v\u00eddeo com a \u00edntegra da entrevista.<\/p>\n<p><strong>Apresentador:<\/strong> No estudo do senhor, o senhor aponta entre in\u00fameros elementos, mas esse aqui eu achei fundamental, que est\u00e1 falando de rela\u00e7\u00f5es humanas, de compreender o outro. Estou tentando convidar as pessoas a entender o universo emocional, ps\u00edquico, da vida do policial obviamente. O estudo do senhor aponta que apenas 5% das nossas rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas de forma racional, a raz\u00e3o, a racionalidade, portanto, por repeti\u00e7\u00e3o. Na hora do conflito, 95% \u00e9 que s\u00e3o acionados.<\/p>\n<p><strong>Cel.Giraldi:<\/strong> \u00c9, realmente, s\u00f3 5% do nosso c\u00e9rebro \u00e9 consciente. N\u00f3s temos acesso a essa parte. Ent\u00e3o eu domino esses cinco por cento, estou dominando, estou falando\u2026 e 95% \u00e9 inconsciente, n\u00f3s n\u00e3o temos acesso a essa parte. E \u00e9 nela que est\u00e1 o perigo. Por exemplo, nesse instante meu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 batendo, seu sangue, nosso sangue est\u00e1 correndo, n\u00f3s estamos aqui calmos. Mas, vem uma coloca\u00e7\u00e3o bem simples. A qu\u00edmica do nosso corpo \u00e9 que conduz nossas emo\u00e7\u00f5es, sem exce\u00e7\u00e3o. \u00c9 a qu\u00edmica do corpo. E essa qu\u00edmica do corpo n\u00e3o \u00e9 produzida pela parte consciente, mas pela parte inconsciente. Adrenalina, eu n\u00e3o provoco a adrenalina na hora que eu quero. \u00c9 um horm\u00f4nio chamado endorfina, que essa parte inconsciente produz, quando n\u00f3s praticamos exerc\u00edcios aer\u00f3bicos ou aer\u00f3bios de longa dura\u00e7\u00e3o, produz a endorfina, que d\u00e1 a satisfa\u00e7\u00e3o, d\u00e1 a alegria. O contato com animais de estima\u00e7\u00e3o, com a natureza, por exemplo, essa parte inconsciente produz um horm\u00f4nio chamado serotonina, e eu n\u00e3o produzo a serotonina na hora que eu quero. \u00c9 a hora desse contato, \u00e9 autom\u00e1tico. E a\u00ed vem que, na rua\u2026<\/p>\n<p><strong>Apresentador:<\/strong> O policial tem uma bomba de adrenalina.<\/p>\n<p><strong>Cel. Giraldi:<\/strong> \u00e9 direto, \u00e9 direto. O policial na rua, eu n\u00e3o vou falar que ele vive tenso, mas quase. S\u00f3 quem est\u00e1 dentro daquela farda, daquele colete, com esse calor todo, podendo levar um tiro de qualquer lado, \u00e9 chamado para um universo de coisas, pois o policial \u00e9 chamado desde realizar um parto at\u00e9 acolher uma crian\u00e7a que foi estuprada e est\u00e3o querendo linchar o estuprador e ele tem que chegar l\u00e1 e proteger o estuprador. \u00c9 um universo muito grande. \u00c9 extremamente complexo, tanto que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade afirma que a fun\u00e7\u00e3o policial \u00e9 a segunda mais perigosa do mundo. E no Brasil \u00e9 a mais perigosa. Esses policiais militares que n\u00f3s vemos na rua est\u00e3o exercendo a miss\u00e3o, a fun\u00e7\u00e3o a profiss\u00e3o mais perigosa que existe no Brasil e uma pessoa nessa situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 submetida a press\u00f5es de todos os lados e o que falar durante um confronto armado? A\u00ed \u00e9 que complica. A emo\u00e7\u00e3o dele naquele instante ser\u00e1 provocada pela parte inconsciente do c\u00e9rebro. Se ele n\u00e3o souber administrar, se ele n\u00e3o aprendeu, eu uso a palavra administrar, porque \u00e9 imposs\u00edvel um pessoa ficar calma, como n\u00f3s estamos, diante da morte. N\u00e3o h\u00e1 chance!<\/p>\n<p><strong>Jornalista:<\/strong> Temos que ensin\u00e1-lo, trein\u00e1-lo prepar\u00e1-lo para administrar essas composi\u00e7\u00f5es emocionais.<\/p>\n<p><strong>Cel. Giraldi:<\/strong> Administrar, porque o policial na rua quando entra num confronto armado, como n\u00f3s tivemos recentemente, ele nunca tem a iniciativa. \u00c9 \u00e9 o agressor que tem a iniciativa, ele reage. Ele reage numa situa\u00e7\u00e3o que ele n\u00e3o est\u00e1 aguardando, o agressor j\u00e1 est\u00e1 preparado para ter iniciativa. A\u00ed vem que naquele instante, diante da morte, muitas coisas ocorre com o policial, qualquer policial, desde altera\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e ps\u00edquicas, desde o medo at\u00e9 o p\u00e2nico. Medo d\u00e1 pra administrar mas o p\u00e2nico ningu\u00e9m consegue administrar o p\u00e2nico. Da\u00ed ele tem diante da morte que est\u00e1 presente, por exemplo, a pupila dilata, a tez fica fria, gelada, a barriga encolhe, a perna treme, a capacidade de racioc\u00ednio vai para o espa\u00e7o, d\u00e1 uma coisa chamada \u201ct\u00fanel de vis\u00e3o\u201d, em que olha e n\u00e3o v\u00ea, o som chega e n\u00e3o ouve, \u00e9 horr\u00edvel! Depois, as autoridades v\u00e3o analisar a atua\u00e7\u00e3o do policial militar ou do policial, no ambiente com ar condicionado, quadro a quadro, \u201colha, aqui ele fez isso\u2026\u201d Mas e na hora? Antigamente ele s\u00f3 era treinado para matar e era ele que morria. Matar qualquer um sabe. Hoje ele \u00e9 treinado para preservar a vidas, as duas principais, a dele e da pessoa inocente e tamb\u00e9m a do agressor. Quando o agressor levanta os bra\u00e7os, ele est\u00e1 dizendo \u201cn\u00e3o atire em mim\u201d, o policial n\u00e3o atira. Quando o agressor dispara contra terceiros, ou contra o policial, ou contra uma pessoa inocente, ele est\u00e1 dizendo \u201catire em mim\u201d, \u00e9 leg\u00edtima defesa. O policial tem obriga\u00e7\u00e3o de defender essa pessoa. \u00c9 a lei que determina. Portanto, o policial n\u00e3o dispara contra o agressor porque quer, \u00e9 o agressor que obriga ele a disparar contra o agressor. E aqui entra uma coisa interessante: o policial deve treinar e disparar para matar ou deve treinar e disparar para n\u00e3o matar? Essa pergunta a gente faz para ju\u00edzes, promotores, pessoas comuns. Qual \u00e9 a resposta? O policial treina e dispara para matar ou treina e dispara para n\u00e3o matar? Quem treina e dispara para matar s\u00e3o as for\u00e7as armadas. Ela tem inimigo, tem que matar. O policial n\u00e3o tem inimigo. A resposta correta \u00e9: o policial treina e dispara para fazer cessar uma agress\u00e3o de morte do agressor contra sua v\u00edtima, ele quer matar a v\u00edtima. Ent\u00e3o o policial tem que disparar para fazer cessar aquela agress\u00e3o. Ele n\u00e3o dispara para matar mesmo porque num confronto armado n\u00e3o d\u00e1 para escolher ponto de acerto, ele dispara na dire\u00e7\u00e3o, dois tiro de cada vez \u201cpow, pow\u201d. Muitas vezes o disparo nem acerta o agressor, ele p\u00e1ra. Parou a agress\u00e3o, acabou o tiro.<\/p>\n<p>*Nilson Giraldi &#8211; Cel PMESP.\u00a0 Professor e Educador.\u00a0 Especialista em Seguran\u00e7a P\u00fablica. Faz parte do Corpo Docente do Centro de Aperfei\u00e7oamento e Estudos Superiores da PMESP.\u00a0 Tem atuado como consultor, assessor e professor\u00a0 do\u00a0 Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha; dos Direitos Humanos; Policiamento Comunit\u00e1rio; Secretaria Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica (SENASP); Pol\u00edcias (nacionais e internacionais, incluindo a PMESP).<\/p>\n<p><center><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/A8MNTh57ej8\" frameborder=\"0\" width=\"600\" height=\"400\"><\/iframe><\/center>Fonte: TV C\u00e2mara Bauru<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O especialista em seguran\u00e7a p\u00fablica Nilson Giraldi (Cel PMESP) n\u00e3o possui d\u00favidas na hora de dizer que os policiais est\u00e3o<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":49463,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[10,1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49462"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49462"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49462\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}