{"id":50646,"date":"2016-11-16T10:08:08","date_gmt":"2016-11-16T12:08:08","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=50646"},"modified":"2016-11-16T10:08:08","modified_gmt":"2016-11-16T12:08:08","slug":"reforma-da-previdencia-tera-de-lidar-com-disparidade-de-expectativa-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/reforma-da-previdencia-tera-de-lidar-com-disparidade-de-expectativa-de-vida\/","title":{"rendered":"Reforma da Previd\u00eancia ter\u00e1 de lidar com disparidade de expectativa de vida"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/node_gallery_display\/public\/previdencia_esperanca_de_vida_regioes.jpg?itok=fF6kTrtw\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" \/>A reforma da Previd\u00eancia \u00e9 uma das principais apostas do governo federal para tentar equilibrar as contas p\u00fablicas. A partir de hoje (15), a\u00a0Ag\u00eancia Brasil<strong>\u00a0<\/strong>inicia uma s\u00e9rie com quatro reportagens com opini\u00f5es de especialistas, do cidad\u00e3o e do governo sobre o tema.<\/p>\n<p>Uma das propostas prevista na reforma \u00e9 estabelecer a idade m\u00ednima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem.\u00a0Atualmente, o trabalhador pode pedir a aposentadoria com 30 anos de contribui\u00e7\u00e3o, no caso das mulheres, e 35 anos no dos homens. Para receber o benef\u00edcio integral, \u00e9 preciso atingir a f\u00f3rmula 85 (mulheres) e 95 (homens), que \u00e9 a soma da idade e o tempo de contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E um dos obst\u00e1culos da reforma do sistema previdenci\u00e1rio ser\u00e1 lidar com a disparidade entre as expectativas de vida no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Se analisarmos por estado, existe uma diferen\u00e7a de 8,4 anos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), entre a maior expectativa de vida, registrada em Santa Catarina, e a menor, no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto a esperan\u00e7a de vida dos catarinenses \u00e9 79 anos, para os maranhenses \u00e9 70,6 anos. A discrep\u00e2ncia \u00e9 o retrato das diferen\u00e7as entre as regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na Regi\u00e3o Sul, a expectativa de vida est\u00e1 em 77,8 anos, a maior do Brasil, no Nordeste, onde fica o Maranh\u00e3o, \u00e9 73 anos, a segunda mais baixa do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Regi\u00e3o Nordeste fica atr\u00e1s somente do Norte, onde o tempo m\u00e9dio de vida dos brasileiros \u00e9 72,2 anos. Rond\u00f4nia, Roraima e Amazonas puxam o indicador para baixo, com esperan\u00e7as de vida respectivamente de 71,3 anos, 71,5 anos e 71,9 anos. No Nordeste, apesar de o Maranh\u00e3o ter a menor expectativa do Brasil, estados como Para\u00edba (73,2 anos), Bahia (73,5 anos) e Cear\u00e1 e Pernambuco (73,9 anos) ajudam a melhorar o \u00edndice.<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/node_gallery_display\/public\/previdencia_esperanca_de_vida_19piores.jpg?itok=CCB1sMlj\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" \/>Munic\u00edpios<\/strong><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o torna-se ainda mais desigual quando \u00e9 avaliada a expectativa de vida por munic\u00edpios. Se a idade m\u00ednima de 65 anos passasse a valer hoje, em 19 munic\u00edpios do pa\u00eds, cuja esperan\u00e7a de vida \u00e9, em m\u00e9dia, de 65 anos, os trabalhadores n\u00e3o iam se aposentar antes de morrer. Em outros 63 munic\u00edpios, cuja expectativa de vida \u00e9, em m\u00e9dia, 66 anos, as pessoas usufruiriam da aposentadoria por apenas cerca de um ano.<\/p>\n<p>Os dados constam do Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, elaborado em 2010 e divulgado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em 2013. O atlas \u00e9 elaborado a cada dez anos, e, atualmente, \u00e9 a estat\u00edstica mais recente e completa dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Entre as 19 cidades com esperan\u00e7a de vida de aproximadamente 65 anos, cinco se localizam na Para\u00edba, tr\u00eas em Alagoas, sete em Pernambuco e quatro no Maranh\u00e3o, todas no Nordeste do pa\u00eds. Na outra ponta da tabela, com expectativa de vida ao redor de 78 anos, est\u00e3o 20 munic\u00edpios de Santa Catarina.<\/p>\n<p><strong>Transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica<\/strong><\/p>\n<p>O pesquisador Fernando Albuquerque, gerente de estudos populacionais do IBGE, explica que a disparidade do Norte e Nordeste em rela\u00e7\u00e3o ao Sul e Sudeste do pa\u00eds remonta \u00e0 transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica do campo para as cidades. Segundo ele, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, houve melhora das condi\u00e7\u00f5es de vida dos brasileiros e o in\u00edcio da migra\u00e7\u00e3o para as grandes cidades.<\/p>\n<p>Os fluxos migrat\u00f3rios tiveram auge na d\u00e9cada de 1970 e a urbaniza\u00e7\u00e3o, aliada a pol\u00edticas de saneamento b\u00e1sico, levou \u00e0 queda da mortalidade. \u201cAs primeiras regi\u00f5es, as mais beneficiadas, foram o Centro-Sul. Em 1980, a expectativa de vida de um brasileiro era, em m\u00e9dia, 62,5 anos. Se ele vivesse na Regi\u00e3o Nordeste, ca\u00eda para 58,2 anos. Na Regi\u00e3o Sul, era 66,1 anos\u201d, informa.<\/p>\n<p>De acordo com Albuquerque, a tend\u00eancia \u00e9 que a desigualdade entre as regi\u00f5es diminua progressivamente, como j\u00e1 vem ocorrendo. \u201cEm 1980, a diferen\u00e7a [entre as expectativas de vida] era 7,9 anos entre o Nordeste e o Sul. E agora, o diferencial entre Norte e Sul, entre a maior e menor esperan\u00e7a de vida, d\u00e1 5,6 anos. Ent\u00e3o voc\u00ea v\u00ea que j\u00e1 houve uma redu\u00e7\u00e3o\u201d, avalia.<\/p>\n<p>A pesquisadora Andr\u00e9a Bolzon, coordenadora do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil, corrobora que a esperan\u00e7a de vida ao nascer est\u00e1 em um contexto de melhora no pa\u00eds. \u201cMesmo no munic\u00edpio de Cacimbas [pior expectativa de vida do Brasil], em 2010, a expectativa era de 65 anos, mas em 1991 era de 51 anos\u201d, cita.<\/p>\n<p><strong>Muitos &#8216;brasis&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>Andr\u00e9a Bolzon ressalta, no entanto, que o ritmo dos avan\u00e7os n\u00e3o tem sido o adequado para garantir isonomia. \u201cAs pessoas est\u00e3o vivendo mais. Mas, nesse contexto de viver mais, tem muitas faixas. Algumas pessoas saem de 60 para 80 anos e outras de 50 para 60 em um per\u00edodo de 20 anos\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisadora lembra que, at\u00e9 mesmo dentro da mesma \u00e1rea urbana, h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es sociais, taxas de mortalidade e expectativas de vida diversas. \u201c\u00c9 fato que, quando voc\u00ea pensa no Brasil, s\u00e3o muitos brasis. Tem que se pensar em uma reforma da Previd\u00eancia com um olhar direcionado para as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis, popula\u00e7\u00f5es que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Apesar de defender pol\u00edticas p\u00fablicas que respeitem a diversidade entre as regi\u00f5es, o pesquisador Fernando Albuquerque admite que seria um processo complexo adaptar a reforma da Previd\u00eancia \u00e0s diferen\u00e7as culturais, sociais e econ\u00f4micas das diversas localidades do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA mortalidade tem diferencial por sexo, situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica, \u00e1rea rural ou urbana, n\u00edvel de estudo da pessoa. \u00c9 uma infinidade de t\u00e1buas [gr\u00e1ficos] que teria que fazer para contemplar todos esses grupos espec\u00edficos. \u00c9 por isso que se usa a m\u00e9dia Brasil\u201d, destaca. Atualmente, segundo o IBGE, a expectativa de vida m\u00e9dia do brasileiro \u00e9 75,7 anos.<\/p>\n<p>Para o governo, o dado mais adequado a ser levado na hora de se pensar a reforma da Previd\u00eancia \u00e9 a sobrevida quando aproxima-se da idade da aposentadoria. Com isso, a disparidade entre a expectativa de vida nas diversas localidades do pa\u00eds deixa de ser importante.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma da Previd\u00eancia \u00e9 uma das principais apostas do governo federal para tentar equilibrar as contas p\u00fablicas. A partir<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":8833,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50646"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50646"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50646\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}