{"id":6954,"date":"2012-03-01T22:15:33","date_gmt":"2012-03-02T01:15:33","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=6954"},"modified":"2012-03-01T22:15:33","modified_gmt":"2012-03-02T01:15:33","slug":"mudanca-de-aposentadoria-aprovada-pela-camara-assusta-juizes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/mudanca-de-aposentadoria-aprovada-pela-camara-assusta-juizes\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a de aposentadoria aprovada pela C\u00e2mara assusta ju\u00edzes"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/imagesCANYJMS1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-6956\" title=\"imagesCANYJMS1\" src=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/imagesCANYJMS1.jpg\" alt=\"\" width=\"259\" height=\"194\" \/><\/a>Ju\u00edzes, desembargadores e servidores do Judici\u00e1rio est\u00e3o temerosos quanto \u00e0 seguran\u00e7a de suas aposentadorias, que ruma em dire\u00e7\u00e3o aos fundos privados. Foi rejeitada no Plen\u00e1rio da C\u00e2mara, nesta quarta-feira (29\/2), a emenda que pretendia tirar os servidores do Poder Judici\u00e1rio do Projeto de Lei 1.992\/07, que cria o Fundo de Pens\u00e3o dos Servidores P\u00fablicos Federais. A proposta que define um teto para contribui\u00e7\u00e3o e transfere para entidades privadas a administra\u00e7\u00e3o do fundo complementar foi aprovada na \u00faltima ter\u00e7a-feira (28\/2) pela C\u00e2mara.<\/p>\n<p>O projeto que segue para vota\u00e7\u00e3o no Senado iguala o teto das aposentadorias dos servidores p\u00fablicos federais ao do regime privado da previd\u00eancia, com valor m\u00e1ximo do benef\u00edcio pago pela Uni\u00e3o de R$ 3.916,20 (atual teto do INSS), reduzindo tamb\u00e9m a contribui\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria do servidor para 11% deste valor. Quem quiser ter uma carteira mais gorda ao se aposentar ter\u00e1 de pagar contribui\u00e7\u00e3o a um fundo complementar. O governo contribuir\u00e1 com a mesma quantia que for depositado neste fundo, at\u00e9 o limite de 8,5% do sal\u00e1rio do servidor. Os valores acima disso n\u00e3o ser\u00e3o levados em conta pelos cofres p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Um dos principais problemas do projeto apontados pelo presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Ju\u00edzes Federais do Brasil (Ajufe) Gabriel Wedy \u00e9 a inseguran\u00e7a gerada pelo modelo adotado: o de contribui\u00e7\u00e3o definida. No modelo, o contribuinte &#8220;sabe o quanto paga, mas n\u00e3o sabe com quanto vai se aposentar&#8221;, explica. A quantia depositada no fundo complementar \u00e9 usada em investimentos. Se eles renderem muito, o valor da aposentadoria ser\u00e1 alto, se eles renderem pouco, o valor da aposentadoria ser\u00e1 baixo. O outro modelo poss\u00edvel seria o de benef\u00edcio definido, onde os dep\u00f3sitos mensais variam de forma a garantir uma aposentadoria de valor pr\u00e9-definido.<\/p>\n<p>Atualmente, os servidores do Judici\u00e1rio Federal contribuem obrigatoriamente com 11% de seus vencimentos brutos e, ao se aposentar, recebem a m\u00e9dia salarial das 80 maiores contribui\u00e7\u00f5es, o que costuma ficar um pouco abaixo do sal\u00e1rio com que se aposentaram. A contribui\u00e7\u00e3o de 11% ao fundo de pens\u00e3o continua sendo feita com o dinheiro recebido durante a aposentadoria.<\/p>\n<p>&#8220;A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com a seguran\u00e7a desse projeto, se os valores que contribu\u00edmos hoje em dia fossem para fundos de previd\u00eancia privada, ter\u00edamos direito a receber cerca de 10 vezes o que ganhamos, mas preferimos a certeza a deixar esse dinheiro ser aplicado com risco&#8221;, diz Wedy.<\/p>\n<p>Constitucionalidade questionada<br \/>\nAssim como a Ajufe, a Associa\u00e7\u00e3o dos Magistrados do Brasil (AMB) contesta a constitucionalidade do projeto de lei. As entidades afirmam que a mudan\u00e7a no regime previdenci\u00e1rio da magistratura s\u00f3 pode ser tratada por lei complementar de iniciativa do Supremo Tribunal Federal. &#8220;Vamos debater o mesmo tema no Senado [que precisa aprovar o projeto] e esperamos que acolham nossa obje\u00e7\u00e3o de ordem formal&#8221;, declarou o presidente da AMB, Nelson Calandra .<\/p>\n<p>Calandra tamb\u00e9m aponta inconstitucionalidade do projeto por conta da discuss\u00e3o em torno dele n\u00e3o ter abarcado a responsabilidade fiscal. &#8220;Aprovar um projeto de lei como esse sem ter debatido os limites financeiros do investimento da Uni\u00e3o no fundo \u00e9 como lan\u00e7ar um navio ao mar sem \u00e2ncora&#8221;, diz o presidente da AMB.<\/p>\n<p>Seguindo essa linha de racioc\u00ednio, o deputado federal Jo\u00e3o Dado (PDT-SP) entrou com o Mandado de Seguran\u00e7a 31.188 no STF nesta quarta-feira (29\/2) para anular a vota\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara dos Deputados que aprovou, a cria\u00e7\u00e3o do Funpresp. A a\u00e7\u00e3o pede que seja determinado ao presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), que encaminhe o projeto \u00e0 Comiss\u00e3o de Finan\u00e7as e Tributa\u00e7\u00e3o (CFT), a fim de que seja cumprida a regra regimental que prev\u00ea a manifesta\u00e7\u00e3o desta comiss\u00e3o sobre a exist\u00eancia de adequa\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria e financeira das propostas legislativas.<\/p>\n<p>Gabriel Wedy aponta, ainda, outras inconstitucionalidades: para ele, o mesmo fundo administrar as aposentadorias dos servidores do Minist\u00e9rio P\u00fablico e dos magistrados n\u00e3o condiz com o texto constitucional e a cria\u00e7\u00e3o de dois regimes previdenci\u00e1rios para servidores da mesma carreira, uma vez que o novo regime valer\u00e1 apenas para aqueles que ingressarem na magistratura e no Minist\u00e9rio P\u00fablico depois da lei entrar em vigor.<\/p>\n<p>Outro problema do projeto de lei \u00e9 a falta de diferencia\u00e7\u00e3o entre grupos de contribuintes, afirma o coordenador de comunica\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Servidores da Justi\u00e7a Federal (Fenajufe), Jean Loiola . &#8220;O legislador criou grupos distintos para benef\u00edcios, pois mulheres e homens devem contribuir de formas diferentes, por exemplo. Estas distin\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e1 clara no texto sobre o Funpresp.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 o advogado especialista em previd\u00eancia complementar, Renan Aguiar , presidente da Escola Superior de Advocacia da seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil, o projeto n\u00e3o viola em nenhum momento a Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Para ele, a Carta Magna permite que a aposentadoria do magistrado seja definida fora da Lei Org\u00e2nica da Magistratura, sem a necessidade de ser uma lei complementar. No caso do MP \u00e9 diferente, pois a lei complementar que regulamenta o \u00f3rg\u00e3o afirma que seus membros possuem aposentadoria integral.<\/p>\n<p>Para Aguiar, a aprova\u00e7\u00e3o do PL 1.992\/07 \u00e9 um movimento natural do Brasil, que segue &#8220;uma tend\u00eancia mundial de desonerar o Estado no que diz respeito \u00e0 previd\u00eancia&#8221;. Segundo o advogado, o modelo atual vive uma crise na qual os Estados s\u00e3o obrigados a injetar dinheiro para manter os ganhos prometidos. &#8220;Dessa nova forma, entrega-se na m\u00e3o do servidor a responsabilidade por sua aposentadoria.&#8221;<\/p>\n<p>Para Gabriel Wedy, da Ajufe, as m\u00e3os que recebem as aposentadorias n\u00e3o s\u00e3o as dos servidores, mas da iniciativa privada, &#8220;que tem exercido enorme press\u00e3o no governo para passar a administrar essas quantias bilion\u00e1rias&#8221;. Ele concorda, por\u00e9m, que o movimento \u00e9 mundial, mas compara o modelo brasileiro ao do Chile, pa\u00eds que entrou em grave crise ap\u00f3s a mudan\u00e7a do regime previdenci\u00e1rio.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o do teto da Previd\u00eancia Social est\u00e1 prevista na Constitui\u00e7\u00e3o desde a Reforma da Previd\u00eancia de 1998 e dever\u00e1 ser aplicada inclusive aos servidores das autarquias e funda\u00e7\u00f5es e aos membros do Poder Judici\u00e1rio, do Minist\u00e9rio P\u00fablico e do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>R7<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Estado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ju\u00edzes, desembargadores e servidores do Judici\u00e1rio est\u00e3o temerosos quanto \u00e0 seguran\u00e7a de suas aposentadorias, que ruma em dire\u00e7\u00e3o aos fundos<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":6956,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6954"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6954"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6954\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6954"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6954"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6954"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}