{"id":8639,"date":"2012-03-31T00:00:06","date_gmt":"2012-03-31T03:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=8639"},"modified":"2012-03-31T00:00:06","modified_gmt":"2012-03-31T03:00:06","slug":"militares-pro-64-intensificam-ofensiva-ideologica-iniciada-no-governo-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/militares-pro-64-intensificam-ofensiva-ideologica-iniciada-no-governo-lula\/","title":{"rendered":"Militares pr\u00f3-64 intensificam ofensiva ideol\u00f3gica iniciada no governo Lula"},"content":{"rendered":"<div class=\"mceTemp\" style=\"text-align: right;\">\n<div class=\"mceTemp\">\n<div class=\"mceTemp\"><em>Por: Maur\u00edcio Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual<\/em><\/div>\n<div class=\"mceTemp\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<dl id=\"attachment_8640\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 310px;\">\n<dt class=\"wp-caption-dt\"><a href=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/militares-pro-64.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8640\" title=\"militares-pro-64\" src=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/militares-pro-64.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"wp-caption-dd\">PM reprime manifestantes contra evento militar que comemorava o golpe de 1964 (Foto: \u00a9Celso Pupo\/Folhapress)<\/dd>\n<\/dl>\n<div><\/div>\n<p>A queda de bra\u00e7o ideol\u00f3gica que os setores mais conservadores das For\u00e7as Armadas tentam travar com o governo desde o an\u00fancio da cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade teve seu \u00e1pice na quinta-feira (29), quando o Clube Militar organizou no Rio de Janeiro a celebra\u00e7\u00e3o \u201c1964 \u2013 A Verdade\u201d pelos 48 anos do golpe militar. Com a presen\u00e7a de 300 pessoas \u2013 oficiais da reserva e seus familiares eram maioria \u2013, um debate reuniu alguns dos maiores cr\u00edticos \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o, como o jornalista Arist\u00f3teles Drummond, o m\u00e9dico e escritor Heitor de Paola e o general Luiz Eduardo Rocha Paiva, que ganhou notoriedade ao sugerir que a presidente Dilma Rousseff tamb\u00e9m fosse convocada para depor sobre seus atos de resist\u00eancia \u00e0 ditadura militar.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a \u2013 na cal\u00e7ada em frente ao Clube Militar, na regi\u00e3o central do Rio \u2013 de cerca de 300 manifestantes contr\u00e1rios \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es pelo anivers\u00e1rio do golpe tornou ainda maior o clima de beliger\u00e2ncia com os militares que chegavam para o evento. Na porta, indagado de longe \u2013 a entrada dos jornalistas n\u00e3o foi permitida \u2013 se mantinha sua posi\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 convoca\u00e7\u00e3o de Dilma, o general Rocha Paiva afirmou achar \u201cjusto que todos devam ser expostos \u00e0 na\u00e7\u00e3o\u201d. No debate, o general criticou o governo federal: \u201cQuerem criar essa Comiss\u00e3o da Verdade 30 anos ap\u00f3s os fatos. Isso porque hoje temos ex-militantes da luta armada ocupando posi\u00e7\u00f5es importantes no cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional e internacional\u201d, disse.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em comemora\u00e7\u00e3o ao anivers\u00e1rio do que chamam de \u201crevolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de 31 de mar\u00e7o de 1964\u201d, dez coron\u00e9is paraquedistas programaram para amanh\u00e3 (31) um salto coletivo sobre a praia da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Segundo os organizadores, uma grande bandeira do Brasil ser\u00e1 pendurada no avi\u00e3o que levar\u00e1 os paraquedistas. Ap\u00f3s o salto, todos dever\u00e3o cantar os hinos nacional e dos paraquedistas, antes de gritar o lema \u201cBrasil acima de tudo\u201d. Segundo o coronel Luiz Oliveira, que assina a convocat\u00f3ria para o salto coletivo, cada saltador tamb\u00e9m carregar\u00e1 consigo uma bandeira do Brasil.<\/p>\n<p>A ofensiva ideol\u00f3gica dos militares se intensificou desde que o governo anunciou a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade, mas as crises \u2013 maiores ou menores \u2013 com os setores que defendem a ditadura acontecem desde o primeiro mandato do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Primeiro ministro da Defesa de Lula, Jos\u00e9 Viegas pediu demiss\u00e3o em outubro de 2004 por se sentir enfraquecido ap\u00f3s tentar abrir investiga\u00e7\u00e3o sobre os assassinatos do Araguaia e o ent\u00e3o comandante do Ex\u00e9rcito, general Francisco Albuquerque, ter divulgado uma nota que, em alguns trechos, chegava a justificar a pr\u00e1tica da tortura como forma de luta contra os opositores do regime militar.<\/p>\n<p>Ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, os setores da reserva, sempre utilizando o Clube Militar como trincheira ideol\u00f3gica, fizeram oposi\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica aos trabalhos da Comiss\u00e3o Especial de Mortos e Desaparecidos. Em 2001, a press\u00e3o dos militares sobre FHC cresceu com a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Anistia.<\/p>\n<p>No governo Lula, ap\u00f3s a sa\u00edda de Viegas, o Minist\u00e9rio da Defesa ficou diretamente ligado ao Pal\u00e1cio do Planalto, com a nomea\u00e7\u00e3o do vice-presidente Jos\u00e9 Alencar como ministro. A mudan\u00e7a aplacou os \u00e2nimos entre os militares pr\u00f3-64, mas estes voltaram a se manifestar quando Lula nomeou Waldir Pires para o cargo. O ex-governador da Bahia teve de enfrentar a dura oposi\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo dos tr\u00eas ministros militares por causa da diverg\u00eancia de opini\u00f5es quanto \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o com\u00a0 os controladores de voo (todos militares da Aeron\u00e1utica) nos dias que sucederam o acidente com o avi\u00e3o A-320 da TAM, derrubado por um jato Legacy de uso particular em 2007. O ministro n\u00e3o resistiu \u00e0 press\u00e3o e caiu.<\/p>\n<p>Ao convocar Nelson Jobim, figura pr\u00f3xima aos militares, para o lugar de Waldir Pires, Lula conquistou alguma serenidade com os oficiais da reserva. Ministro que ficou mais tempo no cargo (quatro anos), Jobim ainda assim teve de conviver com algumas saias-justas. O caso mais not\u00f3rio aconteceu quando o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira \u2013 ex-comandante das tropas brasileiras no Haiti e ent\u00e3o comandante militar da Amaz\u00f4nia \u2013 concedeu entrevistas fazendo pesadas cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica indigenista do governo, assim como \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o das fronteiras ao Norte. O caso se resolveu com a exonera\u00e7\u00e3o do general, em um raro caso de puni\u00e7\u00e3o direta ap\u00f3s um confronto verbal. Atualmente, Heleno \u00e9 comentarista de seguran\u00e7a p\u00fablica da Rede Bandeirantes.<\/p>\n<h4>Atritos com governo Dilma<\/h4>\n<p>A chegada \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica de uma ex-combatente contra a ditadura, Dilma Rousseff, voltou a agitar o Clube Militar. Os temores dos oficiais da reserva quanto ao atual governo se confirmaram com o in\u00edcio da discuss\u00e3o sobre a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade, e os \u00e2nimos teriam novamente se acirrado com a substitui\u00e7\u00e3o de Jobim por Celso Amorim, ex-ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e figura sabidamente de esquerda.<\/p>\n<p>A primeira crise com Amorim surgiu quando os presidentes dos clubes Militar (general Renato C\u00e9sar Tibau da Costa, Naval (almirante Ricardo Ant\u00f4nio da Veiga Cabral e da Aeron\u00e1utica (tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista) divulgaram um manifesto no qual criticavam a Comiss\u00e3o da Verdade e acusavam o PT e as ministras Maria do Ros\u00e1rio (Secretaria de Direitos Humanos) e Eleonora Menicucci (Secretaria das Mulheres) de pregar o desrespeito \u00e0 Lei de Anistia.<\/p>\n<p>A busca pelo confronto ideol\u00f3gico fica clara: \u201cO Partido dos Trabalhadores, ao qual a presidente pertence, diz que estar\u00e1 empenhado junto com a sociedade no resgate de nossa mem\u00f3ria da luta pela democracia durante o per\u00edodo da ditadura militar. Pode-se afirmar que a assertiva \u00e9 uma fal\u00e1cia, posto que, quando de sua cria\u00e7\u00e3o, o governo j\u00e1 promovera a abertura pol\u00edtica, incluindo a possibilidade de funda\u00e7\u00e3o de outros partidos pol\u00edticos, encerrando o bipartidarismo\u201d, diz o manifesto, cobrando ainda de Dilma que seja \u201cpresidente de todos os brasileiros, e n\u00e3o de minorias sect\u00e1rias ou de partidos pol\u00edticos\u201d.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o do governo foi imediata, e o ministro Amorim determinou que os autores do manifesto fossem punidos. Isso desencadeou uma rea\u00e7\u00e3o ainda mais veemente dos militares e o lan\u00e7amento de um segundo manifesto, em tom mais agressivo, com o sugestivo t\u00edtulo \u201cEles que venham. Por aqui n\u00e3o passar\u00e3o!\u201d e que questiona a autoridade do ministro da Defesa. Mesmo tendo sua retirada do site do Clube Militar determinada pelo governo, esse segundo manifesto circulou pela internet e ganhou for\u00e7a, com milhares de assinaturas de militares e civis.<\/p>\n<p>O clima de provoca\u00e7\u00e3o com o governo aumentou com a realiza\u00e7\u00e3o do ato de ontem, j\u00e1 que a presidente Dilma havia determinado aos ministros militares que n\u00e3o mais ocorressem no pa\u00eds celebra\u00e7\u00f5es festivas do golpe de 1964. Em contrapartida, outros setores da sociedade civil tamb\u00e9m se movimentam: o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal anunciou que dar\u00e1 entrada em a\u00e7\u00f5es criminais contra militares pelo desaparecimento de dezenas de pessoas durante a ditadura e a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA) abriu investiga\u00e7\u00e3o para saber se houve neglig\u00eancia do Estado brasileiro na puni\u00e7\u00e3o pelo assassinato do jornalista Wladimir Herzog em 1975, durante o regime militar.<\/p>\n<h4>Verdades e mentiras<\/h4>\n<p>Ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos e ex-integrante da Comiss\u00e3o Especial de Mortos e Desaparecidos, Nilm\u00e1rio Miranda lembra que a Comiss\u00e3o da Verdade \u201cfoi aprovada com esmagadora maioria no Congresso\u201d e critica os autores dos manifestos contra o governo: \u201cA maioria dos que assinam os manifestos s\u00e3o reformados e participaram da ditadura. Vale lembrar que as For\u00e7as Armadas chegaram a ter 23% do or\u00e7amento do pa\u00eds! O que implicava desviar recursos da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o e da ci\u00eancia e tecnologia. Centenas deles ocupavam dire\u00e7\u00f5es de estatais desnecess\u00e1rias e n\u00e3o tinham que prestar contas a ningu\u00e9m. A situa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 diferente, pois a maioria dos militares tem forma\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d, escreveu o ex-ministro em seu blog.<\/p>\n<p>Em artigo publicado no jornal <em>O Globo<\/em>, o jornalista Cid Benjamin \u2013 perseguido, preso e torturado pela ditadura \u2013 lembra que o projeto aprovado da Lei da Anistia (em 1979) n\u00e3o contava com o apoio da oposi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica reunida no MDB nem de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI). Por isso, diz, \u00e9 mentirosa a iniciativa que quer passar \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica a vers\u00e3o de que a aprova\u00e7\u00e3o da lei foi um grande momento de entendimento nacional: \u201cEsquecer isso \u00e9 t\u00e3o absurdo como reescrever a hist\u00f3ria de forma mentirosa e afirmar hoje que a consigna \u2018ampla, geral e irrestrita\u2019 tinha como objetivo proteger torturadores e assassinos\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/temas\/cidadania\/2012\/03\/militares-pro-64-intensificam-ofensiva-ideologica-iniciada-no-governo-lula\" target=\"_blank\">Rede Brasil Atual<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Maur\u00edcio Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual PM reprime manifestantes contra evento militar que comemorava o golpe de<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":8640,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8639"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8639"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8639\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}