{"id":9026,"date":"2012-04-08T11:11:57","date_gmt":"2012-04-08T14:11:57","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=9026"},"modified":"2012-04-08T11:11:57","modified_gmt":"2012-04-08T14:11:57","slug":"drogas-esta-aberto-o-debate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/drogas-esta-aberto-o-debate\/","title":{"rendered":"Drogas: est\u00e1 aberto o debate"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Fernando Henrique Cardoso, C\u00e9sar Gaviria e Ernesto Zedillo<\/em><\/p>\n<p>Qual a melhor maneira de enfrentar o problema das\u00a0 drogas? Criminalizando o usu\u00e1rio ou tratando os dependentes como\u00a0 pacientes do sistema de sa\u00fade? Mantendo a ferro e fogo uma vis\u00e3o\u00a0 proibicionista ou experimentando com diferentes formas de regula\u00e7\u00e3o e\u00a0 preven\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos quatro meses, a discuss\u00e3o avan\u00e7ou mais do\u00a0 que em 40 anos. O que parecia impens\u00e1vel est\u00e1 sendo discutido \u00e0 luz do\u00a0 dia. Isto aconteceu por imposi\u00e7\u00e3o da realidade e pela coragem dos\u00a0 presidentes Juan Manuel Santos, da Col\u00f4mbia, Otto Perez Molina, da\u00a0 Guatemala, e Laura Chinchilla, da Costa Rica.<\/p>\n<p>Os fatos falam por\u00a0 si. D\u00e9cadas de esfor\u00e7os imensos, liderados pelos Estados Unidos, n\u00e3o\u00a0 levaram nem \u00e0 erradica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o nem \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do consumo. Enquanto\u00a0 houver demanda por narc\u00f3ticos haver\u00e1 oferta. Os \u00fanicos que ganham com a\u00a0 proibi\u00e7\u00e3o s\u00e3o os traficantes.<\/p>\n<p>No M\u00e9xico e na Am\u00e9rica Central, a\u00a0 viol\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o associadas ao tr\u00e1fico s\u00e3o uma amea\u00e7a direta \u00e0\u00a0 estabilidade democr\u00e1tica. Frente a este risco, criamos faz quatro anos a\u00a0 Comiss\u00e3o Latino-Americana sobre Drogas e Democracia. Diante da\u00a0 inefic\u00e1cia e dos efeitos desastrosos da guerra \u00e0s drogas, abrimos o\u00a0 debate sobre estrat\u00e9gias alternativas.<\/p>\n<p>Formulamos duas\u00a0 recomenda\u00e7\u00f5es. Em primeiro lugar, descriminalizar o consumo de todas as\u00a0 drogas, visto que n\u00e3o faz sentido p\u00f4r na cadeia pessoas que usam drogas,\u00a0 mas n\u00e3o causam dano a terceiros. Podem causar danos a si mesmos e a\u00a0 suas fam\u00edlias, mas persegui-los n\u00e3o os ajuda a se livrarem das drogas.<\/p>\n<p>Droga\u00a0 \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica. Tratar os dependentes como criminosos\u00a0 s\u00f3 dificulta o acesso ao tratamento. O primeiro objetivo de uma pol\u00edtica\u00a0 antidrogas deve ser proteger os jovens, prevenindo o consumo que leva \u00e0\u00a0 depend\u00eancia. Isto se faz mediante educa\u00e7\u00e3o, tratamento e reintegra\u00e7\u00e3o\u00a0 social.<\/p>\n<p>O poder repressivo do Estado e a press\u00e3o da sociedade\u00a0 devem se concentrar na luta contra os narcotraficantes, sobretudo os\u00a0 mais violentos e corruptores, n\u00e3o em perseguir jovens ou doentes.<\/p>\n<p>Nossa\u00a0 segunda recomenda\u00e7\u00e3o, mais complexa por\u00e9m n\u00e3o menos importante para a\u00a0 paz cidad\u00e3, \u00e9 abrir o debate sobre modelos de regula\u00e7\u00e3o de drogas, como a\u00a0 maconha, de maneira similar ao que j\u00e1 se faz com o tabaco e o \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Estudos\u00a0 cient\u00edficos demonstram que a maconha \u00e9 menos danosa \u00e0 sa\u00fade que o\u00a0 tabaco. Regular n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que legalizar. Regular significa\u00a0 criar as condi\u00e7\u00f5es para impor restri\u00e7\u00f5es e limites ao com\u00e9rcio e consumo\u00a0 do produto, sem coloc\u00e1-lo na ilegalidade. A redu\u00e7\u00e3o espetacular do\u00a0 consumo do tabaco comprova que a preven\u00e7\u00e3o e a regula\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais\u00a0 eficientes que a proibi\u00e7\u00e3o para mudar h\u00e1bitos e mentalidades.<\/p>\n<p>A\u00a0 regula\u00e7\u00e3o corta o v\u00ednculo entre traficantes e consumidores. Como a\u00a0 maconha \u00e9 a droga mais consumida no mundo, sua regula\u00e7\u00e3o reduziria\u00a0 grande parte dos enormes recursos obtidos pelo crime organizado nos\u00a0 mercados ilegais, fonte de seu poder e influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Felicitamos aos\u00a0 presidentes da Col\u00f4mbia, da Guatemala e da Costa Rica por colocarem\u00a0 sobre a mesa diferentes op\u00e7\u00f5es mais eficazes para proteger a sa\u00fade das\u00a0 pessoas e a seguran\u00e7a da sociedade. Por sua iniciativa, o tema da droga\u00a0 foi inclu\u00eddo na pauta da C\u00fapula das Am\u00e9ricas que se re\u00fane em Cartagena,\u00a0 Col\u00f4mbia, nas proxima sexta-feira (14) e s\u00e1bado (15 ).<\/p>\n<p>Deste\u00a0 encontro de chefes de Estado n\u00e3o se deve esperar solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas ou\u00a0 acordos imediatos sobre o que fazer. Neste momento o que importa \u00e9 um\u00a0 debate s\u00e9rio e rigoroso que permita a cada pa\u00eds encontrar as solu\u00e7\u00f5es\u00a0 mais adequadas \u00e0 sua realidade.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da Am\u00e9rica Latina no\u00a0 combate ao narcotr\u00e1fico e da Europa em sa\u00fade p\u00fablica e redu\u00e7\u00e3o do dano\u00a0 causado pelas drogas, a mobiliza\u00e7\u00e3o de setores empresariais e da\u00a0 comunidade cient\u00edfica, o anseio de paz dos jovens, tudo converge na\u00a0 dire\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas mais humanas e eficientes.<\/p>\n<p>Uma mudan\u00e7a de\u00a0 paradigma, capaz de combinar repress\u00e3o ao tr\u00e1fico com prioridade ao\u00a0 tratamento, reabilita\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o, \u00e9 a melhor contribui\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica\u00a0 Latina, continente que j\u00e1 sofreu tanto com este problema, para uma\u00a0 revis\u00e3o global da pol\u00edtica sobre drogas.<\/p>\n<p>A hora da mudan\u00e7a \u00e9 agora.<\/p>\n<p>FERNANDO HENRIQUE CARDOSO foi presidente da Rep\u00fablica (1995-2002).<\/p>\n<p>C\u00c9SAR GAVIRIA presidiu a Colombia (1990-1994).<\/p>\n<p>ERNESTO ZEDILLO foi presidente do M\u00e9xico (1994-2000).<\/p>\n<p>Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fernando Henrique Cardoso, C\u00e9sar Gaviria e Ernesto Zedillo Qual a melhor maneira de enfrentar o problema das\u00a0 drogas? 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