{"id":9071,"date":"2012-04-09T11:22:38","date_gmt":"2012-04-09T14:22:38","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=9071"},"modified":"2012-04-09T11:22:38","modified_gmt":"2012-04-09T14:22:38","slug":"crack-e-pobreza-alimentam-crime-em-maceio-capital-do-homicidio-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/crack-e-pobreza-alimentam-crime-em-maceio-capital-do-homicidio-no-brasil\/","title":{"rendered":"Crack e pobreza alimentam crime em Macei\u00f3, capital do homic\u00eddio no Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_9072\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/VIOLENCIA-MACEIO-HG-20120408.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-9072\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-9072\" title=\"VIOLENCIA-MACEIO-HG-20120408\" src=\"https:\/\/fenaprf.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/VIOLENCIA-MACEIO-HG-20120408-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"224\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9072\" class=\"wp-caption-text\">Maioria das v\u00edtimas dos assassinatos \u00e9 jovem e pobre.<\/p><\/div>\n<p>Uma mistura de mis\u00e9ria e crack transformou Macei\u00f3 na capital dos homic\u00eddios no Brasil, onde os que matam e morrem s\u00e3o, na maioria, jovens pobres, invis\u00edveis para os turistas que lotam as praias paradis\u00edacas da cidade.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia passa ao largo da orla, dominada por hot\u00e9is de luxo.\u00a0Dario Cavalcante, secret\u00e1rio de seguran\u00e7a p\u00fablica de Alagoas, confirma que os casos\u00a0atingem mais os pobres.<\/p>\n<p>\u2014 A viol\u00eancia que provoca homic\u00eddios est\u00e1 restrita aos cintur\u00f5es de mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Severino L\u00f3pez, um vendedor de doces de 59 anos, contou que em sete anos, perdu cinco filhos.<\/p>\n<p>\u2014 Foram mortos por amigos. Compraram droga, n\u00e3o pagaram as d\u00edvidas e morreram. O mais jovem tinha 18 anos e o mais velho, 23.<\/p>\n<p>Em 31 de dezembro, um dos filhos de Claide Maria Souza tamb\u00e9m foi morto. Era viciado em crack, subproduto da coca\u00edna, e foi surpreendido roubando um mercado em Vila Brejal.<\/p>\n<p>\u2014 Um vigia o surpreendeu e o matou a pauladas. Esteve tr\u00eas dias no hospital. Quem matou o meu filho morreu. N\u00e3o foi por vingan\u00e7a minha. Tinha muitos inimigos.<\/p>\n<p>As &#8220;d\u00edvidas do crack&#8221;, que levam um viciado a perder a vida por menos de tr\u00eas d\u00f3lares nas m\u00e3os de um traficante, s\u00e3o o combust\u00edvel da viol\u00eancia que transformou Macei\u00f3 na cidade do Brasil com a maior taxa de homic\u00eddios com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o: 109,9 por 100 mil habitantes em 2010.<\/p>\n<p>Macei\u00f3 tem 1,1 milh\u00e3o de habitantes.\u00a0Julio Jacobo Waiselfisz, autor do Mapa da Viol\u00eancia 2012, elaborado pelo Instituto Sangari a partir do registro oficial de mortos, diz que houve um grande aumento das mortes<\/p>\n<p>\u2014 De 360 homic\u00eddios por ano, em 2000, passou a 1.025 em 2010, um crescimento de 184,7%.<\/p>\n<p>O \u00edndice de homic\u00eddios em todo o Brasil \u00e9 de 26,2 por 100.000 habitantes.<\/p>\n<p>Em Macei\u00f3, a viol\u00eancia se concentra em 15 favelas populosas, v\u00e1rias insalubres, onde v\u00edtimas e carrascos s\u00e3o igualmente pobres. Aqui, lembram seus moradores, a vida se passava nas ruas antes de o crack aparecer, h\u00e1 menos de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Maria da Gra\u00e7a Souza, diretora de um centro infantil aonde chegam filhos de pais consumidores, fala sobre a rotina dessas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u2014 Diferente do que o Estado diz, as crian\u00e7as n\u00e3o v\u00e3o \u00e0s ruas consumir a droga. Eles estavam na rua e l\u00e1 chegou o crack. E para que consomem? Para sentir prazer.<\/p>\n<p>Diferente das favelas do Rio, os traficantes de Macei\u00f3 n\u00e3o exercem dom\u00ednio territorial, nem vivem com luxo evidente.\u00a0Cavalcante ilustrouo a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Aqui se mata ou se morre por apenas R$ 10. O crime n\u00e3o \u00e9 uma fonte de riqueza. Traficantes e consumidores se matam entre si. Quem mata hoje, morre amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Em Alagoas, mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o sobrevivem abaixo da linha da pobreza e 25% s\u00e3o analfabetas, segundo a fonte. Depois do Maranh\u00e3o e do Piau\u00ed, \u00e9 o estado com piores \u00edndices sociais do Brasil, a sexta economia do mundo.<\/p>\n<p>Ainda que as raz\u00f5es para explicar a viol\u00eancia em Macei\u00f3 sejam muito variadas, h\u00e1 um argumento compartilhado: o crack avivou a fogueira do crime.<\/p>\n<p>A droga, que em geral entra pela Bol\u00edvia e pelo Peru, est\u00e1 por tr\u00e1s dos relatos de morte nas favelas e \u00e9 a justifica\u00e7\u00e3o para a repress\u00e3o policial, n\u00e3o isenta de abusos ou corrup\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 no m\u00eas passado custaram o cargo de quatro policiais.<\/p>\n<p>Em uma incurs\u00e3o noturna \u00e0 Virgem dos Pobres, o tenente Washington\u00a0\u2014 n\u00e3o quis dar seu sobrenome\u00a0\u2014 ordena, revista e muito poucas vezes sorri. Sempre \u00e0 frente de seus homens, sua miss\u00e3o \u00e9 interceptar os traficantes e registrar os dependentes para que recebam ajuda m\u00e9dica.<\/p>\n<p>\u2014 Se um usu\u00e1rio n\u00e3o paga uma d\u00edvida com um traficante, morre. Matam para dar li\u00e7\u00e3o aos outros. Oitenta por cento dos homic\u00eddios est\u00e3o ligados ao crack.<\/p>\n<p>Jovens de chinelos e bermudas agem por reflexo quando veem os policiais. P\u00f5em as m\u00e3os na cabe\u00e7a, baixam o olhar e esperam, resignados, que os revistem com grosseria.<\/p>\n<p>Ruth Vasconcelos, da Universidade Federal de Alagoas, autora de v\u00e1rios estudos sobre a viol\u00eancia neste Estado, lamenta a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 lament\u00e1vel que algumas destas favelas estejam conhecendo o Estado atrav\u00e9s da pol\u00edcia. N\u00e3o conheceram o Estado prevenindo, educando, dando sa\u00fade.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/noticias.r7.com\/cidades\/noticias\/crack-e-pobreza-alimentam-crime-em-maceio-capital-do-homicidio-no-brasil-20120408.html\" target=\"_blank\">R7<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma mistura de mis\u00e9ria e crack transformou Macei\u00f3 na capital dos homic\u00eddios no Brasil, onde os que matam e morrem<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":9072,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9071"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9071"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9071\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}