{"id":9348,"date":"2012-04-13T22:16:48","date_gmt":"2012-04-14T01:16:48","guid":{"rendered":"https:\/\/fenaprf.org.br\/?p=9348"},"modified":"2012-04-13T22:16:48","modified_gmt":"2012-04-14T01:16:48","slug":"o-carnaval-acabou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/o-carnaval-acabou\/","title":{"rendered":"O carnaval acabou"},"content":{"rendered":"<p>Com aprova\u00e7\u00e3o de 77%, a presidente Dilma Rousseff fez inveja a Obama, mas a\u00a0 &#8220;quarta-feira de cinzas&#8221; pode chegar antes do esperado<\/p>\n<p>Ao chegar \u00e0 Casa Branca na segunda feira, a presidente do Brasil, Dilma\u00a0 Rousseff, trouxe consigo algo que sem d\u00favida provocou inveja em seu anfitri\u00e3o, o\u00a0 presidente americano Barack Obama &#8211; uma aprova\u00e7\u00e3o de impressionantes 77% ao seu\u00a0 governo. Como um dos Brics, instalado confortavelmente no topo do mundo, como\u00a0 queridinho dos investidores internacionais, preparando-se para organizar a Copa\u00a0 do Mundo de 2014 e os Jogos Ol\u00edmpicos de 2016, o Brasil se v\u00ea arrebatado por um\u00a0 surto nacional de adrenalina compar\u00e1vel &#8211; talvez do ponto de vista caricatural &#8211;\u00a0 \u00e0quilo que as passistas sentem quando entram no samb\u00f3dromo do Rio para receber\u00a0 os aplausos do p\u00fablico.<\/p>\n<p>A euforia era evidente na mais recente edi\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial em\u00a0 Davos, na qual o contribuinte brasileiro financiou o evento oficial da noite de\u00a0 s\u00e1bado. \u00c9 costume incluir em Davos sess\u00f5es voltadas especificamente a\u00a0 determinados pa\u00edses, e o Brasil foi mais uma vez o tema de uma sess\u00e3o do tipo\u00a0 este ano. A principal conclus\u00e3o pareceu ser a de que os governantes do Pa\u00eds\u00a0 devem tomar cuidado para evitar o superaquecimento da economia brasileira.<\/p>\n<p>Ao fim da reuni\u00e3o, um correspondente internacional veterano comentou: &#8220;Os\u00a0 brasileiros se consideram mesmo incr\u00edveis. Parece que solucionaram todos os\u00a0 problemas&#8221;. Havia mais do que uma pitada de ironia no que ele disse, talvez\u00a0 porque esse correspondente tenha coberto o &#8220;milagre brasileiro&#8221; do fim dos anos\u00a0 60 e in\u00edcio dos 70. Apresentando um crescimento de dois d\u00edgitos por um per\u00edodo\u00a0 de cinco anos consecutivos, o &#8220;milagre&#8221; levou a um excesso de empr\u00e9stimos e\u00a0 culminou numa &#8220;d\u00e9cada perdida&#8221; de infla\u00e7\u00e3o e estagna\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a crise de\u00a0 endividamento da Am\u00e9rica Latina, em 1982.<\/p>\n<p>Aplicando consistentemente pol\u00edticas fiscais e sociais extremamente\u00a0 respons\u00e1veis do ponto de vista macroecon\u00f4mico depois de vencer a hiperinfla\u00e7\u00e3o\u00a0 em meados dos anos 90, o Brasil cresceu constantemente, ainda que n\u00e3o\u00a0 espetacularmente. O Pa\u00eds suportou com sucesso o atual decl\u00ednio global, e come\u00e7ou\u00a0 finalmente a reduzir a desigualdade social, criando uma classe m\u00e9dia relevante\u00a0 pela primeira vez em sua hist\u00f3ria: com atualmente 95 milh\u00f5es de pessoas, a\u00a0 classe m\u00e9dia finalmente passou a representar metade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez tenha de fato chegado a hora de esquecer a antiga piada: &#8220;O Brasil \u00e9 o\u00a0 pa\u00eds do futuro &#8211; sempre o ser\u00e1&#8221;. Talvez seja hora de dar ao autor austr\u00edaco\u00a0 Stefan Zweig, mais conhecido no Pa\u00eds como autor de Brasil, pa\u00eds do futuro,\u00a0 publicado em 1941, o cr\u00e9dito que merece enquanto profeta.<\/p>\n<p>Os brasileiros est\u00e3o satisfeitos consigo mesmos. E n\u00e3o est\u00e3o sozinhos.<\/p>\n<p>Os estrangeiros est\u00e3o rumando para o Brasil como as hordas que foram \u00e0\u00a0 Calif\u00f3rnia em busca do ouro em 1849. O n\u00famero de moradores estrangeiros cresceu\u00a0 mais de 50% no \u00faltimo ano, passando de pouco menos de 1 milh\u00e3o para 1,5 milh\u00e3o\u00a0 de pessoas, de acordo com reportagem do Washington Post. &#8220;Agora as pessoas est\u00e3o\u00a0 nos vendendo o Brasil&#8221;, disse-me o primeiro presidente da Comiss\u00e3o de Valores\u00a0 Mobili\u00e1rios brasileira, Roberto Teixeira da Costa, em conversa recente. Hoje\u00a0 membro do conselho diretor de v\u00e1rias das principais empresas brasileiras,\u00a0 Teixeira da Costa resumiu a situa\u00e7\u00e3o da seguinte maneira: &#8220;Como o restante do\u00a0 mundo vive uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o dif\u00edcil, as pessoas acham que o Brasil \u00e9 o grande\u00a0 salvador. Antes, \u00e9ramos o problema. Agora, somos a solu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Junto com outros membros dos Brics, como \u00cdndia e China, o Brasil deve ajudar\u00a0 a manter a economia global funcionando at\u00e9 que todos os demais arrumem a casa. O\u00a0 Banco Santander, principal credor entre os bancos espanh\u00f3is, ganha atualmente\u00a0 mais dinheiro no Brasil do que em qualquer outro dos mais de 30 pa\u00edses em que\u00a0 opera: um quarto do seu lucro vem do gigante latino-americano. A General\u00a0 Electric projetou recentemente um aumento total na renda de 25% em toda a\u00a0 Am\u00e9rica Latina at\u00e9 2016, esperando que a regi\u00e3o apresente desempenho superior ao\u00a0 da \u00c1sia; executivos previram que Brasil, M\u00e9xico e Peru estar\u00e3o na vanguarda\u00a0 dessa tend\u00eancia. O investimento estrangeiro direto no Brasil atingiu novo\u00a0 recorde pelo segundo ano consecutivo, passando de US$ 48,5 bilh\u00f5es para US$ 66,7\u00a0 bilh\u00f5es em apenas 12 meses.<\/p>\n<p>Mas essa mentalidade t\u00edpica de uma corrida do ouro parece cegar tanto os\u00a0 governantes quanto os investidores. Alguns brasileiros astutos descrevem a\u00a0 psique do Pa\u00eds como bipolar. Todos conhecem o lado positivo do carnaval, do\u00a0 samba, do futebol e das praias. Mas poucos compreendem o lado negativo. Os\u00a0 brasileiros afirmam ter um tipo pr\u00f3prio de melancolia, definido pela palavra\u00a0 &#8220;saudade&#8221;, supostamente imposs\u00edvel de traduzir para outros idiomas. O mais\u00a0 elogiado compositor brasileiro, Tom Jobim, o \u00edcone da Bossa Nova, comp\u00f4s com o\u00a0 parceiro Vinicius de Moraes uma can\u00e7\u00e3o chamada Felicidade, cujo refr\u00e3o destaca\u00a0 que Tristeza n\u00e3o tem fim \/ Felicidade, sim. Para tudo se acabar na quarta-feira\u00a0 (de cinzas), como dizem os versos da m\u00fasica e ocorre com o carnaval.<\/p>\n<p>No caso da economia brasileira, o despertador da quarta-feira deve ter soado\u00a0 com o an\u00fancio do crescimento de 2,7% em 2011, uma acentuada queda em rela\u00e7\u00e3o aos\u00a0 7,5% de 2010 e muito abaixo do apresentado na maioria dos demais emergentes. De\u00a0 fato, o Santander atribuiu seu lucro abaixo do esperado no \u00faltimo trimestre de\u00a0 2011 a problemas no Brasil e na Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>Nouriel Roubini, o economista que ficou famoso ao prever o colapso do mercado\u00a0 imobili\u00e1rio americano e a recess\u00e3o global de 2008 que se seguiu, visitou o\u00a0 Brasil em fevereiro, precisamente durante o per\u00edodo de carnaval. Ao deixar o\u00a0 Pa\u00eds, ele n\u00e3o se mostrou nem um pouco euf\u00f3rico: &#8220;Uma s\u00f3bria avalia\u00e7\u00e3o realista\u00a0 sugere que o Brasil pode desapontar em muitos aspectos nos pr\u00f3ximos anos, a n\u00e3o\u00a0 ser que importantes reformas estruturais sejam promovidas&#8221;. Prevendo um futuro\u00a0 desanimador, ele acrescentou que &#8220;esse baixo crescimento potencial deixa o\u00a0 Brasil vulner\u00e1vel a um ciclo de prosperidade e quebra conforme o Pa\u00eds se\u00a0 aproxima rapidamente de sua velocidade m\u00e1xima&#8221;.<\/p>\n<p>Por mais que outros fatores como o crescimento da classe m\u00e9dia desempenhem um\u00a0 papel claro, o recente crescimento brasileiro decorreu principalmente da\u00a0 capacidade do Pa\u00eds de injetar minerais e produtos agr\u00edcolas na China. Entre 2000\u00a0 e 2010, a parcela das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a China saltou de 3% para\u00a0 16%. O dinheiro que entra no Pa\u00eds, somado ao investimento estrangeiro direto e\u00a0 ao capital em portf\u00f3lios de a\u00e7\u00f5es, imp\u00f4s press\u00e3o ao real, a moeda brasileira. Os\u00a0 juros brasileiros, mantidos altos para combater a infla\u00e7\u00e3o em lugar de reformas\u00a0 envolvendo o sistema tribut\u00e1rio e a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, politicamente mais\u00a0 complicadas, atraem os investidores estrangeiros mesmo com o controle de\u00a0 capitais. Os juros americanos, muito pr\u00f3ximos do zero, e os problemas na zona do\u00a0 euro exacerbam esse quadro conforme o dinheiro deixa as regi\u00f5es de baixa\u00a0 lucratividade em busca de oportunidades melhores.<\/p>\n<p>Como resultado, o real apresenta supervaloriza\u00e7\u00e3o de 35% em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar\u00a0 americano, de acordo com o \u00edndice Big Mac da revista The Economist. O Brasil\u00a0 pode j\u00e1 estar sofrendo da chamada doen\u00e7a holandesa, com sua moeda\u00a0 supervalorizada tornando as exporta\u00e7\u00f5es mais caras no exterior e os produtos\u00a0 importados mais baratos para os consumidores brasileiros. Isso pode levar o Pa\u00eds\u00a0 a uma desindustrializa\u00e7\u00e3o incipiente: a fabrica\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica de bens de consumo\u00a0 caiu quase 2% em 2011, enquanto as vendas prosperavam por causa do crescimento\u00a0 na demanda.<\/p>\n<p>O governo brasileiro atribui a culpa pela supervaloriza\u00e7\u00e3o do real \u00e0quilo que\u00a0 o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chama de &#8220;guerra cambial&#8221; &#8211; a entrada de\u00a0 um fluxo intenso de capital especulativo que busca lucro no Brasil.\u00a0 Representantes do governo aplicaram medidas pouco expressivas para conter esse\u00a0 fluxo, como um ajuste na tributa\u00e7\u00e3o dos empr\u00e9stimos no exterior anunciado em\u00a0 mar\u00e7o, prorrogando a aplica\u00e7\u00e3o de um imposto de 6% aos empr\u00e9stimos com\u00a0 vencimento em tr\u00eas anos &#8211; antes o imposto incidia sobre os empr\u00e9stimos com\u00a0 vencimento em dois anos.<\/p>\n<p>Em resposta aos apelos da ind\u00fastria local, o governo aplicou gradualmente uma\u00a0 s\u00e9rie de medidas protecionistas que causaram inquieta\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o ao M\u00e9xico. &#8220;O\u00a0 Brasil continua improvisando nas pol\u00edticas industrial e comercial&#8221;, queixou-se a\u00a0 colunista Miriam Leit\u00e3o, que cobre a \u00e1rea de economia para o jornal carioca O\u00a0 Globo. &#8220;Ao tentar encontrar sa\u00eddas de afogadilho para o d\u00e9ficit que apareceu na\u00a0 balan\u00e7a, e para o magro n\u00famero da ind\u00fastria em 2011, tudo o que se consegue no\u00a0 governo \u00e9 repetir o cacoete: protecionismo, vantagens para lobbies e\u00a0 corpora\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Como no filme O Anjo Exterminador, de Luis Bu\u00f1uel, no qual os convidados de\u00a0 um jantar n\u00e3o conseguem ir embora conforme a noite avan\u00e7a, apesar da\u00a0 inexplic\u00e1vel aus\u00eancia de barreiras f\u00edsicas, as solu\u00e7\u00f5es para os problemas do\u00a0 Brasil parecem \u00f3bvias, mas nunca s\u00e3o implementadas. A maioria dos economistas\u00a0 atribui a responsabilidade pela maioria dos problemas do Pa\u00eds \u00e0quilo que \u00e9\u00a0 chamado de &#8220;custo Brasil&#8221;, um conjunto de fatores que torna mais caros os\u00a0 empreendimentos no Brasil do que na maioria dos pa\u00edses. O Brasil ocupa a 126.\u00aa\u00a0 posi\u00e7\u00e3o (s\u00e3o 183) no \u00edndice do Banco Mundial que lista os pa\u00edses de acordo com a\u00a0 facilidade de conduzir os neg\u00f3cios, perdendo para Bangladesh, Uganda,\u00a0 Suazil\u00e2ndia e B\u00f3snia-Herzegovina.<\/p>\n<p>Suas recomenda\u00e7\u00f5es para uma mudan\u00e7a costumam incluir as seguintes medidas:\u00a0 simplificar a estrutura tribut\u00e1ria, reformar a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a\u00a0 Previd\u00eancia Social para aumentar a efici\u00eancia e reduzir os gastos, alterar a\u00a0 legisla\u00e7\u00e3o trabalhista para diminuir o custo da contrata\u00e7\u00e3o de novos empregados\u00a0 e investir em infraestrutura.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, uma reforma fiscal daria aos governantes uma ferramenta adicional\u00a0 de combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, possivelmente permitindo que os juros sejam reduzidos\u00a0 mais rapidamente, estimulando a economia e, ao mesmo tempo, ajudando a conter o\u00a0 capital especulativo.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a pauta para redu\u00e7\u00e3o do custo Brasil \u00e9 ambiciosa, mas o Pa\u00eds\u00a0 progrediu pouco nessas frentes &#8211; se \u00e9 que houve progresso. A infraestrutura\u00a0 poderia parecer vital para a prepara\u00e7\u00e3o para a Copa do Mundo de 2014 e para a\u00a0 Olimp\u00edada de 2016, mas os investimentos est\u00e3o t\u00e3o atrasados que chegaram a\u00a0 render um desagrad\u00e1vel epis\u00f3dio diplom\u00e1tico. Um funcion\u00e1rio do alto escal\u00e3o da\u00a0 federa\u00e7\u00e3o internacional de futebol, a Fifa, sugeriu recentemente que os\u00a0 organizadores precisavam de &#8220;um chute no traseiro&#8221; porque estavam atrasados nos\u00a0 preparativos. Os euf\u00f3ricos brasileiros n\u00e3o gostaram nem um pouco.<\/p>\n<p>Talvez o Brasil esteja vivendo no pr\u00f3prio v\u00e1cuo. Poder\u00edamos dizer isso sobre\u00a0 sua pol\u00edtica econ\u00f4mica. Por mais que fosse de uma popularidade sem igual, o\u00a0 predecessor de Dilma, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, teve como principal\u00a0 contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica a atitude de seguir a recomenda\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico e\u00a0 &#8220;em primeiro lugar, n\u00e3o causar nenhum mal&#8221;. Como afirmou o Globo em mat\u00e9ria\u00a0 especial dedicada ao fim do mandato, &#8220;o presidente Lula chega ao fim do seu\u00a0 oitavo ano de governo com uma popularidade nunca antes vista por um presidente\u00a0 do Pa\u00eds, apesar do seu legado contradit\u00f3rio. N\u00e3o houve avan\u00e7os nem melhorias no\u00a0 ensino, na sa\u00fade, na seguran\u00e7a p\u00fablica, no saneamento b\u00e1sico e na\u00a0 infraestrutura, e as reformas necess\u00e1rias n\u00e3o foram implementadas&#8221;. De acordo\u00a0 com o soci\u00f3logo Ted Goertzel, da Universidade Rutgers, autor de biografias de\u00a0 Lula e seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, &#8220;Lula optou por se aposentar\u00a0 com uma popularidade na casa dos 80% em vez de usar essa popularidade para\u00a0 pressionar por reformas controvertidas&#8221;.<\/p>\n<p>O maior feito de Lula foi provavelmente sua habilidade &#8211; digna de Reagan &#8211; de\u00a0 fazer com que os brasileiros se sentissem bem a respeito de si mesmos e do seu\u00a0 pa\u00eds &#8211; e, vencendo Reagan em seu pr\u00f3prio jogo, convenceu tamb\u00e9m os estrangeiros:\u00a0 as provas disso s\u00e3o a Copa do Mundo e os Jogos Ol\u00edmpicos.<\/p>\n<p>Mas essa confian\u00e7a levou ao tipo de convencimento que causou m\u00e1 impress\u00e3o no\u00a0 correspondente veterano em Davos, cegando os l\u00edderes para a necessidade de\u00a0 tratar do problema do custo Brasil. Em sua campanha pela Presid\u00eancia em 2010,\u00a0 Dilma repreendeu um rep\u00f3rter da Reuters numa entrevista, quando este sugeriu que\u00a0 talvez fosse imposs\u00edvel manter um crescimento de 7% sem a implementa\u00e7\u00e3o de\u00a0 reformas.<\/p>\n<p>&#8220;O ritmo atual de crescimento do Brasil est\u00e1 pr\u00f3ximo (desta marca)?&#8221;,\u00a0 perguntou ela, incisiva. O jornalista teve de reconhecer que a resposta era\u00a0 afirmativa. &#8220;Bem, ent\u00e3o, me parece que isso \u00e9 poss\u00edvel, sim.&#8221; Claramente, o\u00a0 crescimento atual de 2,7% mostra que essa possibilidade n\u00e3o est\u00e1 ocorrendo no\u00a0 momento. E, se Dilma pretende retomar o crescimento da \u00e9poca de Lula, ela ter\u00e1\u00a0 de lidar com os aliados pol\u00edticos escolhidos pelo partido dela, o Partido dos\u00a0 Trabalhadores &#8211; o PMDB, um partido heterog\u00eaneo que n\u00e3o possui nenhuma ideologia\u00a0 pol\u00edtica identific\u00e1vel. Tecnicamente, o PMDB confere \u00e0 presidente a maioria no\u00a0 Congresso, mas seus membros tendem a trabalhar com extrema lentid\u00e3o nas quest\u00f5es\u00a0 legislativas, a n\u00e3o ser que recebam algum benef\u00edcio pessoal.<\/p>\n<p>O fato de as pessoas se importarem com o destino da economia brasileira\u00a0 mostra o quanto o Pa\u00eds avan\u00e7ou desde que come\u00e7ou a lutar contra a hiperinfla\u00e7\u00e3o,\u00a0 h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas. Mas a hist\u00f3ria econ\u00f4mica mostra que tudo funciona de\u00a0 acordo com ciclos. A pergunta \u00e9: ser\u00e1 o pr\u00f3ximo decl\u00ednio do Brasil profundo e\u00a0 prolongado, como a &#8220;d\u00e9cada perdida&#8221; que se seguiu ao &#8220;milagre&#8221; dos anos 70, ou\u00a0 curto e relativamente indolor, como ocorreu em 2009 quando o Pa\u00eds se recuperou\u00a0 prontamente do choque global de 2008? Na aus\u00eancia de reformas, a primeira op\u00e7\u00e3o\u00a0 parece mais prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Como os americanos, os brasileiros s\u00e3o donos de um otimismo t\u00edpico do Novo\u00a0 Mundo, permanecendo animados mesmo durante per\u00edodos de crescimento med\u00edocre.\u00a0 Entretanto, sobreviver aos maus momentos n\u00e3o \u00e9 o suficiente para um salvador,\u00a0 nem para um novo pilar da economia global. A quarta-feira de cinzas pode chegar\u00a0 antes do esperado.<\/p>\n<p>Autor: Bill Hinchberger<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Augusto Calil<\/p>\n<p>Fonte: O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com aprova\u00e7\u00e3o de 77%, a presidente Dilma Rousseff fez inveja a Obama, mas a\u00a0 &#8220;quarta-feira de cinzas&#8221; pode chegar antes<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":9349,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9348"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9348"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9348\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9348"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9348"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenaprf.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9348"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}