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set/2012

Governo vai concluir reforma previdenciária do setor público

A Fundação Nacional de Previdência Complementar do Servidor Federal deverá  ser criada dentro de um mês

O governo vai, enfim, concluir a reforma do regime de previdência do setor  público federal. Aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada a lei pela  presidente Dilma Rousseff, a Fundação Nacional de Previdência Complementar do  Servidor Federal (Funpresp) será efetivamente criada dentro de um mês, apurou o  Estado. O órgão regulador do sistema de fundos de pensões do Brasil, a Previc,  dará o sinal verde para a Funpresp no início de outubro – o último passo legal  previsto para a conclusão da reforma da previdência. No mesmo dia, o governo vai  editar um decreto detalhando os estatutos da Funpresp.

A presidente Dilma Rousseff já tomou a decisão política de transferir para o  dia 1.º de janeiro o início do novo regime previdenciário. Isso quer dizer que,  após a chancela da Previc, os técnicos da União terão ainda três meses para  constituírem os fundos de pensão. Os servidores que forem nomeados até 31 de  dezembro deste ano ainda ingressarão sob o regime antigo, reformado pela  Funpresp.

Já os que forem nomeados após essa data terão de contribuir para a Funpresp  caso desejem obter um benefício previdenciário superior ao teto do Instituto  Nacional do Seguro Social (INSS) ao se aposentarem.

Na prática, o novo regime iguala, do ponto de vista previdenciário, os  servidores aos demais trabalhadores da iniciativa privada do País.

A lei que criou o novo regime previdenciário, que instituiu o modelo baseado  no fundo de pensão (Funpresp), previa a criação de um fundo para cada Poder,  atendendo a pressão do Judiciário. Mas o Estado apurou que apenas dois fundos  serão criados: Legislativo e Executivo vão dividir um mesmo Funpresp, enquanto o  Judiciário constituirá outro. Como são apenas 8,8 mil servidores no Legislativo,  o Funpresp deste Poder, caso fosse criado, seria o menor dos três, e, portanto,  com menos recursos para aplicar no mercado e render uma remuneração razoável  para os cotistas.

A reforma da previdência do setor público federal começou a ser arquitetada  em 1997, ainda no primeiro governo do presidente Fernando Henrique Cardoso  (1995-2002), que criou e aprovou as emendas constitucionais que permitiram as  mudanças, depois modeladas no governo Luiz Inácio Lula da Silva, que criou a  Funpresp e enviou o projeto de lei ao Congresso em setembro de 2007. Depois de  passar quase quatro anos engavetado na Câmara dos Deputados, o projeto foi  reanimado pela presidente Dilma Rousseff no ano passado, que colocou a aprovação  da Funpresp no topo de suas agendas de prioridades.

Agora, o governo federal quer criar o mesmo modelo para contornar o déficit  atuarial de Estados e municípios, de R$ 1,5 trilhão. Como antecipou ontem o  Estado, o governo está avançado nos estudos para a criação de uma Funpresp para  Estados e municípios, a “Prev Federação”.

O novo fundo de pensão, criado no Ministério da Previdência Social, está  sendo discutido no Tesouro Nacional. A ideia do governo é criar a mesma  estrutura da Funpresp, que seria aberta a adesão dos Estados e municípios.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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